Diário de Bordo, Vila do Conde, 21 de Julho de 2009
Canção do Dia: «Help» The Beatles
Era um daqueles dias cinzentos. Cinzentos de tempo e cinzentos de cabeça. Com mau tempo dentro e fora de casa. Não apetece fazer mesmo nada! Ficamos pachorrentos, remelados. Entre o sofá e a internet fica por fazer a meia dúzia de coisas em falta. A preguiça prevalece.
A mana desafiou-me...
Nada melhor no pensamento e no apetite...
Fomos ao cinema.
Depois de uma simpática boleia da mommy até ao metro, seguimos viagem até ao Norteshoping onde o Harry Potter nos aguardava.
Terminado o filme a viagem de regresso esperáva-nos.
Enquanto nos descolávamos das pipocas da roupa íamos dando o habitual gozo uma à outra.
Até que...a minha irmã decide fazer greve de fala para me chatear.
E tive de vir os 20 minutos seguintes a tentar fazê-la falar. Nada. Vim o resto da viagem como que sozinha.
Enfim...
...que desespero.
Andante
terça-feira, 21 de Julho de 2009
sábado, 18 de Julho de 2009
Aquática
Diário de Bordo, Vila do Conde, 18 de Julho de 2009
Canção do Dia: «Zé do Caroço» Seu Jorge
"[...] Aos seus pés estava uma poça de água calma e límpida. No seu interior a vida agitava-se num outro mundo de cores e formas.
Quando era criança, a avó costumava passear por aquela praia com ela - ou com ela e Andrew. Haviam estudado as poças de água, mas não como numa aula. Não, haviam-se agachado e observado as poças apenas pelo prazer de o fazer. Haviam rido quando o que parecia tratar-se de uma rocha lhe esguichava incomodada.
Pequenos mundos, chamara-lhes a avó. Cheios de paixão, sexo, violência e política - e frequentemente mais sensíveis do que a vida que existe na parte seca do planeta. [...]"
(em «A Dama Negra» de Nora Roberts)
Andante
Canção do Dia: «Zé do Caroço» Seu Jorge
"[...] Aos seus pés estava uma poça de água calma e límpida. No seu interior a vida agitava-se num outro mundo de cores e formas.
Quando era criança, a avó costumava passear por aquela praia com ela - ou com ela e Andrew. Haviam estudado as poças de água, mas não como numa aula. Não, haviam-se agachado e observado as poças apenas pelo prazer de o fazer. Haviam rido quando o que parecia tratar-se de uma rocha lhe esguichava incomodada.
Pequenos mundos, chamara-lhes a avó. Cheios de paixão, sexo, violência e política - e frequentemente mais sensíveis do que a vida que existe na parte seca do planeta. [...]"
(em «A Dama Negra» de Nora Roberts)
Andante
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Ja chegamos?
Diário de Bordo, Vila do Conde, 16 de Julho de 2009
Canção do Dia: «Desabafo» Marcelo D2
Os berros de duas irmãs extremamente irrequietas marcaram a viagem. Ambas pequenas vestidas de branco e de pequenas unhas pintadas de rosa. Peguinhavam uma com a outra. Perguntavam incansavelmente:
-Já chegamos?
-E agora, já chegamos?
-Mãe... Já chegamos?
-Só chegamos depois de passar a noite (túnel).
-Já passamos uma noite e ainda não chegamos!
-Mas temos de passar uma noite mais comprida, não é mãe?
Chorava copiosamente.
-Eu não quero estar aqui parada!
Só queria chegar ao destino.
Andante
Canção do Dia: «Desabafo» Marcelo D2
Os berros de duas irmãs extremamente irrequietas marcaram a viagem. Ambas pequenas vestidas de branco e de pequenas unhas pintadas de rosa. Peguinhavam uma com a outra. Perguntavam incansavelmente:
-Já chegamos?
-E agora, já chegamos?
-Mãe... Já chegamos?
-Só chegamos depois de passar a noite (túnel).
-Já passamos uma noite e ainda não chegamos!
-Mas temos de passar uma noite mais comprida, não é mãe?
Chorava copiosamente.
-Eu não quero estar aqui parada!
Só queria chegar ao destino.
Andante
sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Gira vento...
Diário de Bordo, Vila do Conde, 12 de Junho de 2009
Canção do Dia: «Elephant Gun» Beirut
Gira vento...
Gira vento...
Andante
Canção do Dia: «Elephant Gun» Beirut
Gira vento...
Gira vento...
Andante
segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Férias
Diário de Bordo, Vila do Conde, 8 de Junho de 2009
Canção do Dia: «Saia da Carolina» Uxukalhus
Estou finalmente de férias. Saíram os resultados dos dois exames que me faltavam fazer.
Agora sim, cheira a maresia.
Andante
Canção do Dia: «Saia da Carolina» Uxukalhus
Estou finalmente de férias. Saíram os resultados dos dois exames que me faltavam fazer.
Agora sim, cheira a maresia.
Andante
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Que lindeza!
Diário de Bordo, Vila do Conde, 03 de Junho de 2009
Diário de Bordo: «A Gaivota» Amália Hoje
Sentia a falta desesperada de um livro. Não tinha nada para me distrair na viagem e não conseguia dormir.
Entra um par com um cão pequenico enroscado numa mantinha. Entre festinhas, a atenção de todos é desviada.
-Oh! Que fofinho!
-Olha que lindo!
-Olhó bichinho! Que lindeza!
-É tão pequenino!Como se chama?...
Teve a viagem toda em silêncio e revelou-se um grande apreciador de Nestum.
Andante
Diário de Bordo: «A Gaivota» Amália Hoje
Sentia a falta desesperada de um livro. Não tinha nada para me distrair na viagem e não conseguia dormir.
Entra um par com um cão pequenico enroscado numa mantinha. Entre festinhas, a atenção de todos é desviada.
-Oh! Que fofinho!
-Olha que lindo!
-Olhó bichinho! Que lindeza!
-É tão pequenino!Como se chama?...
Teve a viagem toda em silêncio e revelou-se um grande apreciador de Nestum.
Andante
terça-feira, 2 de Junho de 2009
Após exame
Diário de Bordo, Vila do Conde, 02 de Junho de 2009
Canção do Dia: «Putos a Roubar Maçãs» Dead Combo
Acabado o exame, entro na carruagem. À minha frente está uma negrona linda. Mulher já de idade, tem na cara as rugas que a caracterizam. O vermelho e rosa de sua roupa e turbante contrastam com a sua pele de ébano. Viro páginas de apontamentos apontando as já repensadas perguntas. As suas mãos, decoradas com reluzentes anéis, prescrutam os múltiplos sacos que traz consigo ao longo de seguidas estações. Procura algo incansavelmente. Acaba por sair em Pedras Rubras, onde um casal com um simpático bebé lhe sucede.
