Diário de Bordo, Vila do Conde, 10 de Novembro de 2008
Canção do dia: «Organ Donor» Dj Shadow
-Quer sentar-se? Digo a um senhor já de idade.
-Deixe estar-se menina! Ele vai de pé! Só lhe faz bem! (Responde-me a sua mulher, já sentada!)
Andante
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Desabafos
Diário de Bordo, Vila do Conde, 31 de Outubro de 2008
Canção do dia: «Oxalá» (versão electrónica) Madredeus
O metro anda completamente impossível! Chega a Vila do Conde já cheio e só com uma carruagem. Geralmente vem também sem os bancos de abrir e fechar.
Conclusão: as pessoas começam o dia mal humoradas e cansadas. Vão o percurso todo de pé.
As horas de sono não são recuperadas...
...desabafos meus!
Andante
Canção do dia: «Oxalá» (versão electrónica) Madredeus
O metro anda completamente impossível! Chega a Vila do Conde já cheio e só com uma carruagem. Geralmente vem também sem os bancos de abrir e fechar.
Conclusão: as pessoas começam o dia mal humoradas e cansadas. Vão o percurso todo de pé.
As horas de sono não são recuperadas...
...desabafos meus!
Andante
sábado, 25 de outubro de 2008
Libelinha
Diário de Bordo, Vila do Conde, 27 de Setembro de 2008
Canção do dia: «En Gallop» Joanna Newsom
Dormia. Um delicado e suave bater de asas acorda-me de um embalado e belo sonho. Uma libelinha esvoaçava contra o vidro incomodando a menina aterrada à minha frente.
Quer ir lá para fora...
Está sempre a bater contra o vidro...
Está a ficar muito cansada...
Está a ficar com as asas partidas...
Dispo o casaco.
Pego nela com muito jeitinho.
Levanto-me.
Abro a porta.
Voa...
Andante
Canção do dia: «En Gallop» Joanna Newsom
Dormia. Um delicado e suave bater de asas acorda-me de um embalado e belo sonho. Uma libelinha esvoaçava contra o vidro incomodando a menina aterrada à minha frente.
Quer ir lá para fora...
Está sempre a bater contra o vidro...
Está a ficar muito cansada...
Está a ficar com as asas partidas...
Dispo o casaco.
Pego nela com muito jeitinho.
Levanto-me.
Abro a porta.
Voa...
Andante
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Aneurisma dos doces
Diário de Bordo, Porto, 25 de Setembro de 2008
Canção do Dia: «Peter Pan» Spleen
-O meu marido era um malandro, que Deus o tenha! Eu dava-lhe dieta em casa. Sim! Porque eu sou enfermeira, eu sei tratar bem das pessoas! Dava-lhe sempre dieta. Sopinha, peixe grelhado e batatinhas cozidas que eram uma maravilha. Óh se eram! E o malandro à tarde fugia e ia para a pastelaria encher-se de bolos e doces. Tinha amor aos doces o homem! E sabe o que aconteceu, sabe?
-Olhe, tinha ele 24, tinha eu 21. Deu um berro; caiu no chão. Deu outro berro, morreu. Foi dos doces. Aneurisma dos doces! Valha-me Deus!...
-E o meu genro. Nem sabe! Eu tratava muito bem dele. Dava-lhe dieta e peixinho. E ele comia tudo. E depois ele foi morar para Inglaterra e só comia bifes! Sempre sempre a comer bifes! Não imagina! Eles lá é só bifes e batatas fritas! Eu disse-lhe para fazer análises ao colesterol e tri-glicerídeos porque há uns tempos atrás estavam muito altos. E ele fez. E o "doctor" disse-lhe que estava tudo bem. Disse-lhe para não confiar nesse médico, q'uele não sabia nada do que fazia! E depois veio para cá, eu perguntei-lhe como estava e olhe, morreu!...
-Eu também tenho de ter cuidado, não me posso constipar. Disse-me o médico do coração! (A dita senhora encontrava-se exageradamente vestida: lenço na cabeça, casaco de pele, cachecol, luvas e botas!)
Aparecem os fiscais.
-Lá vem a polícia!
Confirmam 2 andantes e páram num senhor de meia idade.
-Ai os polícias, paráram ali no senhor! Se ele tem cartão, não devia pagar multa? De quanto é a multa amigo? Questionando o homem à sua frente.
-Sessenta ou setenta euros, penso eu.
-Sessenta! Só! Ai havia de ser mais! Mas para quem as merecesse, para os ladrões, não para as pessoas honestas! Coitado do senhor!
-Pois é, pois é...-responde-lhe.
-Isto não tem jeito nenhum. E as carruagens?! Já vieram com defeito. Não têm bar, não têm quarto de banho. É uma estupidez, já viu? E devia ter quartos de benho para crianças, doentes e idosos! Já viu o que é ir até à "Póvoa" a aguentar a bexiga. Ainda no outro dia havia uma miudinha que estava aflita e não podia fazer xixi! Então eu dise-lhe para ela fazer ali, mesma à frente da porta do condutor, à minha responsabilidade. E ela fez.
-Fez?!
-Fez. Coitada da miúda, não ia ficar apertadita. E eu sou enfermeira disse-lhe que fazia mal ficar com a bexiga apertada, valha-nos Deus!
-Hum...
-No outro dia também houve uma senhora que lhe deu vontade e eu disse para ela fazer ali (apontando novamente para a área da porta do condutor). E eu disse: «Faça. Faça à minha responsabilidade e limpe-se à saia como se faz na minha terra, assim-exemplificando«.
Entretanto um dos meus desconhecidos colegas de viagem fecha o livro.
-Isto hoje está impossível p'ra ler. Emprestas-me a "Visão"?
Andante
Canção do Dia: «Peter Pan» Spleen
-O meu marido era um malandro, que Deus o tenha! Eu dava-lhe dieta em casa. Sim! Porque eu sou enfermeira, eu sei tratar bem das pessoas! Dava-lhe sempre dieta. Sopinha, peixe grelhado e batatinhas cozidas que eram uma maravilha. Óh se eram! E o malandro à tarde fugia e ia para a pastelaria encher-se de bolos e doces. Tinha amor aos doces o homem! E sabe o que aconteceu, sabe?
-Olhe, tinha ele 24, tinha eu 21. Deu um berro; caiu no chão. Deu outro berro, morreu. Foi dos doces. Aneurisma dos doces! Valha-me Deus!...
-E o meu genro. Nem sabe! Eu tratava muito bem dele. Dava-lhe dieta e peixinho. E ele comia tudo. E depois ele foi morar para Inglaterra e só comia bifes! Sempre sempre a comer bifes! Não imagina! Eles lá é só bifes e batatas fritas! Eu disse-lhe para fazer análises ao colesterol e tri-glicerídeos porque há uns tempos atrás estavam muito altos. E ele fez. E o "doctor" disse-lhe que estava tudo bem. Disse-lhe para não confiar nesse médico, q'uele não sabia nada do que fazia! E depois veio para cá, eu perguntei-lhe como estava e olhe, morreu!...
-Eu também tenho de ter cuidado, não me posso constipar. Disse-me o médico do coração! (A dita senhora encontrava-se exageradamente vestida: lenço na cabeça, casaco de pele, cachecol, luvas e botas!)
Aparecem os fiscais.
-Lá vem a polícia!
Confirmam 2 andantes e páram num senhor de meia idade.
-Ai os polícias, paráram ali no senhor! Se ele tem cartão, não devia pagar multa? De quanto é a multa amigo? Questionando o homem à sua frente.
-Sessenta ou setenta euros, penso eu.
-Sessenta! Só! Ai havia de ser mais! Mas para quem as merecesse, para os ladrões, não para as pessoas honestas! Coitado do senhor!
-Pois é, pois é...-responde-lhe.
-Isto não tem jeito nenhum. E as carruagens?! Já vieram com defeito. Não têm bar, não têm quarto de banho. É uma estupidez, já viu? E devia ter quartos de benho para crianças, doentes e idosos! Já viu o que é ir até à "Póvoa" a aguentar a bexiga. Ainda no outro dia havia uma miudinha que estava aflita e não podia fazer xixi! Então eu dise-lhe para ela fazer ali, mesma à frente da porta do condutor, à minha responsabilidade. E ela fez.
-Fez?!
-Fez. Coitada da miúda, não ia ficar apertadita. E eu sou enfermeira disse-lhe que fazia mal ficar com a bexiga apertada, valha-nos Deus!
-Hum...
-No outro dia também houve uma senhora que lhe deu vontade e eu disse para ela fazer ali (apontando novamente para a área da porta do condutor). E eu disse: «Faça. Faça à minha responsabilidade e limpe-se à saia como se faz na minha terra, assim-exemplificando«.
Entretanto um dos meus desconhecidos colegas de viagem fecha o livro.
-Isto hoje está impossível p'ra ler. Emprestas-me a "Visão"?
Andante
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Livros de Bolso
Diário de Bordo, Vila do Conde, 15 de Setembro de 2008
Canções do Dia: Album: «Children's Songs» Chick Corea
Depois de estar vários meses sem actualizações, o novo ano lectivo começa para iniciar novamente a vida sobre carris.
Adoro ler livros amarrotados, livros com cantos dobrados, livros com anotações. Livros já lidos, livros já pensados. Porque cada vinco, cada dobra, cada palavra escrita amplia a curiosidade do porquê, de tal chamada de atenção.
«...Nunca desistirei de procurar, tal é a minha decisão. Também tu, pelo que me parece, andaste à procura. Quererás dizer-me uma palavra, ó Venerado?
Siddhartha disse:
-O que poderia ter eu para te dizer, ó Venerável? Talvez dizer-te que procuras demasiado? Que enquanto procurares nunca conseguirás encontrar?
-Como assim?-perguntou Govinda.
-Quando alguém procura-respondeu Siddhartha- pode acontecer que os olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos.
-Ainda não te compreendo perfeitamente-disse Govinda-,o que queres dizer com isso?...»