-"Tem umas tilhas iguaisás minhas, mã". Apontando.
-São filho! As sapatilhas da menina são iguais às tuas. Ele já estava à muito tempo a olhar para baixo. Diz, sorrindo.
Mostro-lhe as minhas all stars pretas com os cordões especialmente entrelaçados.
-Pois são já viste?!
Andante
Canção do Dia: «Putos a Roubar Maçãs» Dead Combo
Acabado o exame, entro na carruagem. À minha frente está uma negrona linda. Mulher já de idade, tem na cara as rugas que a caracterizam. O vermelho e rosa de sua roupa e turbante contrastam com a sua pele de ébano. Viro páginas de apontamentos apontando as já repensadas perguntas. As suas mãos, decoradas com reluzentes anéis, prescrutam os múltiplos sacos que traz consigo ao longo de seguidas estações. Procura algo incansavelmente. Acaba por sair em Pedras Rubras, onde um casal com um simpático bebé lhe sucede.
-"Tem umas tilhas iguaisás minhas, mã". Apontando.
-São filho! As sapatilhas da menina são iguais às tuas. Ele já estava à muito tempo a olhar para baixo. Diz, sorrindo.
Mostro-lhe as minhas all stars pretas com os cordões especialmente entrelaçados.
-Pois são já viste?!
Andante
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quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Catarinas
Diário de Bordo, Vila do Conde, 14 de Maio de 2009
Canção do Dia: «When I grow up» Fever Ray
-Qual é a nossa estação mãe?
-Sete Bicas.
-E a estação da festa, mãe? Qual é? Qual é?
-Senhora da Hora, será?!
-Vamos à festa mãe! Vá lá! Vá lá!
-Só no fim-de-semana.
-E a Senhora vai à festa? Pergunta à senhora sentada à sua frente.
-Eu não. Hoje não, só no fim-de-semana também. E tem filhos para levar?
-Não. Não tenho filhos.
-E o Senhor? O Senhor vai à festa hoje? Tem filhos?
-Tenho três filhos e vou levá-los no sábado.
-Só no sábado como eu. E levas todos?! É porque moram juntos?
-Sim.
-Ah! Tá bem! E como se chamam os teus filhos?
-Catarina, João e Mariana.
-Catarina?! É como eu! Ah... E que idade é que a tua Catarina tem?
-Tem 7.
-Como eu! E em que dia nasceu a tua Catarina?
-29 de Abril.
-29? A sério! Eu faço a 28! Só que não é de Abril!
-Só faltava andarmos na mesma escola!
...
-É a mesma que a minha! Se calhar conheço. Qual é o último nome dela?
-Ana Catarina Ferreira.
-É a Catarina do 2º ano mãe! Conheço perfeitamente!
-Ela costuma brincar com as meninas do 2º ano. Explica a mãe.
-E a Catarina porta-se bem?
-Porta-se. A Catarina do 2º ano porta-se mesmo bem, é o que eu penso.
-Tás a falar a sério, ou só a ser simpática.
-Tou a falar a sério. Se ela se portasse mal eu dizia-te.
Entram os "picas".
-O seu cartão, por favor.
-Tome.
-Obrigada.
-De nada. Obrigada eu. (Num despacho tremendo.)
-Já viram os cartões de toda a gente mãe?
-Já.
-E agora? Vão para casa jantar?
-Sim filha, agora vão para casa jantar.
...
-Os manos da tua Catarina que idade têm?
-6 e 12.
-Está na infantil? Vai agora para o primeiro ano? No mesmo colégio? Pergunta a mãe.
-Sim sim, exacto.
(Sete Bicas)
-Anda Catarina, já chegamos.
-Xau pai da Catarina Ferreira. Manda-lhe um beijinho e diz-lhe que a Maria Silva não tem de tomar conta dela nos intervalos, ela tem de se safar sozinha ok? Já é crescidinha. Não te esqueças do meu nome, sim?
-Ok.
-Adeus pai da Ana Catarina do 2º ano.
-Adeus Catarina.
Andante
Canção do Dia: «When I grow up» Fever Ray
-Qual é a nossa estação mãe?
-Sete Bicas.
-E a estação da festa, mãe? Qual é? Qual é?
-Senhora da Hora, será?!
-Vamos à festa mãe! Vá lá! Vá lá!
-Só no fim-de-semana.
-E a Senhora vai à festa? Pergunta à senhora sentada à sua frente.
-Eu não. Hoje não, só no fim-de-semana também. E tem filhos para levar?
-Não. Não tenho filhos.
-E o Senhor? O Senhor vai à festa hoje? Tem filhos?
-Tenho três filhos e vou levá-los no sábado.
-Só no sábado como eu. E levas todos?! É porque moram juntos?
-Sim.
-Ah! Tá bem! E como se chamam os teus filhos?
-Catarina, João e Mariana.
-Catarina?! É como eu! Ah... E que idade é que a tua Catarina tem?
-Tem 7.
-Como eu! E em que dia nasceu a tua Catarina?
-29 de Abril.
-29? A sério! Eu faço a 28! Só que não é de Abril!
-Só faltava andarmos na mesma escola!
...
-É a mesma que a minha! Se calhar conheço. Qual é o último nome dela?
-Ana Catarina Ferreira.
-É a Catarina do 2º ano mãe! Conheço perfeitamente!
-Ela costuma brincar com as meninas do 2º ano. Explica a mãe.
-E a Catarina porta-se bem?
-Porta-se. A Catarina do 2º ano porta-se mesmo bem, é o que eu penso.
-Tás a falar a sério, ou só a ser simpática.
-Tou a falar a sério. Se ela se portasse mal eu dizia-te.
Entram os "picas".
-O seu cartão, por favor.
-Tome.
-Obrigada.
-De nada. Obrigada eu. (Num despacho tremendo.)
-Já viram os cartões de toda a gente mãe?
-Já.
-E agora? Vão para casa jantar?
-Sim filha, agora vão para casa jantar.
...
-Os manos da tua Catarina que idade têm?
-6 e 12.
-Está na infantil? Vai agora para o primeiro ano? No mesmo colégio? Pergunta a mãe.
-Sim sim, exacto.
(Sete Bicas)
-Anda Catarina, já chegamos.
-Xau pai da Catarina Ferreira. Manda-lhe um beijinho e diz-lhe que a Maria Silva não tem de tomar conta dela nos intervalos, ela tem de se safar sozinha ok? Já é crescidinha. Não te esqueças do meu nome, sim?
-Ok.
-Adeus pai da Ana Catarina do 2º ano.
-Adeus Catarina.
Andante
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Guarda-chuvas
Diario de Bordo, Vila do Conde, 13 de Maio de 2009
Canção do Dia: «A Fifth Of Beethoven 7» Walter Murphy & the Big Apple Band
Depois de, literalmente, saltar da cama com um atraso substâncial e com a ínfima esperança de ainda apanhar o metro, desato a realizar as simples e quotidianas tarefas do acordar com uma pressa descomunal.
O expresso ia cheio. Fui o caminho todo de pé perto da porta a virar e a revirar apontamentos e testes de Toxicologia completamente escrevinhados nas margens. O teste esperava-me ao primeiro tempo.
Entra uma senhora com um guarda-chuva azul, levando um rapazito ao colo vestido de azul com um gurda-chuva azul.
Enquanto o puto se manifestava porque queria abrir o seu chapéu dentro do metro, a mãe dáva-lhe na cabeça para não o abrir.
A determinada altura o reguila lá consegue abrir o "chuço". Distribui "guarda-chuvadas" pelos passageiros. A felicidade era extrema.
Até que...
...uma mão actua. Mãe berra com criança e criança berra com mãe.
Andante
Canção do Dia: «A Fifth Of Beethoven 7» Walter Murphy & the Big Apple Band
Depois de, literalmente, saltar da cama com um atraso substâncial e com a ínfima esperança de ainda apanhar o metro, desato a realizar as simples e quotidianas tarefas do acordar com uma pressa descomunal.
O expresso ia cheio. Fui o caminho todo de pé perto da porta a virar e a revirar apontamentos e testes de Toxicologia completamente escrevinhados nas margens. O teste esperava-me ao primeiro tempo.
Entra uma senhora com um guarda-chuva azul, levando um rapazito ao colo vestido de azul com um gurda-chuva azul.
Enquanto o puto se manifestava porque queria abrir o seu chapéu dentro do metro, a mãe dáva-lhe na cabeça para não o abrir.
A determinada altura o reguila lá consegue abrir o "chuço". Distribui "guarda-chuvadas" pelos passageiros. A felicidade era extrema.
Até que...
...uma mão actua. Mãe berra com criança e criança berra com mãe.
Andante
segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Medo
Diário de Bordo, Vila do Conde, 11 de Maio de 2009
Canção do Dia: «Odissey» Stomp
Já a caminho do Pólo Universitário duas amigas conversam.
-Imagine que está num barco. Assim num barco de remos a remar... a remar...
-Barco ainda pior. Nem barco, nem avião nem metro! Só mesmo carro e camioneta.
-Só?!
-Sim. Tenho medo e fico enjoada.
-Olhe, já estamos no Marquês, mais cinco estações e já chegamos!
-Graças a Deus! Ainda à bocado no autocarro estava a pensar se vinha a pé, porque sozinha não vinha! Nem mesmo com uma nota grande! Não vinha!
-Pedia duas notas grandes!
-Oh, não brinque! Se não a tivesse encontrado não vinha de metro, vinha a pé. Você está habituada, vem todos os dias. O meu neto também brinca comigo.
-Oh Bó, fuogo! É tám fixe! Num tenhas miedo! (imitando-o)
Risos
-Da próxima venho de autocarro, não gosto mesmo nada disto!
-Tem de perder o medo! Nas próximas paragens já anda por cima.
-Ai meu Deus, se não fosse para ir ao hospital!...
-É por uma boa causa, eu vou consigo.
Pausa.
-Sabe que a minha neta Sara agora tem actividades na escola em part time...
Andante
Canção do Dia: «Odissey» Stomp
Já a caminho do Pólo Universitário duas amigas conversam.
-Imagine que está num barco. Assim num barco de remos a remar... a remar...
-Barco ainda pior. Nem barco, nem avião nem metro! Só mesmo carro e camioneta.
-Só?!
-Sim. Tenho medo e fico enjoada.
-Olhe, já estamos no Marquês, mais cinco estações e já chegamos!
-Graças a Deus! Ainda à bocado no autocarro estava a pensar se vinha a pé, porque sozinha não vinha! Nem mesmo com uma nota grande! Não vinha!
-Pedia duas notas grandes!
-Oh, não brinque! Se não a tivesse encontrado não vinha de metro, vinha a pé. Você está habituada, vem todos os dias. O meu neto também brinca comigo.
-Oh Bó, fuogo! É tám fixe! Num tenhas miedo! (imitando-o)
Risos
-Da próxima venho de autocarro, não gosto mesmo nada disto!
-Tem de perder o medo! Nas próximas paragens já anda por cima.
-Ai meu Deus, se não fosse para ir ao hospital!...
-É por uma boa causa, eu vou consigo.
Pausa.
-Sabe que a minha neta Sara agora tem actividades na escola em part time...
Andante
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quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Chiclet
Diário de Bordo, Vila do Conde, 07 de Maio de 2009
Canção do Dia: «Battles of Tribes» Blasted Mechanism
Se mascava chiclet?!
Oh se mascava! Tanto mascava que tive de trocar de lugar!
Andante
Canção do Dia: «Battles of Tribes» Blasted Mechanism
Se mascava chiclet?!
Oh se mascava! Tanto mascava que tive de trocar de lugar!
Andante
quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Morfeu
Diário de Bordo, Vila do Conde, 06 de Maio de 2009
Canção do Dia: «Sexto andar» Clã
Sento-me no metro. Hipnos faz-me companhia e sou levada em braços por Morfeu. Completamente submissa, a cabeça escorrega e cai-me repetidamente.
Acordo.
-Volta Morfeu!
O seu cobertor de estrelas envolve-me e calmamente os sonhos continuam.
Andante
Canção do Dia: «Sexto andar» Clã
Sento-me no metro. Hipnos faz-me companhia e sou levada em braços por Morfeu. Completamente submissa, a cabeça escorrega e cai-me repetidamente.
Acordo.
-Volta Morfeu!
O seu cobertor de estrelas envolve-me e calmamente os sonhos continuam.
Andante
segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Peixes
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Abril de 2009
Canção do Dia: «Run Run» Those Dancing Days
Li o livro todo de uma assentada.
"As ideias são como peixes.
Se quisermos capturar peixes pequenos, podemos ficar pelas águas pouco profundas. Mas, se quisermos capturar os peixes grandes, temos de ir mais fundo.
Lá no fundo, os peixes são mais poderosos e mais puros. São enormes e abstratos. E são muito bonitos.
Eu procuro um certo tipo de peixe que é importante para mim, um que possa ser transposto para o cinema. Mas há todo o tipo de peixes a nadar lá em baixo. Há peixes para os negócios, peixes para o desporto. Há peixes para tudo.
Todas as coisas, qualquer coisa que seja coisa, vem ao de cima a partir de um nível mais profundo. A Física moderna chama a esse nível o Campo Unificado. Quanto mais a nossa consciência-a nossa atenção- se expandir, mais fundo avançamos para esta fonte e maiores são os peixes que podemos capturar.[...]
O desejo de ter uma ideia é como isco. Quando se está a pescar, é preciso ter paciência. Coloca-se o isco no anzol e espera-se. O desejo é o isco que atrai aqueles peixes-aquelas ideias.