(em «Siddhartha» de Hermann Hesse)
Andante
Canções do Dia: Album: «Children's Songs» Chick Corea
Depois de estar vários meses sem actualizações, o novo ano lectivo começa para iniciar novamente a vida sobre carris.
Adoro ler livros amarrotados, livros com cantos dobrados, livros com anotações. Livros já lidos, livros já pensados. Porque cada vinco, cada dobra, cada palavra escrita amplia a curiosidade do porquê, de tal chamada de atenção.
«...Nunca desistirei de procurar, tal é a minha decisão. Também tu, pelo que me parece, andaste à procura. Quererás dizer-me uma palavra, ó Venerado?
Siddhartha disse:
-O que poderia ter eu para te dizer, ó Venerável? Talvez dizer-te que procuras demasiado? Que enquanto procurares nunca conseguirás encontrar?
-Como assim?-perguntou Govinda.
-Quando alguém procura-respondeu Siddhartha- pode acontecer que os olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos.
-Ainda não te compreendo perfeitamente-disse Govinda-,o que queres dizer com isso?...»
(em «Siddhartha» de Hermann Hesse)
Andante
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Adeus
Diário de Bordo, Vila do Conde, 22 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «How to save a Life» The Fray
"A memória é o espelho onde observamos os ausentes." (Joseph Joubert)
Vila do Conde, 22 de Fevereiro de 2007:
Ontem passei por ti na faculdade e achei-te especialmente bonita. Perguntei-te onde ias de tão linda que estavas. Tu apenas retribuis-te com um lindo sorriso.
Nao me despedi de ti...
Contive as lágrimas até sair do metro.
No caminho para casa a pé encontrei a minha irmã. Disse-me que não estava ninguém em casa. Precisava de estar com alguém.
Porquê? Só tinhas 18 anos e tinhas uma vida feliz pela frente!
Passei em casa de um amigo e fomos à praia.
Enquanto a salitra me batia na cara a ideia de que nao me tinha despedido de ti nao me saia da cabeça. Já tinha decidido que não ia ao teu funeral. Prefiro guardar na memória as pessoas em vida.
O vento estava sudoeste e as ondas formavam vagalhões enormes que, ao rebentarem, cobriam na totalidade a areia de branco. A lua estava escondida pelas núvens e nao havia uma única estrela à vista. A praia estava linda...
Quando olhei para o relógio eram 19:15h. Fui a florista. Não sabia qual era a tua flor preferida, não tivemos tempo para falar sobre isso. Optei por uma orquídea, as que mais gosto: são bonitas, delicadas, perfeitas. Escolhi uma amarela linda para ti.
Descalcei-me...
Dobrei as calcas...
Tirei os óculos...
Fiquei 20 minutos estática a sentir a areia molhada nos pés.
Deixei que o mar mos beijasse.
Fiz uma funda covinha; acendi, com dificuldade e ajuda, uma pequena vela.
Beijei a tua flor. Pousei-a na areia.
Apenas murmurei um simples adeus.
Sorri...
O teu lindo sorriso de ontem ficará para sempre na minha memória.
Andante
Canção do Dia: «How to save a Life» The Fray
"A memória é o espelho onde observamos os ausentes." (Joseph Joubert)
Vila do Conde, 22 de Fevereiro de 2007:
Ontem passei por ti na faculdade e achei-te especialmente bonita. Perguntei-te onde ias de tão linda que estavas. Tu apenas retribuis-te com um lindo sorriso.
Nao me despedi de ti...
Contive as lágrimas até sair do metro.
No caminho para casa a pé encontrei a minha irmã. Disse-me que não estava ninguém em casa. Precisava de estar com alguém.
Porquê? Só tinhas 18 anos e tinhas uma vida feliz pela frente!
Passei em casa de um amigo e fomos à praia.
Enquanto a salitra me batia na cara a ideia de que nao me tinha despedido de ti nao me saia da cabeça. Já tinha decidido que não ia ao teu funeral. Prefiro guardar na memória as pessoas em vida.
O vento estava sudoeste e as ondas formavam vagalhões enormes que, ao rebentarem, cobriam na totalidade a areia de branco. A lua estava escondida pelas núvens e nao havia uma única estrela à vista. A praia estava linda...
Quando olhei para o relógio eram 19:15h. Fui a florista. Não sabia qual era a tua flor preferida, não tivemos tempo para falar sobre isso. Optei por uma orquídea, as que mais gosto: são bonitas, delicadas, perfeitas. Escolhi uma amarela linda para ti.
Descalcei-me...
Dobrei as calcas...
Tirei os óculos...
Fiquei 20 minutos estática a sentir a areia molhada nos pés.
Deixei que o mar mos beijasse.
Fiz uma funda covinha; acendi, com dificuldade e ajuda, uma pequena vela.
Beijei a tua flor. Pousei-a na areia.
Apenas murmurei um simples adeus.
Sorri...
O teu lindo sorriso de ontem ficará para sempre na minha memória.
Andante
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Viagens
Diário de Bordo, Vila do Conde, 21 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «Voá Borboleta» Sara Tavares
Há viagens que duram de mais. Outras são demasiado curtas.
Andante
Canção do Dia: «Voá Borboleta» Sara Tavares
Há viagens que duram de mais. Outras são demasiado curtas.
Andante
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Cãimbra
Diário de Bordo, Vila do Conde, 15 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «One Evening» Feist
Encontrei um amigo na "Trindade" que estava com um amigo seu. Entramos no metro. Mais uma vez, adormeci. Eis que me dá uma grande cãimbra. Acordo de rompante. Involuntáriamente mando um grande pontapé ao dito amigo do meu amigo.
-Desculpa lá, cãimbra. Disse-lhe eu enquanto o pobre do rapaz esfregava a "canela" e metade da carruagem se ria de mim.
Andante
Canção do Dia: «One Evening» Feist
Encontrei um amigo na "Trindade" que estava com um amigo seu. Entramos no metro. Mais uma vez, adormeci. Eis que me dá uma grande cãimbra. Acordo de rompante. Involuntáriamente mando um grande pontapé ao dito amigo do meu amigo.
-Desculpa lá, cãimbra. Disse-lhe eu enquanto o pobre do rapaz esfregava a "canela" e metade da carruagem se ria de mim.
Andante
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Carnaval
Diário de Bordo, Porto, 11 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «Good friday» Cocorosie
A greve continua...
O metro das 8:26 não passou na Estação de Vila do Conde.
Cansada do voo de quinta, procuro lugar para dormir. Sento-me no único lugar disponível. Um dos reservados para grávidas e acompanhantes de crianças de colo. Fecho os olhos. Acompanhada de música, tento repousar. A densidade populacional aumenta. Há uma luta desenfreada para arranjar local de apoio.
Entra uma inchada senhora. Numa dúvida fundamentada questiono-me: Dou-lhe o lugar?
Ora bem, não me importaria nada de lho ceder, a senhora parece estar grávida. No entanto, se lhe der o assento e esta não o estiver, colocar-me-ei numa situação muito pouco agradável!
A minha companheira da frente deixa a sonolenta malha.
-Quer sentar-se?
Levanto-me num pulo.
As melodias de "Rodrigo Leão" tocam. Agarro-me com dificuldade face à imensidão de mãos.
Embarca uma princesa trajando de azul. De tiara na cabeça, a pobre realeza mal se segura. Uma outra senhora mantem-se confortavelmente sentada.
-Mãe, ali não diz "Por favor não utilize estes assentos em hora de ponta"?!
-É filha. Há pessoas que não sabem ler.
-Lebánte-se múlhere! Támos aqui todos apertados! Parecemos as sardinhes!
-Deixe lá. O que bale é que é Carnabal! Ninguém leva a mal!
Andante











Canção do Dia: «Good friday» Cocorosie
A greve continua...
O metro das 8:26 não passou na Estação de Vila do Conde.
Cansada do voo de quinta, procuro lugar para dormir. Sento-me no único lugar disponível. Um dos reservados para grávidas e acompanhantes de crianças de colo. Fecho os olhos. Acompanhada de música, tento repousar. A densidade populacional aumenta. Há uma luta desenfreada para arranjar local de apoio.
Entra uma inchada senhora. Numa dúvida fundamentada questiono-me: Dou-lhe o lugar?
Ora bem, não me importaria nada de lho ceder, a senhora parece estar grávida. No entanto, se lhe der o assento e esta não o estiver, colocar-me-ei numa situação muito pouco agradável!
A minha companheira da frente deixa a sonolenta malha.
-Quer sentar-se?
Levanto-me num pulo.
As melodias de "Rodrigo Leão" tocam. Agarro-me com dificuldade face à imensidão de mãos.
Embarca uma princesa trajando de azul. De tiara na cabeça, a pobre realeza mal se segura. Uma outra senhora mantem-se confortavelmente sentada.
-Mãe, ali não diz "Por favor não utilize estes assentos em hora de ponta"?!
-É filha. Há pessoas que não sabem ler.
-Lebánte-se múlhere! Támos aqui todos apertados! Parecemos as sardinhes!
-Deixe lá. O que bale é que é Carnabal! Ninguém leva a mal!
Andante
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Greve
Diário de Bordo, Porto, 28 de Janeiro de 2008
Canção do dia: «Rainbowarriors» CocoRosie
Greve dos condutores do metro, há menos comboios, as pessoas acumulam, esperam e desesperam.
No meio de um emaranhado de braços e cabeças, bolsas e casacos, entra uma senhora carregadíssima de sacos.
-Cum licença, cum licença. Há que apertari! Tem-se d'apertari sempr'o cinto, mas cumo naum estámos num carro, aperte-se aí só mais um bocadinho pr'eu entrari!
Os apertados manifestam-se. Indignação.
-Onde é que se vai meter?!
Há uma travagem brusca.
-Ui..ui que bou caire!
-Oh senhora, veja lá se se agarra, se não ainda cai em cima da gente!