O que é bonito é que, quando se apanha um peixe que se ama, mesmo que seja um peixe pequeno-um fragmento de uma ideia-esse peixe vai atrair outros peixes e agarrar-se-ão a ele. Então, está-se lançado. Em breve começam a surgir cada vez mais fragmentos e a coisa inteira emerge. Mas começa com desejo."
(em «Em busca do grande peixe» de David Linch)
Andante
Canção do Dia: «Run Run» Those Dancing Days
Li o livro todo de uma assentada.
"As ideias são como peixes.
Se quisermos capturar peixes pequenos, podemos ficar pelas águas pouco profundas. Mas, se quisermos capturar os peixes grandes, temos de ir mais fundo.
Lá no fundo, os peixes são mais poderosos e mais puros. São enormes e abstratos. E são muito bonitos.
Eu procuro um certo tipo de peixe que é importante para mim, um que possa ser transposto para o cinema. Mas há todo o tipo de peixes a nadar lá em baixo. Há peixes para os negócios, peixes para o desporto. Há peixes para tudo.
Todas as coisas, qualquer coisa que seja coisa, vem ao de cima a partir de um nível mais profundo. A Física moderna chama a esse nível o Campo Unificado. Quanto mais a nossa consciência-a nossa atenção- se expandir, mais fundo avançamos para esta fonte e maiores são os peixes que podemos capturar.[...]
O desejo de ter uma ideia é como isco. Quando se está a pescar, é preciso ter paciência. Coloca-se o isco no anzol e espera-se. O desejo é o isco que atrai aqueles peixes-aquelas ideias.
O que é bonito é que, quando se apanha um peixe que se ama, mesmo que seja um peixe pequeno-um fragmento de uma ideia-esse peixe vai atrair outros peixes e agarrar-se-ão a ele. Então, está-se lançado. Em breve começam a surgir cada vez mais fragmentos e a coisa inteira emerge. Mas começa com desejo."
(em «Em busca do grande peixe» de David Linch)
Andante
domingo, 19 de Abril de 2009
Vento
Diário de Bordo, Vila do Conde, 19 de abril de 2009
Canção do Dia: «The Great Escape» Patrick Watson
Amanhã recomeçam as aulas.
Aproveito o vento para voar.
Andante
Canção do Dia: «The Great Escape» Patrick Watson
Amanhã recomeçam as aulas.
Aproveito o vento para voar.
Andante

quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Sapatos
Diário de Bordo, Vila do Conde, 02 de Abril de 2009
Canção do Dia: «Mad About You» Hooverphonic
Sentada no chão pela segunda vez consecutiva, distraio-me a desenhar os sapatos dos viajantes.
Andante
Canção do Dia: «Mad About You» Hooverphonic
Sentada no chão pela segunda vez consecutiva, distraio-me a desenhar os sapatos dos viajantes.
Andante
terça-feira, 31 de Março de 2009
A rapariga que inventou um sonho
Diário de Bordo, Vila do Conde, 31 de Março de 2009
Canção do Dia: «Há uma música do povo» Paula Oliveira e Bernardo Moreira
"Vi as horas. Eram onze e quarenta e cinco e o meu primo continuava sem aparecer. Estava a aproximar-se a hora do almoço e a cafetaria começava a encher-se de gente. Todo o tipo de vozes e sons, misturados como fumo, envolviam o ambiente. Tornei a procurar refúgio nas minhas recordações desse dia. E a evocar a canetinha dourada que ela tinha no bolso da frente do seu pijama.
Ah, é verdade, já me esquecia de dizer que ela usara precisamente aquela mesma caneta para escrevinhar num guardanapo de papel.
Um desenho. Ela tinha desenhado qualquer coisa. O guardanapo era demasiado fino e a ponta da caneta estava sempre a emperrar. Ainda assim, ela lá conseguiu desenhar uma montanha. E uma casinha no topo da montanha. Dentro da casa uma mulher dormia. E a toda a volta da casa cresciam salgueiros cegos. Tinha sido por causa dos salgueiros cegos que a mulher adormecera.
-Que raio de coisa é um salgueiro cego?- perguntou o meu amigo.
-Existe uma árvore com esse nome.
-Bom, se existe eu nunca ouvi falar dela.
-Isso é porque fui eu que inventei-disse ela, com um sorriso. Os salgueiros cegos estão cheios de pólen, e quando umas moscas pequenas transportaram o pólen agarrado às patas para dentro do ouvido da mulher, ela caiu num sono profundo.
Agarrando num outro guardanapo, ela traçou os contornos de um salgueiro cego. Era do tamanho de uma azálea. A árvore estava em flor e as suas flores despontavam no meio de folhas de um verde-carregado que mais pareciam caudas de lagartos dispostas em cacho. vendo bem, o salgueiro cego não se parecia nada com um salgueiro.
-Arranjas-me um cigarro?-pediu o meu amigo. Atirei-lhe um masso todo amassado e ensopado de Hope e meia dúzia de fósforos para cima da mesa.
-Visto de fora, à superfície da terra, um salgueiro cego pode parecer pequeno, mas tem umas raízes espantosamente profundas-explicou ela.-Na verdade, a partir de um determinado ponto deixa de crescer e começa a enterrar-se cada vez mais. Dir-se-ia que se alimenta de escuridão.
-E as moscas transportam o pólen para dentro do ouvido da mulher e põem-na a dormir-atalhou o meu amigo, vendo-se aflito para acender o cigarro com os fósforos húmidos.-E depois, o que acontece às moscas?
-Devoram. Saciam-se e comem a carne da mulher por dentro, naturalmente-disse a namorada do meu amigo.
-Ora toma. Embrulha e leva para casa-rematou o meu amigo."
(em «A rapariga que inventou um sonho» de Haruki Murakami)
Andante
Canção do Dia: «Há uma música do povo» Paula Oliveira e Bernardo Moreira
"Vi as horas. Eram onze e quarenta e cinco e o meu primo continuava sem aparecer. Estava a aproximar-se a hora do almoço e a cafetaria começava a encher-se de gente. Todo o tipo de vozes e sons, misturados como fumo, envolviam o ambiente. Tornei a procurar refúgio nas minhas recordações desse dia. E a evocar a canetinha dourada que ela tinha no bolso da frente do seu pijama.
Ah, é verdade, já me esquecia de dizer que ela usara precisamente aquela mesma caneta para escrevinhar num guardanapo de papel.
Um desenho. Ela tinha desenhado qualquer coisa. O guardanapo era demasiado fino e a ponta da caneta estava sempre a emperrar. Ainda assim, ela lá conseguiu desenhar uma montanha. E uma casinha no topo da montanha. Dentro da casa uma mulher dormia. E a toda a volta da casa cresciam salgueiros cegos. Tinha sido por causa dos salgueiros cegos que a mulher adormecera.