-Minha senhora, tenha lá cuidado! Segure-se caramba!
-Olha o mieu telelé, tinha mesmu di tocar agora que nem consigo botar a mão ao borso!
-Oh Fátima cála-te que já não te posso ouvir! Tás no metro aos berros!
Andante
Canção do dia: «Rainbowarriors» CocoRosie
Greve dos condutores do metro, há menos comboios, as pessoas acumulam, esperam e desesperam.
No meio de um emaranhado de braços e cabeças, bolsas e casacos, entra uma senhora carregadíssima de sacos.
-Cum licença, cum licença. Há que apertari! Tem-se d'apertari sempr'o cinto, mas cumo naum estámos num carro, aperte-se aí só mais um bocadinho pr'eu entrari!
Os apertados manifestam-se. Indignação.
-Onde é que se vai meter?!
Há uma travagem brusca.
-Ui..ui que bou caire!
-Oh senhora, veja lá se se agarra, se não ainda cai em cima da gente!
-Minha senhora, tenha lá cuidado! Segure-se caramba!
-Olha o mieu telelé, tinha mesmu di tocar agora que nem consigo botar a mão ao borso!
-Oh Fátima cála-te que já não te posso ouvir! Tás no metro aos berros!
Andante
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Geração Perdida
Diário de Bordo, Vila do Conde, 25 de Janeiro de 2008
Canção do Dia: «I'mma Shine» Youngbloodz in Step Up
Sexta-feira, adormeci. Quando cheguei à paragem de Vila do Conde, o metro tinha acabado de partir. Fomos no seu encalço até à paragem de Santa Clara. Numa competição renhida, conseguimos a ultrapassagem.
O céu estava lindo. Frio e afogueado. Gritáva-me com seu vermelho. Não consegui dormir.
A carruagem ia a abarrotar.
Enquanto um rapaz funga e uma senhora lhe oferece um lenço que ele declina, entra um outro no metro. De mochila às costas, traz o volume da música "pastilha" demasiado alto. A carruagem revira os olhos. A mesma senhora comenta:
-É uma falta de respeito pelos outros, um exagero. Quer uma pessoa chegar ao trabalho descansada e é sempre isto! Há que respeitar os outros. Sabe lá se eu gosto desse género de música?! Esta geração está perdida!
Entra uma senhora de idade no metro acompanhada por uma segunda mais jovem. Procura lugar. É ignorada. Levanto-me e ofereço o simpático lugar à senhora. Agradece. Fala alto com a amiga sobre boas acções.
Andante
Canção do Dia: «I'mma Shine» Youngbloodz in Step Up
Sexta-feira, adormeci. Quando cheguei à paragem de Vila do Conde, o metro tinha acabado de partir. Fomos no seu encalço até à paragem de Santa Clara. Numa competição renhida, conseguimos a ultrapassagem.
O céu estava lindo. Frio e afogueado. Gritáva-me com seu vermelho. Não consegui dormir.
A carruagem ia a abarrotar.
Enquanto um rapaz funga e uma senhora lhe oferece um lenço que ele declina, entra um outro no metro. De mochila às costas, traz o volume da música "pastilha" demasiado alto. A carruagem revira os olhos. A mesma senhora comenta:
-É uma falta de respeito pelos outros, um exagero. Quer uma pessoa chegar ao trabalho descansada e é sempre isto! Há que respeitar os outros. Sabe lá se eu gosto desse género de música?! Esta geração está perdida!
Entra uma senhora de idade no metro acompanhada por uma segunda mais jovem. Procura lugar. É ignorada. Levanto-me e ofereço o simpático lugar à senhora. Agradece. Fala alto com a amiga sobre boas acções.
Andante
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Tertúlia
Diário de Bordo, Porto-Vila do Conde, 24 de Janeiro de 2008
Canção do Dia: «The Organ Donor» Dj Shadow
Enquanto lia um dos muitos jornais gratuitos distribuidos no metro...
...
-Olhe, deixei de fumar. Estava a ser discriminado. As pessoas, com a nova lei do tabaco agora desprezam os fumadores. Parece que agora quem fuma é assassino. As pessoas olham-nos com desprezo.
-Veja o lado positivo da coisa, pelo menos deixou de fumar!
-Lá isso foi. Mas sinto falta do cigarrito com a bica. Ainda no outro dia tava distraído e acendi o cigarro dentro de um cafézito. Lá me veio uma senhora toda empiriquitada dizer-me que o estabelecimento era para não fumadores. Lá lhe pedi desculpa e apaguei o cigarro.
Entretanto, entram vários "picas " na carruagem. Páram numa senhora e saem juntos em Esposade. A troca de ideias inicía-se. Pouso o jornal e pego no bloco com a sensação de uma boa história a caminho.
-São a ASAE.
-Pois é meu amigo! Olhe, agora é sempre isto! Durante o natal não se via ninguém.
-Agora é como os passarinhos!
-Tem razão.
-Olhe, a pobre da rapariga já vai ter multa! Coitada!...
-Pagava-se a diferença e pronto!
-Pois...agora vai ter de pagar uma pesada multa!
-A passagem da senhora é que estava errada!
-Pois eu paguei 60€ sem ter culpa nenhuma!
-Olhe, é como a minha filha! No outro dia tinha tudo direitinho. E validou o andante e tudo, só que pelos vistos a máquina dizia que ela não tinha validado, e pegou no recibo errado. Não podia provar. Foram logo 65€!
-São trabalhadores da noite!
-Ah pois é!
-O melhor é evitar, tirar tudo direitinho. Olhe que vergonha!
-Também já me aconteceu, mas foi de camioneta até Crestins. A porcaria da camioneta demorou duas horas e queriam que eu tirá-se outra viagem. Não paguei. Não tinha culpa que a camioneta tivesse demorado tanto tempo. Num domingo, num verão. Foi no dia de Nossa Senhora da...
Retomou-se o tema de conversa
-Deixe estar minha senhora, eles vão pagar as viagem de borla! Eles andam atentos! Referindo-se a passageiros ilegais (os que não compram passsagem).
-Olhe o filho da minha vizinha apanhou uma multa de 70€ por causa disso.
-Já viu quantas viajens dá para fazer?!
-Brincava no metro. Fazia o que queria do transporte público. 75€! Teve de chamar o irmão mais velho, era menor. Foi nas férias de verão. Eram onze da noite. Saíram logo os dois.
-É um exemplo.
-O que não era justo era quando eu estava na tropa, antes do 25 de Abril e não pagavam nada. Tinha de pagar bilhete para vir visitar a família. Nós a defendermos o país e não nos calhava nada. Isso é que era injusto! Trabalháva-se para voltar para casa.
- Com os meus irmãos também era assim. E não fumavam!
-Com o governo que está aí vamos voltar a isso.
-Pagava-se para tudo. Pagava-se para fumar, as bicicletas tinham de ter matrícula, não se podia andar descalço na rua.
-A minha irmã uma vez foi multada por não andar com as socas em Vila do Conde. Tinha 14 anos!
-Olhe, é isso e o tabaco.
-Não me faz falta nenhuma!
-Os cafés perderam muito com isso!
-As cidades estão fechadas à noite. Desaparece tudo!
-Desde que apareceram as discotecas e os supermercados...
A conversa continua, abordam-se vários temas: acidentes, pedofilia, assassínios, crianças desaparecidas. Comentam-se as últimas novidades dos jornais. Invoca-se Salazar.
A tertúlia vai-se desfazendo. Os intervenientes começam a abandonar a conversa.
-Boa tarde!
O senhor de óculos assobia agitando um envelope.
"Santa Clara"
Fecho o bloco, está na hora de sair.
Andante
Canção do Dia: «The Organ Donor» Dj Shadow
Enquanto lia um dos muitos jornais gratuitos distribuidos no metro...
...
-Olhe, deixei de fumar. Estava a ser discriminado. As pessoas, com a nova lei do tabaco agora desprezam os fumadores. Parece que agora quem fuma é assassino. As pessoas olham-nos com desprezo.
-Veja o lado positivo da coisa, pelo menos deixou de fumar!
-Lá isso foi. Mas sinto falta do cigarrito com a bica. Ainda no outro dia tava distraído e acendi o cigarro dentro de um cafézito. Lá me veio uma senhora toda empiriquitada dizer-me que o estabelecimento era para não fumadores. Lá lhe pedi desculpa e apaguei o cigarro.
Entretanto, entram vários "picas " na carruagem. Páram numa senhora e saem juntos em Esposade. A troca de ideias inicía-se. Pouso o jornal e pego no bloco com a sensação de uma boa história a caminho.
-São a ASAE.
-Pois é meu amigo! Olhe, agora é sempre isto! Durante o natal não se via ninguém.
-Agora é como os passarinhos!
-Tem razão.
-Olhe, a pobre da rapariga já vai ter multa! Coitada!...
-Pagava-se a diferença e pronto!
-Pois...agora vai ter de pagar uma pesada multa!
-A passagem da senhora é que estava errada!
-Pois eu paguei 60€ sem ter culpa nenhuma!
-Olhe, é como a minha filha! No outro dia tinha tudo direitinho. E validou o andante e tudo, só que pelos vistos a máquina dizia que ela não tinha validado, e pegou no recibo errado. Não podia provar. Foram logo 65€!
-São trabalhadores da noite!
-Ah pois é!
-O melhor é evitar, tirar tudo direitinho. Olhe que vergonha!
-Também já me aconteceu, mas foi de camioneta até Crestins. A porcaria da camioneta demorou duas horas e queriam que eu tirá-se outra viagem. Não paguei. Não tinha culpa que a camioneta tivesse demorado tanto tempo. Num domingo, num verão. Foi no dia de Nossa Senhora da...
Retomou-se o tema de conversa
-Deixe estar minha senhora, eles vão pagar as viagem de borla! Eles andam atentos! Referindo-se a passageiros ilegais (os que não compram passsagem).
-Olhe o filho da minha vizinha apanhou uma multa de 70€ por causa disso.