-Que raio de coisa é um salgueiro cego?- perguntou o meu amigo.
-Existe uma árvore com esse nome.
-Bom, se existe eu nunca ouvi falar dela.
-Isso é porque fui eu que inventei-disse ela, com um sorriso. Os salgueiros cegos estão cheios de pólen, e quando umas moscas pequenas transportaram o pólen agarrado às patas para dentro do ouvido da mulher, ela caiu num sono profundo.
Agarrando num outro guardanapo, ela traçou os contornos de um salgueiro cego. Era do tamanho de uma azálea. A árvore estava em flor e as suas flores despontavam no meio de folhas de um verde-carregado que mais pareciam caudas de lagartos dispostas em cacho. vendo bem, o salgueiro cego não se parecia nada com um salgueiro.
-Arranjas-me um cigarro?-pediu o meu amigo. Atirei-lhe um masso todo amassado e ensopado de Hope e meia dúzia de fósforos para cima da mesa.
-Visto de fora, à superfície da terra, um salgueiro cego pode parecer pequeno, mas tem umas raízes espantosamente profundas-explicou ela.-Na verdade, a partir de um determinado ponto deixa de crescer e começa a enterrar-se cada vez mais. Dir-se-ia que se alimenta de escuridão.
-E as moscas transportam o pólen para dentro do ouvido da mulher e põem-na a dormir-atalhou o meu amigo, vendo-se aflito para acender o cigarro com os fósforos húmidos.-E depois, o que acontece às moscas?
-Devoram. Saciam-se e comem a carne da mulher por dentro, naturalmente-disse a namorada do meu amigo.
-Ora toma. Embrulha e leva para casa-rematou o meu amigo."
(em «A rapariga que inventou um sonho» de Haruki Murakami)
Andante
segunda-feira, 30 de Março de 2009
Índio
Diário de Bordo, Vila do Conde, 30 de Março de 2009
Canção do Dia: «Pagú» Maria Rita
Deliciava-me entre as folhas amareladas, relidas e vincadas dos valiosos cadernos de apontamentos dos meus avós.
Perdia-me na linda caligrafia de ambos misturada com o cheiro das essências e das dedadas de xarope datadas.
Enquanto isso, um senhor de pele avermelhada, cabelo tão preto e chagas abertas nas mãos e cara babava-se enquanto aterrado, dormia descansado encostado ao vidro.
Andante
Canção do Dia: «Pagú» Maria Rita
Deliciava-me entre as folhas amareladas, relidas e vincadas dos valiosos cadernos de apontamentos dos meus avós.
Perdia-me na linda caligrafia de ambos misturada com o cheiro das essências e das dedadas de xarope datadas.
Enquanto isso, um senhor de pele avermelhada, cabelo tão preto e chagas abertas nas mãos e cara babava-se enquanto aterrado, dormia descansado encostado ao vidro.
Andante
quinta-feira, 26 de Março de 2009
Interiorização
Diário de Bordo, Vila do Conde, 26 de Março de 2009
Canção do Dia: «Must be Dreaming» Frou Frou
"A interiorização não só controla o indivíduo, mas abre-lhe as portas do mundo. Não só permite que o mesmo participe do mundo social externo, mas capacita-o para uma vida interior mais rica. É só por meio da interiorização das vozes dos outros que podemos falar a nós mesmos. Se ninguém nos tivesse dirigido uma mensagem significativa vinda de fora, em nosso interior também reinaria o silêncio. É só através dos outros que podemos descobrir-nos a nós mesmos. Ou, em termos mais precisos, é só através dos outros significativos que podemos desenvolver um relacionamento significativo com a nossa própria pessoa. (...)"
(em P. L. Berger e B. Berger - Sociology - A Biographical Approach. New York, Basic Books, 1975)
Andante
Canção do Dia: «Must be Dreaming» Frou Frou
"A interiorização não só controla o indivíduo, mas abre-lhe as portas do mundo. Não só permite que o mesmo participe do mundo social externo, mas capacita-o para uma vida interior mais rica. É só por meio da interiorização das vozes dos outros que podemos falar a nós mesmos. Se ninguém nos tivesse dirigido uma mensagem significativa vinda de fora, em nosso interior também reinaria o silêncio. É só através dos outros que podemos descobrir-nos a nós mesmos. Ou, em termos mais precisos, é só através dos outros significativos que podemos desenvolver um relacionamento significativo com a nossa própria pessoa. (...)"
(em P. L. Berger e B. Berger - Sociology - A Biographical Approach. New York, Basic Books, 1975)
Andante
quarta-feira, 25 de Março de 2009
Jardinagem
Diário de Bordo, Vila do Conde, 25 de Março de 2009
Canção do Dia: «Raincloud» Suzanna Choffel
Durante uma viagem ao lado de uma senhora a cheirar a sabonete fala-se:
-de jardins;
-de canteiros;
-de flores;
-de compras e aquisições para a horta;
-de conhecimentos sobre jardinagem.
Fala-se da praça pública e apura-se o espírito crítico.
Andante
Canção do Dia: «Raincloud» Suzanna Choffel
Durante uma viagem ao lado de uma senhora a cheirar a sabonete fala-se:
-de jardins;
-de canteiros;
-de flores;
-de compras e aquisições para a horta;
-de conhecimentos sobre jardinagem.
Fala-se da praça pública e apura-se o espírito crítico.
Andante
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segunda-feira, 23 de Março de 2009
Saudades
Diário de Bordo, Vila do Conde, 23 de Março de 2009
Canção do Dia: «Night»Benga Coki
Saudades das férias de verão, da praia e...
. . . do Mar.
Andante

Canção do Dia: «Night»Benga Coki
Saudades das férias de verão, da praia e...
. . . do Mar.
Andante

sábado, 21 de Março de 2009
Sono
Diário de Bordo, Vila do Conde, 21 de Maio de 2009
Canção do Dia: «Headlock» Imogen Heap
Acordo cedo, cedo de mais, 5.45h.
Passo o resto do dia a dormir.
Andante
Canção do Dia: «Headlock» Imogen Heap
Acordo cedo, cedo de mais, 5.45h.
Passo o resto do dia a dormir.
Andante
sexta-feira, 20 de Março de 2009
Horários
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Março de 2009
Diário de Bordo: «Desordenador» Filastine
Os horários do metro mudaram. Não estão adequados a compromissos. Não há horários compatíveis para chegar ao trabalho às horas certas ou às meias horas. Amanhã vou ter de me levantar ainda mais cedo.
Andante
Diário de Bordo: «Desordenador» Filastine
Os horários do metro mudaram. Não estão adequados a compromissos. Não há horários compatíveis para chegar ao trabalho às horas certas ou às meias horas. Amanhã vou ter de me levantar ainda mais cedo.