-Já viu quantas viajens dá para fazer?!
-Brincava no metro. Fazia o que queria do transporte público. 75€! Teve de chamar o irmão mais velho, era menor. Foi nas férias de verão. Eram onze da noite. Saíram logo os dois.
-É um exemplo.
-O que não era justo era quando eu estava na tropa, antes do 25 de Abril e não pagavam nada. Tinha de pagar bilhete para vir visitar a família. Nós a defendermos o país e não nos calhava nada. Isso é que era injusto! Trabalháva-se para voltar para casa.
- Com os meus irmãos também era assim. E não fumavam!
-Com o governo que está aí vamos voltar a isso.
-Pagava-se para tudo. Pagava-se para fumar, as bicicletas tinham de ter matrícula, não se podia andar descalço na rua.
-A minha irmã uma vez foi multada por não andar com as socas em Vila do Conde. Tinha 14 anos!
-Olhe, é isso e o tabaco.
-Não me faz falta nenhuma!
-Os cafés perderam muito com isso!
-As cidades estão fechadas à noite. Desaparece tudo!
-Desde que apareceram as discotecas e os supermercados...
A conversa continua, abordam-se vários temas: acidentes, pedofilia, assassínios, crianças desaparecidas. Comentam-se as últimas novidades dos jornais. Invoca-se Salazar.
A tertúlia vai-se desfazendo. Os intervenientes começam a abandonar a conversa.
-Boa tarde!
O senhor de óculos assobia agitando um envelope.
"Santa Clara"
Fecho o bloco, está na hora de sair.
Andante
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Desmaio
Diário de Bordo, Vila do Conde, 23 de Janeiro de 2008
Canção do dia: «All is full of love» Bjork
Longe vão os tempos em que tentava estudar no metro...
Quarta-feira, apanho um metro normal. Encontro dois amigos. Cansada, pouso a capa e a bolsa em cima das pernas. De "fones" nos ouvidos, cruzo os braços pousando-os sobre a mala. Adormeço profundamente...
"Próxima Estação Casa da Música.
Next Stop Casa da Música."
Num ápice, o metro pára um pouco mais violentamente que o habitual.
A capa escorrega.
Acordo num salto.
Toda despenteada do abanão, coro.
A carruagem observa-me.
Sorrio. Riu.
Depois de acordar os meus companheiros de viagem narram os acontecimentos ocorridos enquanto dormitara. Pelos vistos as pessoas acotovelavam-se na porta. Num determinado momento, uma rapariga alta e espaçosa (que eles designaram por cavalona), pede freneticamente licença para passar. As pessoas afastam-se pensando que o seu destino seria a próxima estação. De repente desmaia. A dita menina pediu simpaticamente licença, não para sair, mas sim para não cair em cima de ninguém. A terceira idade acorre-lhe:
-Tome água menina!
-Dêem-lhe açúcar!
Responde ela:
-Obrigada senhora, mas vou fazer análises, não posso comer nada!
-Mas está bem menina?
-Sim sim, muito obrigada.
...
Andante
Canção do dia: «All is full of love» Bjork
Longe vão os tempos em que tentava estudar no metro...
Quarta-feira, apanho um metro normal. Encontro dois amigos. Cansada, pouso a capa e a bolsa em cima das pernas. De "fones" nos ouvidos, cruzo os braços pousando-os sobre a mala. Adormeço profundamente...
"Próxima Estação Casa da Música.
Next Stop Casa da Música."
Num ápice, o metro pára um pouco mais violentamente que o habitual.
A capa escorrega.
Acordo num salto.
Toda despenteada do abanão, coro.
A carruagem observa-me.
Sorrio. Riu.
Depois de acordar os meus companheiros de viagem narram os acontecimentos ocorridos enquanto dormitara. Pelos vistos as pessoas acotovelavam-se na porta. Num determinado momento, uma rapariga alta e espaçosa (que eles designaram por cavalona), pede freneticamente licença para passar. As pessoas afastam-se pensando que o seu destino seria a próxima estação. De repente desmaia. A dita menina pediu simpaticamente licença, não para sair, mas sim para não cair em cima de ninguém. A terceira idade acorre-lhe:
-Tome água menina!
-Dêem-lhe açúcar!
Responde ela:
-Obrigada senhora, mas vou fazer análises, não posso comer nada!
-Mas está bem menina?
-Sim sim, muito obrigada.
...
Andante
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Queda
Diário de Bordo, Porto, 21 de Janeiro de 2008
Canção do dia: «Wandering eye» Fat Freddys Drop
Primeira semana de aulas do segundo ano. Numa réstia de aproveitamento dos últimos dias de semi-férias calcei as sandálias. Liberdade.
Na faculdade reencontram-se os amigos, reveem-se caras conhecidas, trocam-se férias e viagens.
Seis e seis: o metro chega à "Trindade". Na ânsia de apanhar o expresso saio do metro a correr e tento furar pela aglutinação de pessoas.
PUM!...
As sandálias de borracha escorregam no chão liso. Estatelo-me no chão mesmo nos pés de um senhor cujos sapatos o identificam como condutor do metro.
-A menina está bem?
-Está bem menina?
Não aguento. Rebento a rir. Da minha boca apenas saem sonoras gargalhadas. Subitamente lembro-me do expresso. Levanto-me num pulo. Não digo nada ao senhor, perdida de tanto rir. Subo as escadas duas a duas, valido o cartão, entro no metro.
O dito senhor deve ter ficado a pensar que eu era doida.
Andante
Canção do dia: «Wandering eye» Fat Freddys Drop
Primeira semana de aulas do segundo ano. Numa réstia de aproveitamento dos últimos dias de semi-férias calcei as sandálias. Liberdade.
Na faculdade reencontram-se os amigos, reveem-se caras conhecidas, trocam-se férias e viagens.
Seis e seis: o metro chega à "Trindade". Na ânsia de apanhar o expresso saio do metro a correr e tento furar pela aglutinação de pessoas.
PUM!...
As sandálias de borracha escorregam no chão liso. Estatelo-me no chão mesmo nos pés de um senhor cujos sapatos o identificam como condutor do metro.
-A menina está bem?
-Está bem menina?
Não aguento. Rebento a rir. Da minha boca apenas saem sonoras gargalhadas. Subitamente lembro-me do expresso. Levanto-me num pulo. Não digo nada ao senhor, perdida de tanto rir. Subo as escadas duas a duas, valido o cartão, entro no metro.
O dito senhor deve ter ficado a pensar que eu era doida.
Andante
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Francesinhas
Diário de Bordo, Vila do Conde, sábado, 14 de Janeiro de 2007
Canção do dia: «I dont wanna know» Mario Winans
Estávamos nas férias de Verão de 2006, eu e uma amiga regressávamos de um treino na estação do Bolhão. Já era tarde. Na nossa carruagem apenas estávamos nós as duas, uma cansada senhora de idade e um jovem bonacheirão.
Eu e a minha amiga conversávamos animadamente sobre o treino e a dança como habitualmente fazíamos.
Respondi-lhe com o meu nome. A minha amiga respondeu com um nome falso, como já havia feito outras vezes.
-Que lindos nomes que as meninas têm! Desculpem estar-me a meter convosco mas acho que aqui em Portugal as pessoas falam pouco umas com as outras!
Sorrimos...
-Acabei de chegar de França. Vim ver o meu pai. Já não o vejo à oito anos. Vou ali para Ponte da Barca.
-Elas ainda são muito novas para si! Deixe lá as miúdas!...Dizia a senhora com ar empertigado!
-A que horas?
-Mal cheguemos.
-Mas isso não pode ser. Temos dir a casa trocar de roupa. Não podemos ir assim! Mas depois vamos lá ter consigo, pode ser?
-Pode. Eu fico à vossa espera na estação.
-Ok, combinado. Demorámos aproximadamente 15 minutos. Espera por nós?
...
Andante
Voltei a vê-la. Apareceu num momento, desapareceu num intante. Estava a fazer outra vítima na estação de "Santa Clara". Não sei se hoje faria 90 anos novamente.
Andante
Canção do dia: «I dont wanna know» Mario Winans
Estávamos nas férias de Verão de 2006, eu e uma amiga regressávamos de um treino na estação do Bolhão. Já era tarde. Na nossa carruagem apenas estávamos nós as duas, uma cansada senhora de idade e um jovem bonacheirão.
Eu e a minha amiga conversávamos animadamente sobre o treino e a dança como habitualmente fazíamos.
-Olá meninas! Começou ele a meter conversa.
-Olá! Respondemos por boa educação.
-Tudo bem?
-Sim, tudo bem. Continuámos.
-Então como é que vocês se chamam?Respondi-lhe com o meu nome. A minha amiga respondeu com um nome falso, como já havia feito outras vezes.
-Que lindos nomes que as meninas têm! Desculpem estar-me a meter convosco mas acho que aqui em Portugal as pessoas falam pouco umas com as outras!
Sorrimos...
-Acabei de chegar de França. Vim ver o meu pai. Já não o vejo à oito anos. Vou ali para Ponte da Barca.
-Elas ainda são muito novas para si! Deixe lá as miúdas!...Dizia a senhora com ar empertigado!
A viagem decorria, e o imigrante deu corda à conversa. Eu e a minha amiga respondíamos num misto de gozo e boa educação. Era só mais uma das muitas personagens que viajam sobre carris.
-Não querem vir comer umas francesinhas?
Entrámos no jogo:
-Tá bem pode ser.
-Então vamos, pode ser?
-Ok. Como combinámos?
-Vamos a um restaurante muito bom que eu conheço, numa rua perto da estação.-A que horas?
-Mal cheguemos.
-Mas isso não pode ser. Temos dir a casa trocar de roupa. Não podemos ir assim! Mas depois vamos lá ter consigo, pode ser?
-Pode. Eu fico à vossa espera na estação.
-Ok, combinado. Demorámos aproximadamente 15 minutos. Espera por nós?
...
Andante
Voltei a vê-la. Apareceu num momento, desapareceu num intante. Estava a fazer outra vítima na estação de "Santa Clara". Não sei se hoje faria 90 anos novamente.
Andante
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Cinderela
Diário de Bordo, Vila do Conde, 29 de Novembro de 2007
Canção do dia: «Fever» Michael Bublé
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
O metro chegou à "Trindade" em cima da hora. Contavam-se os segundos para apanhar o metro das 17:31.
Com a pressa, subo as escadas a correr, saltitando duas a duas. Subitamente, perco uma sabrina vermelha.
-Menina, perdeu o sapatinho!
Existem ainda "Cinderelas"?!
Andante


Canção do dia: «Fever» Michael Bublé
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
O metro chegou à "Trindade" em cima da hora. Contavam-se os segundos para apanhar o metro das 17:31.
Com a pressa, subo as escadas a correr, saltitando duas a duas. Subitamente, perco uma sabrina vermelha.
-Menina, perdeu o sapatinho!
Existem ainda "Cinderelas"?!
Andante


segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Aniversário
Diário de Bordo, Porto-Vila do Conde, 26 de Novembro de 2007
Canção do dia:«Sun» Cocorosie
Esperei 15 minutos pelo metro das 16:31 na "Trindade". A informação vinha enganada.
Quando entrei na carruagem ofereci o lugar a uma senhora de idade. Ela recusou. Sentei-me. À minha frente estava uma senhora. De tez escura e nariz achatado vestia um casaco grosso azul, calças de ganga azuis e calçava sapatilhas. Na cabeça, um chapéu cinzento de crochet com triângulos brancos, escondia o cabelo negro escorrido. De braços cruzados observava compenetrada a paisagem. Metida nas conversas das outras pessoas, exclamava em voz alta que fazia 90 anos!
-Faço hoje 90 anos, ando pelas ruas todas! Conheço os transportes públicos todos!
-Parabéns! Diziam uns. Ignoravam outros.
-O meu marido faz hoje 103! Diz uma senhora em jeito de gozo.
-Não acredita?!
Entranto dá lugar a outro senhor.
-Sente-se, sente-se!Faço hoje 90 anos mas continuo fresca!
As pessoas riem.
Entretanto entram novos andantes, encontram-se duas velhas amigas. Depois de um grande e desequilibrado abraço, a senhora confunde-me com a filha da amiga.
-Têm os olhos da mãe!
Sorrio.
-Não é a minha filha! Sorri também.
-Ah! É igual! Tem os olhos parecidos com os seus! Então que conta Tété?
-O meu marido faz anos hoje.
-Parabéns, dê-me cá um beijinho. Quantos faz?
-73.
-Ai meu Deus, como o tempo passa!
Entre histórias empolgantes de assaltos a netos, chegam a "Vilar de Pinheiro".
-Continuação de um bom dia de anos, desejo.
-Muito obrigado, faça uma boa viajem.
-Desculpe lá menina, pensava que era filha desta minha amiga!
-Não se preocupe.
-Boa tarde então.
-Por esta porta Rosinha!
Depois de saírem a aniversariante veio sentar-se à minha frente. As mãos cruzadas bufavam e falavam sozinhas. Repetiam o som de quem está aborrecido vezes e vezes sem conta. As rugas da sua face desenhavam o seu olhar castanho compenetrado. Pensavam na vida.
-Nunca mais chegamos, susurrava.
Vê-me a escrever, suspira.
Guardo o lápis e as folhas.
Antes de sair olho para ela.
Olha-me nos olhos respondendo com três sorrisos instantâneos vindos do nada.
Procura outra vítima.
Será outra personagem que ficará registada nas páginas da minha memória.
Andante
Canção do dia:«Sun» Cocorosie
Esperei 15 minutos pelo metro das 16:31 na "Trindade". A informação vinha enganada.
Quando entrei na carruagem ofereci o lugar a uma senhora de idade. Ela recusou. Sentei-me. À minha frente estava uma senhora. De tez escura e nariz achatado vestia um casaco grosso azul, calças de ganga azuis e calçava sapatilhas. Na cabeça, um chapéu cinzento de crochet com triângulos brancos, escondia o cabelo negro escorrido. De braços cruzados observava compenetrada a paisagem. Metida nas conversas das outras pessoas, exclamava em voz alta que fazia 90 anos!
-Faço hoje 90 anos, ando pelas ruas todas! Conheço os transportes públicos todos!
-Parabéns! Diziam uns. Ignoravam outros.
-O meu marido faz hoje 103! Diz uma senhora em jeito de gozo.
-Não acredita?!
Entranto dá lugar a outro senhor.
-Sente-se, sente-se!Faço hoje 90 anos mas continuo fresca!
As pessoas riem.
Entretanto entram novos andantes, encontram-se duas velhas amigas. Depois de um grande e desequilibrado abraço, a senhora confunde-me com a filha da amiga.
-Têm os olhos da mãe!
Sorrio.
-Não é a minha filha! Sorri também.
-Ah! É igual! Tem os olhos parecidos com os seus! Então que conta Tété?
-O meu marido faz anos hoje.
-Parabéns, dê-me cá um beijinho. Quantos faz?
-73.
-Ai meu Deus, como o tempo passa!
Entre histórias empolgantes de assaltos a netos, chegam a "Vilar de Pinheiro".
-Continuação de um bom dia de anos, desejo.
-Muito obrigado, faça uma boa viajem.
-Desculpe lá menina, pensava que era filha desta minha amiga!
-Não se preocupe.
-Boa tarde então.
-Por esta porta Rosinha!
Depois de saírem a aniversariante veio sentar-se à minha frente. As mãos cruzadas bufavam e falavam sozinhas. Repetiam o som de quem está aborrecido vezes e vezes sem conta. As rugas da sua face desenhavam o seu olhar castanho compenetrado. Pensavam na vida.
-Nunca mais chegamos, susurrava.
Vê-me a escrever, suspira.
Guardo o lápis e as folhas.
Antes de sair olho para ela.
Olha-me nos olhos respondendo com três sorrisos instantâneos vindos do nada.
Procura outra vítima.
Será outra personagem que ficará registada nas páginas da minha memória.
Andante
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Esvoaçando
Diário de bordo, Porto, 19 de Novembro de 2007
Canção do dia: «No one» de Alicia Keys
Estação de metro da Trindade, 16 de Novembro de 2007
Voltei a ver os pardalecos na linha. Continuam a sua árdua e incansável tarefa. Saltitando, continuam à procura de migalhas deixadas pelos apressados andantes. Apenas notei uma diferença. Os tais pardalinhos estão agora mais gorditos.
Andante
Canção do dia: «No one» de Alicia Keys
Estação de metro da Trindade, 16 de Novembro de 2007
Voltei a ver os pardalecos na linha. Continuam a sua árdua e incansável tarefa. Saltitando, continuam à procura de migalhas deixadas pelos apressados andantes. Apenas notei uma diferença. Os tais pardalinhos estão agora mais gorditos.
Andante
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
"Era uma vez, uma grande família de dálmatas..."
Diário de Bordo, Vila do Conde, 24 de Outubro de 2007
Canção do dia: «Mi ma bo»-Sara Tavares
-"Era uma vez, uma grande família de dálmatas. A mãe Pepita, o pai Pongo e os seus 101 cachorrinhos. Todos eles eram muito unidos e faziam tudo juntos. Porém, havia sempre uma cadelinha que ficava sempre atrasada. O seu nome era Beatriz.
-Não era pai! O cachorrinho chamava-se Borboto!...
-Tá bem. O seu nome era Borboto. À tarde, e depois da sesta, os cachorrinhos adoravam ver as aventuras...
-As aventuras do Faísca.
-...as aventuras do Faísca, o cão herói. Quando Borboto chegou à sala já os outros cachorrinhos estavam a assistir à sua série preferida.
Borboto sempre sonhara ser como ele. Faísca era um cão que ajudava as pessoas.
-Mas ele vai ser como ele, ele no final da história vai salvar pessoas!
-Beatriz, se tiveres sempre a interromper não te leio a história.
-Desculpa pai.
-Onde é que eu ia? Ah... sim.O Faísca era um cão que ajudava as pessoas. Naquele dia, os cachorrinhos assistiam ao salvamento de um menino que se estava a afogar. Corajosamente, Faísca salta para a água e salva o menino. Os cãezinhos uivavam de alegria.
-Aaaaaaauuuuuuu..."
Já a caminho de Vila do Conde, a única carruagem ia completamente cheia.
-Sinhore! Amigo! Mánde abrir as portas que tá aqui um senhor c'a mão presa na porta desd'a Senhora d'Hora!...
-Ding dong...
-Vai-me desculpar, é possível abrir as portas que há um senhor que está com a mão presa?
-Mas precisa de ambulância?
-Precisa de ambulância? O senhor diz que não precisa de ambulância.
-Ok. Vou já abrir as portas.
-Olhe, afinal o senhor precisa de ambulância.
-Vou providenciar.
-Sente-se bem, precisa de alguma coisa?
-Beba água sinhore, beba água.
-Onde é que sai?
-Pedras Rubras.
-Vão estar dois funcionários da "Metro" à sua espera.
-Muito obrigado. Muito obrigado.
À chegada da estação de "Pedras Rubras".
-Tão ali os os sinhores. Olhe!... Olhe!... É este. (Dizia ela apontando e batendo no vidro.)
-Prontos. Já viu? O 'óme 'tava ali c'a mão apertada à cinc' estações e n'a dizia nada. Ond'é que já se viu?! Se em vez da mão fosse a cabeça, já sabíamos. Pois. S'ele tivesse ficado c'a cabeça presa p'lo menos oubiamo-lo a berrar!
Andante
Canção do dia: «Mi ma bo»-Sara Tavares
-"Era uma vez, uma grande família de dálmatas. A mãe Pepita, o pai Pongo e os seus 101 cachorrinhos. Todos eles eram muito unidos e faziam tudo juntos. Porém, havia sempre uma cadelinha que ficava sempre atrasada. O seu nome era Beatriz.