Andante
segunda-feira, 9 de Março de 2009
Derby
Diário de Bordo, Vila do Conde, 09 de Março de 2009
Canção do Dia: «Luz Vaga» Mesa
Porto - Benfica
Benfica passa constantemente a linha do meio campo, ocupando o banco do adversário.
Porto com problemas na defesa.
Benfica permanece no campo do Porto. Bola para a frente.
Porto não responde!
Casaco Azul 0 - Gabardina Vermelha 1
Acho que estava com sono de mais para contra-atacar.
Andante
Canção do Dia: «Luz Vaga» Mesa
Porto - Benfica
Benfica passa constantemente a linha do meio campo, ocupando o banco do adversário.
Porto com problemas na defesa.
Benfica permanece no campo do Porto. Bola para a frente.
Porto não responde!
Casaco Azul 0 - Gabardina Vermelha 1
Acho que estava com sono de mais para contra-atacar.
Andante

sexta-feira, 6 de Março de 2009
Crochet
Diário de Bordo, Vila do Conde, 06 de Março de 2009
Canção do Dia: «The piano» Michael Nyman
Peço licença para passar, as sapatilhas vermelhas não se movem.
Sento-me. Uma senhora ruiva pintada, de dentes em mau estado bastante separados faz crochet compulsivamente. Desenvencilha um emaranhado de fios entrelaçando pequenos pedaços salmão. Trauteia baixinho canções em espanhol que ecoam do mp3.
De tão compenetrada não lhe vi os olhos.
Andante
Canção do Dia: «The piano» Michael Nyman
Peço licença para passar, as sapatilhas vermelhas não se movem.
Sento-me. Uma senhora ruiva pintada, de dentes em mau estado bastante separados faz crochet compulsivamente. Desenvencilha um emaranhado de fios entrelaçando pequenos pedaços salmão. Trauteia baixinho canções em espanhol que ecoam do mp3.
De tão compenetrada não lhe vi os olhos.
Andante
quinta-feira, 5 de Março de 2009
Cansaço
Diário de Borso, Vila do Conde, 05 de Março de 2009
Canção do Dia: «Paper Plans» MIA
Dois trabalhos...
Duas horas de sono...
Exaustão.
Andante
Canção do Dia: «Paper Plans» MIA
Dois trabalhos...
Duas horas de sono...
Exaustão.
Andante
quarta-feira, 4 de Março de 2009
Ouriço
Diário de Bordo, 04 de Março de 2009
Canção do Dia: «1234» Feist
Canção do Dia: «1234» Feist
Ás vezes gostava de ser ouriço. Enrolava-me e fazia quentinho.
Andante
segunda-feira, 2 de Março de 2009
Chuva
Diário de Bordo, Vila do Conde, 02 de Março de 2009
Canção do Dia: «Almost Lover» A Fine Frenzy
Chuviscou um bocadito.
Adoro quando cheira a terra molhada.
Andante
Canção do Dia: «Almost Lover» A Fine Frenzy
Chuviscou um bocadito.
Adoro quando cheira a terra molhada.
Andante
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Redacção
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Fevereiro de 2009
Cançaõ do Dia: «Clandestino» Deolinda
Entro no metro. Uma caneta vermelha corrige.
Mal sabe o aluno Filipe Teixeira, nº 12 do 10º D o quanto se pesaram figos sobre a sua redacção sobre energias renováveis e não renováveis.
Andante
Cançaõ do Dia: «Clandestino» Deolinda
Entro no metro. Uma caneta vermelha corrige.
Mal sabe o aluno Filipe Teixeira, nº 12 do 10º D o quanto se pesaram figos sobre a sua redacção sobre energias renováveis e não renováveis.
Andante
terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
MP3
Diário de Bordo, Vila do Conde, 3 de Fevereiro de 2009
Canção do Dia: «Idioteque» Radiohead
Raios vos partam os MP3!
Que barulheira!
Que dores de cabeça!
Andante
Canção do Dia: «Idioteque» Radiohead
Raios vos partam os MP3!
Que barulheira!
Que dores de cabeça!
Andante
segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Sacas de Papelão
Diário de Bordo, Porto, 27 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «Imagine one day» Grace
Já repararam que as senhoras, acima de uma certa idade, transportam sempre consigo, para além da habual carteirita, uma floreada saca de papelão?
Andante
Canção do Dia: «Imagine one day» Grace
Já repararam que as senhoras, acima de uma certa idade, transportam sempre consigo, para além da habual carteirita, uma floreada saca de papelão?
Andante
segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Lua
Diário de Bordo, Vila do Conde, 26 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «Fácil de Entender» The Gift
Dizem que ando sempre com a cabeça na lua. É bem verdade.
Andante

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
Faço Questão
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «Rosa» Rodrigo Leão
Depois de uma corrida para ir a uma série de lojas na Rua do Almada e Cedofeita.
-Quer sentar-se?
-Não menina, deixe lá.
-A sério, não me custa nada.
-Não, não.
-Faço questão.
-Coisas destas já não se vêm hoje em dia. Abençoada seja menina, que Deus lhe dê muita saúde e muita paz.
Andante
Canção do Dia: «Rosa» Rodrigo Leão
Depois de uma corrida para ir a uma série de lojas na Rua do Almada e Cedofeita.
-Quer sentar-se?
-Não menina, deixe lá.
-A sério, não me custa nada.
-Não, não.
-Faço questão.
-Coisas destas já não se vêm hoje em dia. Abençoada seja menina, que Deus lhe dê muita saúde e muita paz.
Andante
segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Conversas
Diário de Bordo, Vila do Conde, 19 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «Turn Me On» Cocorosie
Depois de ter perdido o metro por 1 minuto, encontro um metro de uma carruagem com grande densidade populacional.
Estranhamente o habitual e elevado ruído está ausente.
Uma menina chocolate fala ao telemóvel em brasileiro.
Enquanto uma sonolenta malha se repete, uma gola alta estuda, um emproado chapéu dormita e um gorro com olhos rasgados observa, entra um senhor de cara vincada com óculos sobre o nariz. Encontra um amigo, o sossego acaba.
-Não me empurres carago! Vê lá que caio!
-E és mais de cair para o lado das mulheres ou dos homens?
-Nem me perguntes isso! (Ofendidíssimo).
-Tás doente?
-É da gripe.... das aves. Asa Negra.
-Das aves?!
-Pois! Queria que fosse da qual?
-Da normal, carago! Duvido muito que seja das aves. Isso ainda não chegou cá!
-Olha, então se não é das aves é da outra.
Tosse violentamente para cima de um senhor que estava sentado à sua frente, que fica incomodado com os "vary lights".
-Isso precisa de mel!
-De mel?! Tás é maluco! Depois as abelhas vinham atrás de mim! Tenho cara de doce?
-Precisas de mel com limão.
-Mel?! Limão?! Preciso é de virar dois "whiskes" que isso é qu'é bom pá tosse!