-Não era pai! O cachorrinho chamava-se Borboto!...
-Tá bem. O seu nome era Borboto. À tarde, e depois da sesta, os cachorrinhos adoravam ver as aventuras...
-As aventuras do Faísca.
-...as aventuras do Faísca, o cão herói. Quando Borboto chegou à sala já os outros cachorrinhos estavam a assistir à sua série preferida.
Borboto sempre sonhara ser como ele. Faísca era um cão que ajudava as pessoas.
-Mas ele vai ser como ele, ele no final da história vai salvar pessoas!
-Beatriz, se tiveres sempre a interromper não te leio a história.
-Desculpa pai.
-Onde é que eu ia? Ah... sim.O Faísca era um cão que ajudava as pessoas. Naquele dia, os cachorrinhos assistiam ao salvamento de um menino que se estava a afogar. Corajosamente, Faísca salta para a água e salva o menino. Os cãezinhos uivavam de alegria.
-Aaaaaaauuuuuuu..."
Já a caminho de Vila do Conde, a única carruagem ia completamente cheia.
-Sinhore! Amigo! Mánde abrir as portas que tá aqui um senhor c'a mão presa na porta desd'a Senhora d'Hora!...
-Ding dong...
-Vai-me desculpar, é possível abrir as portas que há um senhor que está com a mão presa?
-Mas precisa de ambulância?
-Precisa de ambulância? O senhor diz que não precisa de ambulância.
-Ok. Vou já abrir as portas.
-Olhe, afinal o senhor precisa de ambulância.
-Vou providenciar.
-Sente-se bem, precisa de alguma coisa?
-Beba água sinhore, beba água.
-Onde é que sai?
-Pedras Rubras.
-Vão estar dois funcionários da "Metro" à sua espera.
-Muito obrigado. Muito obrigado.
À chegada da estação de "Pedras Rubras".
-Tão ali os os sinhores. Olhe!... Olhe!... É este. (Dizia ela apontando e batendo no vidro.)
-Prontos. Já viu? O 'óme 'tava ali c'a mão apertada à cinc' estações e n'a dizia nada. Ond'é que já se viu?! Se em vez da mão fosse a cabeça, já sabíamos. Pois. S'ele tivesse ficado c'a cabeça presa p'lo menos oubiamo-lo a berrar!
Andante
sábado, 29 de setembro de 2007
Anjinho
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Outubro de 2007
Canção do dia: Super Mario Theme
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007, apanhei o metro no "Pólo Universitário" para vir pa Vila do Conde. Já no cheio metro para a Vila, entra uma família de negrinhos. A mãe senta o menino ao meu lado. A criança, tinha uma ar angelical. Disse-lhe olá. Ele, com vergonha, não respondeu.
-Mãe, dá-me o meu "GameBoy Advance"...
Paz d'alma...
Até que...
-Quase!
-Grande salto!
-Só tenho 11, não 10! (vidas)
-Que sorte...
-Perco sempre aqui!
-Tou quase a passar o nível todo!
-O nível a seguir é o do fogo!
-Tá quase.
-Hi...impossível. Eu saltei para o outro lado!
-Vou apanhar-te!
-Tenho de apanhar...tenho de apanhar...
-Anda "Super Mário"!
-Salta!
-Consegui.
-Eu tinha conseguido...fogo!
-Yes...
-Yes...yes...yes...
-Ganhei! Até que enfim...
-Este nível é um bocadinho difícil.
-Perdi.
De repente bate três vezes com o gameboy na testa e retoma o jogo outra vez.
-Granda finta!
-Tenho de passar.
-Este horrivel monstro...
-Fogo...não consigo saltar...
-Já está!
-Tou a gastar tanto tempo...
-Ah...até que enfim.Acho bem...
-Oh...
-Apanhei mais um. E... apanhei-te!
-Tenho uma sorte...
-16 vidas!!!
-Já passei tudo?! Isto é tão complicado...
-Oh não...falhou.
-Oh...
-Hum...
Entratanto...
Dim..dom...
Próxima paragem Vila do Conde.
Game Over
Andante
Canção do dia: Super Mario Theme
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007, apanhei o metro no "Pólo Universitário" para vir pa Vila do Conde. Já no cheio metro para a Vila, entra uma família de negrinhos. A mãe senta o menino ao meu lado. A criança, tinha uma ar angelical. Disse-lhe olá. Ele, com vergonha, não respondeu.
-Mãe, dá-me o meu "GameBoy Advance"...
Paz d'alma...
Até que...
-Quase!
-Grande salto!
-Só tenho 11, não 10! (vidas)
-Que sorte...
-Perco sempre aqui!
-Tou quase a passar o nível todo!
-O nível a seguir é o do fogo!
-Tá quase.
-Hi...impossível. Eu saltei para o outro lado!
-Vou apanhar-te!
-Tenho de apanhar...tenho de apanhar...
-Anda "Super Mário"!
-Salta!
-Consegui.
-Eu tinha conseguido...fogo!
-Yes...
-Yes...yes...yes...
-Ganhei! Até que enfim...
-Este nível é um bocadinho difícil.
-Perdi.
De repente bate três vezes com o gameboy na testa e retoma o jogo outra vez.
-Granda finta!
-Tenho de passar.
-Este horrivel monstro...
-Fogo...não consigo saltar...
-Já está!
-Tou a gastar tanto tempo...
-Ah...até que enfim.Acho bem...
-Oh...
-Apanhei mais um. E... apanhei-te!
-Tenho uma sorte...
-16 vidas!!!
-Já passei tudo?! Isto é tão complicado...
-Oh não...falhou.
-Oh...
-Hum...
Entratanto...
Dim..dom...
Próxima paragem Vila do Conde.
Game Over
Andante
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Uma menina trapezista, um viajante malabarista, acrobacias intimistas, personagens voadoras e...
Diário de Bordo, Vila do Conde, 17 de Setembro de 2007
Canção do dia:«Barquinho da Esperança»-Sara Tavares
Canção do dia:«Barquinho da Esperança»-Sara Tavares
Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007, apanhámos o metro em "Vila do Conde" com destino ao "Bolhão". Na praça D. João I esperávam-nos o resto dos artistas. Às 22:00h iríamos actuar no Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) pela "Corda Bamba"...
O nervosismo era muito e todos sentíamos borboletas a esvoaçarem na barriga. Já faltava pouco para o espectáculo começar.
Noite, sonho: o piano toca, uma menina anda de baloiço. Balança e voa.
Personagens surgem e levam-na numa noite imaginária. A teia colocada na praça ganha vida, movimento. Há balanço, equilíbrio, saltos, dança, curiosidade. Um viajante surge. Inspirado por aquilo que encontra, começa a jogar. Na sua simplicidade, brinca. Objectos ganham vida. A menina observa.
Um barco de papel de jornal solta as amarras. Enquanto navega grandes e pequenas ondas, rodopia e volta a ancorar.
Da trama de ferro emerge um casal. Intimidade. Cumplicidade. Entre olhares e afectos surgem figuras acrobáticas. A arpa e o vibrafone ecoam.
Volta o viandante. A tinta escorre. Com as bolas, escreve arcos, linhas, curvas e oscilações.
De cima do seu ninho metálico surgem vultos voadores. Entre saltos e ressaltos voltam ao abrigo. Saltarinham e saltitam. Rodeiam, volteiam, giram e circundam sobre si próprios.
O sonho acaba... a menina acorda.
Os aplausos soam, o espectáculo acabou...
Uma menina trapezista, um viajante malabarista, acrobacias intimistas, personagens voadoras e...
Andante
terça-feira, 26 de junho de 2007
Serenata
Diário de Bordo, Vila do Conde, 26 de Junho de 2007
Canção do dia: «J' y Suis Jamais Allé» in Amélie
Tarde, 6 de Abril de 2007, apanho o metro na estação de Vila do Conde. Mais um dia, mais uma viagem. Seria tudo igual não fosse a data, não fosse a tradição. 6 de Abril de 2007. A minha primeira Serenata académica.
Em busca do desconhecido, e guiando-me pelas palavras de outros, parto para o Porto, com a finalidade de participar no mais belo evento da Queima do Porto. Envergando de preto. Junto-me a iguais. As carruagens enchem-se de negro. Ouve-se falar de tradição, de costumes e de indumentárias. Doutores mais velho ensinam caloiros a dobrar a capa. Trajar é para muitos um orgulho. Um símbolo de tudo aquilo que lutaram para atingir o ensino superior. Para outros, o entusiasmo de ser estudante do Porto.
Chegando ao Porto. Na estação os amigos esperam. Trajados pela primeira vez. Adquirímos consciência que somos universitários.
Deambulam pelo burgo antigo. Personagens escuras esvoaçam. Parecem pegas. Aves negras com as pontas das asas e pescoço branco.
Anoitece. A luz foge. As capas fecham, o branco tapa-se. As pegas transformam-se em morcegos.
Por toda a cidade, e depois de jantares académicos, vultos dirigem-se para o mesmo local.
Meia-noite. Atmosféria mágica. Com os Clérigos como fundo traçam-se capas. Abraçam-se padrinhos e amigos. A emoção confunde-se com as notas e acordes que dançam e se perdem no luar.
Andante
Canção do dia: «J' y Suis Jamais Allé» in Amélie
Tarde, 6 de Abril de 2007, apanho o metro na estação de Vila do Conde. Mais um dia, mais uma viagem. Seria tudo igual não fosse a data, não fosse a tradição. 6 de Abril de 2007. A minha primeira Serenata académica.
Em busca do desconhecido, e guiando-me pelas palavras de outros, parto para o Porto, com a finalidade de participar no mais belo evento da Queima do Porto. Envergando de preto. Junto-me a iguais. As carruagens enchem-se de negro. Ouve-se falar de tradição, de costumes e de indumentárias. Doutores mais velho ensinam caloiros a dobrar a capa. Trajar é para muitos um orgulho. Um símbolo de tudo aquilo que lutaram para atingir o ensino superior. Para outros, o entusiasmo de ser estudante do Porto.