-Whisky?!
-Sim carago! Ou cerveja! Apanhar uns bons bojardos!
-E beber muita água...
-Água sabe mal! É preciso é apanhar umas grandas... Isso é que tira a gripe! Olha... Ainda este fim de semana...
-Eu alinhava no mel.
-Outra vez com essa conversa! O mel atrai abelhas, e depois picavam-me, parecia um coador, carago! Deixa-me sentar qu'estou doente.
-Olhe, tá aqui auguém falando muito auto! Tô com dificuldadje em ouví! (Percebe de quem se trata e sorri-me).
Ouve-a, e responde-lhe.
-Ai, falo alto?!
-Temo de nos encontrá, amiga!
-Porra, quando chegar a Póvoa tenho assento...
-...e a fruta...
-A fruta, queres um tabuleiro pr'a fruta naum?
...
-Alô?... Tô?...
-Olha, foi-se a conversa...
Andante
Canção do Dia: «Turn Me On» Cocorosie
Depois de ter perdido o metro por 1 minuto, encontro um metro de uma carruagem com grande densidade populacional.
Estranhamente o habitual e elevado ruído está ausente.
Uma menina chocolate fala ao telemóvel em brasileiro.
Enquanto uma sonolenta malha se repete, uma gola alta estuda, um emproado chapéu dormita e um gorro com olhos rasgados observa, entra um senhor de cara vincada com óculos sobre o nariz. Encontra um amigo, o sossego acaba.
-Não me empurres carago! Vê lá que caio!
-E és mais de cair para o lado das mulheres ou dos homens?
-Nem me perguntes isso! (Ofendidíssimo).
-Tás doente?
-É da gripe.... das aves. Asa Negra.
-Das aves?!
-Pois! Queria que fosse da qual?
-Da normal, carago! Duvido muito que seja das aves. Isso ainda não chegou cá!
-Olha, então se não é das aves é da outra.
Tosse violentamente para cima de um senhor que estava sentado à sua frente, que fica incomodado com os "vary lights".
-Isso precisa de mel!
-De mel?! Tás é maluco! Depois as abelhas vinham atrás de mim! Tenho cara de doce?
-Precisas de mel com limão.
-Mel?! Limão?! Preciso é de virar dois "whiskes" que isso é qu'é bom pá tosse!
-Whisky?!
-Sim carago! Ou cerveja! Apanhar uns bons bojardos!
-E beber muita água...
-Água sabe mal! É preciso é apanhar umas grandas... Isso é que tira a gripe! Olha... Ainda este fim de semana...
-Eu alinhava no mel.
-Outra vez com essa conversa! O mel atrai abelhas, e depois picavam-me, parecia um coador, carago! Deixa-me sentar qu'estou doente.
-Olhe, tá aqui auguém falando muito auto! Tô com dificuldadje em ouví! (Percebe de quem se trata e sorri-me).
Ouve-a, e responde-lhe.
-Ai, falo alto?!
-Temo de nos encontrá, amiga!
-Porra, quando chegar a Póvoa tenho assento...
-...e a fruta...
-A fruta, queres um tabuleiro pr'a fruta naum?
...
-Alô?... Tô?...
-Olha, foi-se a conversa...
Andante
sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Arte biológica
Diário de Bordo, Vila do Conde, 16 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «No Teu Poema» Paula Oliveira e Bernardo Moreira
Consigo ver beleza em tudo. Mesmo na mais pequena parte da nossa vida. As cores e as formas de um meio de cultura, os padrões de uma lâmina vista num microscópio. A arte que nem a todos os olhos chega.
Andante
segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Escrita
Diário de Bordo, Vila do Conde, 12 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «Quase Perfeito» Donna Maria
«...De certo modo, sempre escrevi, porque me senti impelida a escrever.
Porquê? Por uma simples razão. Para pensar sobre o que quer que seja, preciso primeiro de passar as ideias para o papel.
Tem sido sempre assim, desde miúda. Quando havia uma coisa que não percebia, agarrava, umas atrás das outras, nas palavras espalhadas a meus pés e alinhava-as por forma a com elas construir frases. Quando não conseguia, voltava a espalhá-las, a arrumá-las segundo outra ordem. À força de repetir esse gesto vezes sem conta, tornei-me capaz de pensar sobre as coisas como o comum dos mortais. Para mim, escrever nunca foi difícil....
...Eis o meu mote provisório: através da escrita, tomo todos os dias consciência da minha identidade.»
(em «Sputnik, meu amor» de Haruki Murakami)
Andante
Canção do Dia: «Quase Perfeito» Donna Maria
«...De certo modo, sempre escrevi, porque me senti impelida a escrever.
Porquê? Por uma simples razão. Para pensar sobre o que quer que seja, preciso primeiro de passar as ideias para o papel.
Tem sido sempre assim, desde miúda. Quando havia uma coisa que não percebia, agarrava, umas atrás das outras, nas palavras espalhadas a meus pés e alinhava-as por forma a com elas construir frases. Quando não conseguia, voltava a espalhá-las, a arrumá-las segundo outra ordem. À força de repetir esse gesto vezes sem conta, tornei-me capaz de pensar sobre as coisas como o comum dos mortais. Para mim, escrever nunca foi difícil....
...Eis o meu mote provisório: através da escrita, tomo todos os dias consciência da minha identidade.»
(em «Sputnik, meu amor» de Haruki Murakami)
Andante
sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Neve
Diário de Bordo, Vila do Conde, 09 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «My Moon My Man» Feist
-Está a nevar!
-Estás a gozar comigo, não estás?
-Não! Está mesmo a nevar! Já apanhámos uma molha!
-Vou lá ver. Queres vir?
-Está mesmo a nevar! Está o chão branquinho e tudo! Vou tirar uma foto com o telemóvel!
-Afinal está mesmo a nevar!
-Hum hum... E não é só aqui! Em Braga, na Maia, em Vila do Conde.
-Neve?!...
Andante
Canção do Dia: «My Moon My Man» Feist
-Está a nevar!
-Estás a gozar comigo, não estás?
-Não! Está mesmo a nevar! Já apanhámos uma molha!
-Vou lá ver. Queres vir?
-Está mesmo a nevar! Está o chão branquinho e tudo! Vou tirar uma foto com o telemóvel!
-Afinal está mesmo a nevar!
-Hum hum... E não é só aqui! Em Braga, na Maia, em Vila do Conde.
-Neve?!...
Andante
quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
Regresso ás Aulas
Diário de Bordo, Vila do Conde, 08 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «Lucky» Jason Mraz featuring Colbie Caillat
Começou o segundo semestre. Os horários impõem-se. As saídas passam para o fim-de-semana.
Os estudos predominam; as folhas de apontamentos, os livros e as matérias ocupam-me a mente. Mantenho-me acordada pela noite adentro perdida em conceitos, definições e menemónicas.