Chegando ao Porto. Na estação os amigos esperam. Trajados pela primeira vez. Adquirímos consciência que somos universitários.
Deambulam pelo burgo antigo. Personagens escuras esvoaçam. Parecem pegas. Aves negras com as pontas das asas e pescoço branco.
Anoitece. A luz foge. As capas fecham, o branco tapa-se. As pegas transformam-se em morcegos.
Por toda a cidade, e depois de jantares académicos, vultos dirigem-se para o mesmo local.
Meia-noite. Atmosféria mágica. Com os Clérigos como fundo traçam-se capas. Abraçam-se padrinhos e amigos. A emoção confunde-se com as notas e acordes que dançam e se perdem no luar.
Andante
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Assalto
Diário de bordo, 11 de Maio de 2007, Porto
Canção do dia: «Alegria» in Alegria (Cirque du Soleil)
Segunda-feira, 7 de Maio de 2007, acordei e apanhei o expresso para o Pólo universitário. No metro encontrei uma amiga e colega de turma que também é uma andante usual. Tínhamos frequência nesse dia. Na Trindade validei o cartão. Sentámo-nos nos bancos da estação à espera do metro. Pousei os livros no colo e a bolsa ao meu lado. Chegadas ao Pólo, e já no cimo das escadas rolantes, dei pela falta da carteira. O que iria fazer? Estava sem dinheiro e sem telemóvel. Desci as escadas rolantes. Questionei um dos condutores do metro sobre o que deveria fazer. Ele acionou o mecanismo metro SOS e falou com o senhor. O metro dele chegou, foi-se embora e deixou-me a falar com o senhor da linha. Não me deram indicações sobre o que tinha de fazer. Um segurança que estava a ouvir a conversa ajudou-me. Contactou os seus colegas questionando-os se teriam encontrado alguma bolsa. A resposta foi negativa. Deu-me um número de telefone para o qual poderia ligar para perguntar pelos meus pertences. Nada. Ninguém tinha encontrado nada. Interroguei a senhora que me atendeu relativamente ao meu regresso para Vila do Conde ao final da tarde, já que estava sem o andante e sem dinheiro, para comprar um novo título. Respondeu-me que a Metro do Porto não se podia responsibilizar por isso. Resumindo: tinha perdido a carteira ou sido assaltada, estava sem dinheiro para almoçar e para voltar para casa e tinha frequência em menos de uma hora. O que iria fazer? Dirigi-me à faculdade. Já não fui à primeira aula visto já estar tão atrasada. Retomei ao dia-a-dia. Ao longo deste fui recordando o que tinha enfiado apressadamente na mala essa manhã: telemóvel, carteira, agenda, máquina de calcular, garrafa de água, lanche e lenços de papel. A ideia de nunca mais ver os meus pertences começava a assustar-me. Os meus amigos emprestáram-me dinheiro e meti-me no metro para casa. No caminho dirigi-me à Trindade para pedir informações. Disseram-me que a única Loja Andante que recolhia perdidos e achados era a da estação de Pedras Rubras. Dirigi-me a essa estação, dei os meus dados e rezei para que me dissessem algo nos dias seguintes. Já em casa voltei a ligar para o meu telemóvel. Atendeu-me uma Andreia, estudante no S. João. Disse-me que tinha encontrado o telemóvel e a carteira aí perto. Que descanso... Combinou deixar os meus pertences no centro comercial Campus. Pedi ao meu pai bolei e retornei ao Porto.
A carteira estava lá. Que felicidade!!!
À noite, verifiquei novamente se tinha tudo na carteira. Estava tudo lá excepto o montante da semana. Contudo, estranhamente concluí que para além desse dinheiro, o ladrão tínha-me roubado uma sande de queijo e um sumo "Bongo" de frutos tropicais. Será que se tivesse levado um lanche mais elaborado a minha carteira teria permanecido intacta?
Andante
Canção do dia: «Alegria» in Alegria (Cirque du Soleil)
Segunda-feira, 7 de Maio de 2007, acordei e apanhei o expresso para o Pólo universitário. No metro encontrei uma amiga e colega de turma que também é uma andante usual. Tínhamos frequência nesse dia. Na Trindade validei o cartão. Sentámo-nos nos bancos da estação à espera do metro. Pousei os livros no colo e a bolsa ao meu lado. Chegadas ao Pólo, e já no cimo das escadas rolantes, dei pela falta da carteira. O que iria fazer? Estava sem dinheiro e sem telemóvel. Desci as escadas rolantes. Questionei um dos condutores do metro sobre o que deveria fazer. Ele acionou o mecanismo metro SOS e falou com o senhor. O metro dele chegou, foi-se embora e deixou-me a falar com o senhor da linha. Não me deram indicações sobre o que tinha de fazer. Um segurança que estava a ouvir a conversa ajudou-me. Contactou os seus colegas questionando-os se teriam encontrado alguma bolsa. A resposta foi negativa. Deu-me um número de telefone para o qual poderia ligar para perguntar pelos meus pertences. Nada. Ninguém tinha encontrado nada. Interroguei a senhora que me atendeu relativamente ao meu regresso para Vila do Conde ao final da tarde, já que estava sem o andante e sem dinheiro, para comprar um novo título. Respondeu-me que a Metro do Porto não se podia responsibilizar por isso. Resumindo: tinha perdido a carteira ou sido assaltada, estava sem dinheiro para almoçar e para voltar para casa e tinha frequência em menos de uma hora. O que iria fazer? Dirigi-me à faculdade. Já não fui à primeira aula visto já estar tão atrasada. Retomei ao dia-a-dia. Ao longo deste fui recordando o que tinha enfiado apressadamente na mala essa manhã: telemóvel, carteira, agenda, máquina de calcular, garrafa de água, lanche e lenços de papel. A ideia de nunca mais ver os meus pertences começava a assustar-me. Os meus amigos emprestáram-me dinheiro e meti-me no metro para casa. No caminho dirigi-me à Trindade para pedir informações. Disseram-me que a única Loja Andante que recolhia perdidos e achados era a da estação de Pedras Rubras. Dirigi-me a essa estação, dei os meus dados e rezei para que me dissessem algo nos dias seguintes. Já em casa voltei a ligar para o meu telemóvel. Atendeu-me uma Andreia, estudante no S. João. Disse-me que tinha encontrado o telemóvel e a carteira aí perto. Que descanso... Combinou deixar os meus pertences no centro comercial Campus. Pedi ao meu pai bolei e retornei ao Porto.
A carteira estava lá. Que felicidade!!!
À noite, verifiquei novamente se tinha tudo na carteira. Estava tudo lá excepto o montante da semana. Contudo, estranhamente concluí que para além desse dinheiro, o ladrão tínha-me roubado uma sande de queijo e um sumo "Bongo" de frutos tropicais. Será que se tivesse levado um lanche mais elaborado a minha carteira teria permanecido intacta?
Andante
terça-feira, 24 de abril de 2007
Pardais
Diário de Bordo, Vila do Conde, 24 de Abril de 2007
Canção do dia: «A Thousand Miles»-Vanessa Carlton
Adoro pardais. Adoro os seus saltitos e a sua humildade. Adoro vê-los a agitar as penitas e a moverem-se energicamente de árvore em árvore. Adoro o seu esvoaçar e o seu olhar sempre simpático. Adoro todos os habilidosos lápis de cor que os pintaram com todos os possíveis tons de castanho. Adoro observá-los durante horas e horas.
Na estação da Trindade há um corajoso pardalito que prende a atenção de todos. Vagueia pelas linhas e pelos passeios. Procura migalhas deixadas pelos apressados. Chega mesmo a aproximar-se dos trauseantes, não fugindo. Quando o metro chega ele salta para outro carril, continuando a sua frenética e contínua tarefa. Os olhos esvoaçam deliciados com o pardaleco.
Na espera pelo meu metro, comprei um donuts. Não vi o pardalito mas, propositadamente, migalhas do meu bolo caíram ao chão.
Andante
Canção do dia: «A Thousand Miles»-Vanessa Carlton
Adoro pardais. Adoro os seus saltitos e a sua humildade. Adoro vê-los a agitar as penitas e a moverem-se energicamente de árvore em árvore. Adoro o seu esvoaçar e o seu olhar sempre simpático. Adoro todos os habilidosos lápis de cor que os pintaram com todos os possíveis tons de castanho. Adoro observá-los durante horas e horas.
Na estação da Trindade há um corajoso pardalito que prende a atenção de todos. Vagueia pelas linhas e pelos passeios. Procura migalhas deixadas pelos apressados. Chega mesmo a aproximar-se dos trauseantes, não fugindo. Quando o metro chega ele salta para outro carril, continuando a sua frenética e contínua tarefa. Os olhos esvoaçam deliciados com o pardaleco.
Na espera pelo meu metro, comprei um donuts. Não vi o pardalito mas, propositadamente, migalhas do meu bolo caíram ao chão.
Andante
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Nevoeiro
Diário de Bordo, Vila do Conde, 23 de Abril de 2007
Canção do Dia: «Aureus» in Varekai (Cirque du Soleil)
Abri os olhos ensonados, ouvi o silêncio como tanto gosto. Passado pouco tempo a minha mãe suavemente abriu a porta do meu quarto e dando-me um terno beijo segredou-me:
-Já estás acordada? Posso abrir a persiana?
Quem me dera ficar a dormir mais um bocadinho; a sentir a almofada; a olhar para o tecto. Prometi a mim mesma que compensaria o sono durante a viagem.
O céu estava esquisito: não estava sol nem chuva. Arrisquei. Calcei as sandálias e a minha mãe levou-me ao metro.
Apanhei o habitual expresso, à habitual hora, da habitual ensonada segunda-feira.
Entrei e sentei-me. Com o balancear das carruagens o sono voltou. De repente deparo-me com um dos meus quadros favoritos: o nevoeiro. Há zonas em que a linha sobe sobre a linha das casas e das árvores. O manto branco roça a erva acabando por lá descansar. A paisagem torna-se névoa dispersa, calma, mágica, difusa; como num sonho, como numa miragem. Apenas se vê o verde do cume das árvores emergir por tão belas ondas. O sol aparece como pequena bola de fogo. A paisagem é linda. Dormir parecia agora um pecado.
Andante
Canção do Dia: «Aureus» in Varekai (Cirque du Soleil)
Abri os olhos ensonados, ouvi o silêncio como tanto gosto. Passado pouco tempo a minha mãe suavemente abriu a porta do meu quarto e dando-me um terno beijo segredou-me:
-Já estás acordada? Posso abrir a persiana?
Quem me dera ficar a dormir mais um bocadinho; a sentir a almofada; a olhar para o tecto. Prometi a mim mesma que compensaria o sono durante a viagem.
O céu estava esquisito: não estava sol nem chuva. Arrisquei. Calcei as sandálias e a minha mãe levou-me ao metro.
Apanhei o habitual expresso, à habitual hora, da habitual ensonada segunda-feira.
Entrei e sentei-me. Com o balancear das carruagens o sono voltou. De repente deparo-me com um dos meus quadros favoritos: o nevoeiro. Há zonas em que a linha sobe sobre a linha das casas e das árvores. O manto branco roça a erva acabando por lá descansar. A paisagem torna-se névoa dispersa, calma, mágica, difusa; como num sonho, como numa miragem. Apenas se vê o verde do cume das árvores emergir por tão belas ondas. O sol aparece como pequena bola de fogo. A paisagem é linda. Dormir parecia agora um pecado.
Andante
sábado, 7 de abril de 2007
Concurso televisivo
Diário de Bordo, Algarve, 7 de Abril de 2007
Canção do Dia: «Masquerade» in The Phantom of The Opera-Andrew Lloyd Webber
Esta história passou-se nas férias de Verão do passado ano aquando de uma viagem até ao Bolhão para um treino de B-Girling.
Estava sol. Eu e uma amiga íamos treinar para o Porto. Apanhámos o metro normal do início da tarde na Estação de Vila do Conde. Sentamo-nos nos assentos de quatro lugares do centro da carruagem. A fazer-nos companhia, e do lado oposto ao nosso, encontrava-se um avô com o seu neto. O neto era louro, usava óculos, e tinha ar de inteligente. Devia ter uns 8 anitos. O avô estava descontraído e parecia contente por estar a tomar conta do neto. Eu e a minha colega falávamos sobre trivialidades: das férias, das aulas, dos amigos, da dança. O avô e o neto conversavam também. De quando a quando o neto levantava-se. Era uma viagem de metro igual a tantas outras que já tínhamos feito. Perto de Modivas o menino começou a meter conversa: -Olá! Como te chamas? Eu disse-lhe o meu nome. -E tu, como te chamas? A minha amiga disse que se chamava Raquel, um nome que não era o dela. -Para onde é que vocês vão? -Nós vamos para o Bolhão, e tu? Respondi-lhe eu. -Querem jogar um jogo? Questionou-nos o puto. Eu e a "Raquel" entreolhámo-nos. -Pode ser, respondi-lhe eu. -Então vamos fazer assim: eu sou o apresentador e vocês são os concorrentes, pode ser? Nós acenamos com a cabeça.
-Concorrente número 1: Qual a linha mais longa? Hipótese A: A vermelha; hipótese B, a amarela; hipótese C, a verde? Respondi-lhe a linha vermelha. -Qual acha que será a resposta correcta, concorrente número 2? A "Raquel", que estava com pouca paciência para o jogo, optou pela resposta B. -Concorrente número 1, acertou. Dois pontos para a concorrente número 1. Bem, o apresentador de televisão continuou a fazer-nos perguntas sobre as linhas, sobre as cores destas, sobre as durações das viagens, etc. Eu e a "Raquel" já só víamos a hora de chegar ao Bolhão.
Entretanto o apresentador passou para a segunda parte do programa televisivo. -A partir de agora as respostas serão por tempo. Tem um relógio? Eu tinha um relógio e, com esperança que o concurso acabásse, lá comecei a cronometrar as respostas da minha companheira de concurso. -Responda "Raquel", responda! O tempo está a esgotar-se! Rápido "Raquel"! Acabou o tempo. A concorrente número 2 não respondeu a tempo. Um ponto negativo para a concorrente número 2.
O babado avô limitava-se a um sorriso bonacheirão. Finalmente chegou o fim do concurso.
-Avô, dá um prémio à concorrente número 1.
Anda lá avô! Mais tarde, o ex-apresentador pediu-nos em namoro. O pedido desagradou à "Raquel", que já estava cansada de todo aquele concurso. O rapaz dirige-se para mim. Pega-me na mão e pede-me em casamento.
"Tim tom"...
... Próxima paragem Bolhão...
... Next stop Bolhão...
Andante
Canção do Dia: «Masquerade» in The Phantom of The Opera-Andrew Lloyd Webber
Esta história passou-se nas férias de Verão do passado ano aquando de uma viagem até ao Bolhão para um treino de B-Girling.
Estava sol. Eu e uma amiga íamos treinar para o Porto. Apanhámos o metro normal do início da tarde na Estação de Vila do Conde. Sentamo-nos nos assentos de quatro lugares do centro da carruagem. A fazer-nos companhia, e do lado oposto ao nosso, encontrava-se um avô com o seu neto. O neto era louro, usava óculos, e tinha ar de inteligente. Devia ter uns 8 anitos. O avô estava descontraído e parecia contente por estar a tomar conta do neto. Eu e a minha colega falávamos sobre trivialidades: das férias, das aulas, dos amigos, da dança. O avô e o neto conversavam também. De quando a quando o neto levantava-se. Era uma viagem de metro igual a tantas outras que já tínhamos feito. Perto de Modivas o menino começou a meter conversa: -Olá! Como te chamas? Eu disse-lhe o meu nome. -E tu, como te chamas? A minha amiga disse que se chamava Raquel, um nome que não era o dela. -Para onde é que vocês vão? -Nós vamos para o Bolhão, e tu? Respondi-lhe eu. -Querem jogar um jogo? Questionou-nos o puto. Eu e a "Raquel" entreolhámo-nos. -Pode ser, respondi-lhe eu. -Então vamos fazer assim: eu sou o apresentador e vocês são os concorrentes, pode ser? Nós acenamos com a cabeça.
-Concorrente número 1: Qual a linha mais longa? Hipótese A: A vermelha; hipótese B, a amarela; hipótese C, a verde? Respondi-lhe a linha vermelha. -Qual acha que será a resposta correcta, concorrente número 2? A "Raquel", que estava com pouca paciência para o jogo, optou pela resposta B. -Concorrente número 1, acertou. Dois pontos para a concorrente número 1. Bem, o apresentador de televisão continuou a fazer-nos perguntas sobre as linhas, sobre as cores destas, sobre as durações das viagens, etc. Eu e a "Raquel" já só víamos a hora de chegar ao Bolhão.
Entretanto o apresentador passou para a segunda parte do programa televisivo. -A partir de agora as respostas serão por tempo. Tem um relógio? Eu tinha um relógio e, com esperança que o concurso acabásse, lá comecei a cronometrar as respostas da minha companheira de concurso. -Responda "Raquel", responda! O tempo está a esgotar-se! Rápido "Raquel"! Acabou o tempo. A concorrente número 2 não respondeu a tempo. Um ponto negativo para a concorrente número 2.
O babado avô limitava-se a um sorriso bonacheirão. Finalmente chegou o fim do concurso.
-Avô, dá um prémio à concorrente número 1.
Anda lá avô! Mais tarde, o ex-apresentador pediu-nos em namoro. O pedido desagradou à "Raquel", que já estava cansada de todo aquele concurso. O rapaz dirige-se para mim. Pega-me na mão e pede-me em casamento.
"Tim tom"...
... Próxima paragem Bolhão...
... Next stop Bolhão...
Andante
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quinta-feira, 5 de abril de 2007
Férias
Diário de Bordo, Algarve, 5 de Abril de 2007
Canção do dia: «Last Home Train» Pat Metheny
Estou de férias, não tenho de acordar todos os dias ás 6,10h para apanhar o expresso das 6,57h. Não desligo o despertador. Fico mais cinco minutos na cama. Não visto a primeira coisa que me aparece no armário. Não tomo o pequeno-almoço a correr. Não saio do carro velozmente. Não vejo rostos ensonados, nem olhos fechados. Não vejo pressa, nem o stress de chegar a horas ao trabalho. Não vejo correrias, nem andantes. Não ouço a menina que repetitivamente nos comunica a próxima paragem. Não encontro "picas" nem aqueles que deles fogem. Não observo seguranças nem pés em cima dos assentos. Não reencontro olhares conhecidos. A paisagem não passa por mim. Estou de férias. Dentro de uma semana tudo voltará ao normal. O tempo passará mais rápido... O tempo voltará a andar sobre carris.
Andante

Canção do dia: «Last Home Train» Pat Metheny
Estou de férias, não tenho de acordar todos os dias ás 6,10h para apanhar o expresso das 6,57h. Não desligo o despertador. Fico mais cinco minutos na cama. Não visto a primeira coisa que me aparece no armário. Não tomo o pequeno-almoço a correr. Não saio do carro velozmente. Não vejo rostos ensonados, nem olhos fechados. Não vejo pressa, nem o stress de chegar a horas ao trabalho. Não vejo correrias, nem andantes. Não ouço a menina que repetitivamente nos comunica a próxima paragem. Não encontro "picas" nem aqueles que deles fogem. Não observo seguranças nem pés em cima dos assentos. Não reencontro olhares conhecidos. A paisagem não passa por mim. Estou de férias. Dentro de uma semana tudo voltará ao normal. O tempo passará mais rápido... O tempo voltará a andar sobre carris.
Andante
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