Está imenso frio. O meu "vizinho" dorme encostado ao vidro. Desenha uma cara sorridente na névoa da respiração.
Andante
Canção do Dia: «Lucky» Jason Mraz featuring Colbie Caillat
Começou o segundo semestre. Os horários impõem-se. As saídas passam para o fim-de-semana.
Os estudos predominam; as folhas de apontamentos, os livros e as matérias ocupam-me a mente. Mantenho-me acordada pela noite adentro perdida em conceitos, definições e menemónicas.
Está imenso frio. O meu "vizinho" dorme encostado ao vidro. Desenha uma cara sorridente na névoa da respiração.
Andante
quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
Passagem de Ano
Diário de Bordo, Vila do Conde, 01 de Janeiro de 2009
Canção do Dia: «This Is The Life» Amy Macdonald
Bom Ano 2009!!!
Abraçam-se amigos entre cânticos e danças. Põem-se em dia conversas pendentes do ano findado. A alegria é contagiante, os sorrisos perduram.
Na vinda, e depois de uma grande espera, cantam-se canções infantis para grande infelicidade dos passageiros que se deslocam para o trabalho. As gargalhadas são constantes.
Sem dúvida as viagens mais doidas que já fiz.
Andante
Canção do Dia: «This Is The Life» Amy Macdonald
Bom Ano 2009!!!
Abraçam-se amigos entre cânticos e danças. Põem-se em dia conversas pendentes do ano findado. A alegria é contagiante, os sorrisos perduram.
Na vinda, e depois de uma grande espera, cantam-se canções infantis para grande infelicidade dos passageiros que se deslocam para o trabalho. As gargalhadas são constantes.
Sem dúvida as viagens mais doidas que já fiz.
Andante
quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Jogo dos Peixes
Diário de Bordo, Vila do Conde, 17 de Dezembro de 2009
Canção do Dia: «I have a dream» Common Feat. Will I Am
Canção do Dia: «I have a dream» Common Feat. Will I Am
Depois de uma pedida e inútil caminhada pelas ruas do burgo com vista a aproveitar os saldos com a minha irmã, a viagem revela-se silenciosa.
Enquanto me divertia com uns joguinhos na máquina de calcular da minha compenetrada "manica", ela envolve-se numa afincada leitura d"Os Maias".
...
-Sabes do que tenho saudades?
-De quê?
-Do jogo dos peixes?!
-Sim, quando íamos no carro com os papis nas viagens longas.
-Eramos muito pequeninhas! Tínhamos de ter alguma coisa para fazer!
-Eu sei, era para passar o tempo, mas tenho saudades de jogar a isso!
-Tá bem, começa lá então.
-Sardinha.
-Bacalhau.
-Rodovalho.
-Xaramaneco.
-Salmão.
-Já marchava!
-Oh! Tens de dizer um peixe!
-Garapau com G! (como comunamente lhe chama uma dita conhecida).
-Manta.
-Bacalhau.
-Já disses-t!!!
-Raia então.
-Linguado.
-Garoupa.
-Pescada.
-Pescadinhas de rabo na boca.
-Isso não conta como peixe! É pescada na mesma!
-Hum... Então... Espadarte.
-Enguia.
-Truta.
-Isso não conta.
-Não conta porquê?
-É de água doce, e não me apetece contar como certo!
-Oh! Peixe lanterna.
-Tá bem, pode ser.
-Sabes porque é que o peixe luzinha não tem medo da morte?
-Não!
-Vê sempre a luz ao fundo do tunel!
...
-Peixe-telescópio.
-Peixe-gato.
-Peixe-rato.
-Peixe-lua.
-Peixe-cirurgião.
-Nemo.
-Personagens de desenhos animados não contam, tá?
-Peixe-palhaço.
-Peixe-agulha.
-Baleia...
-Baleia?! Tás-te a passar! Isso é da família dos sebáceos!
-Sebáceos?!?!?!?!?!?!?!
...
Andante

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Frio
Diário de Bordo, Vila do Conde, 2 de Dezembro de 2008
Canção do Dia: «Smells like teen spirit» Tori Amos
O frio chegou.
Posso andar de boina e cachecol como tanto gosto.
Enquanto respiro deixo uma núvem como rasto.
Adoro o interromper do silêncio em cada um dos meus passos.
Andante
Canção do Dia: «Smells like teen spirit» Tori Amos
O frio chegou.
Posso andar de boina e cachecol como tanto gosto.
Enquanto respiro deixo uma núvem como rasto.
Adoro o interromper do silêncio em cada um dos meus passos.
Andante
segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Ciganita
Diário de Bordo, 24 de Novembro de 2008
Canção do Dia: «Erase You» Dj Shadow
Olhos pretos e tez escura contrastam com a claridade do seu cabelo loiro. Irrequieta no colo do pai observa a paisagem com atenção. Curiosa. Observa-me.
Mostro-lhe a língua.
Responde-me.
O metro enche. Procura o meu olhar azul por entre o mar de multidão para continuar a brincadeira.
A núvem esconde-a.
Andante
Canção do Dia: «Erase You» Dj Shadow
Olhos pretos e tez escura contrastam com a claridade do seu cabelo loiro. Irrequieta no colo do pai observa a paisagem com atenção. Curiosa. Observa-me.
Mostro-lhe a língua.
Responde-me.
O metro enche. Procura o meu olhar azul por entre o mar de multidão para continuar a brincadeira.
A núvem esconde-a.
Andante


sábado, 22 de Novembro de 2008
Encontro
Diário de Bordo, Vila do Conde, 22 de Novembro de 2008
Canção do Dia: «Cliquot» Beirut
Finalmente fim de semana.
Trindade.
Uma menina cega segue com um atento labrador preto nas escadas rolantes.
-Vamos tomar um café! Anda!
Mais à frente encontram amigos. Outra menina cega, outro labrador branco. Todos se cumprimentam entusiasticamente! As amigas trocam abraços, os cães trocam pulinhos e lambidelas. Verdadeira felicidade.
Sorriu com tanta alegria misturada. Situação bonita.
Andante
Canção do Dia: «Cliquot» Beirut
Finalmente fim de semana.
Trindade.
Uma menina cega segue com um atento labrador preto nas escadas rolantes.
-Vamos tomar um café! Anda!
Mais à frente encontram amigos. Outra menina cega, outro labrador branco. Todos se cumprimentam entusiasticamente! As amigas trocam abraços, os cães trocam pulinhos e lambidelas. Verdadeira felicidade.
Sorriu com tanta alegria misturada. Situação bonita.
Andante
quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Perdidos e não achados
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Novembro de 2008
Canção do Dia: «Grafton Street» Dido
Há grupos de senhoras que se sentam sempre juntas, seja pela amizade, seja pela má língua ou simplesmente pela companhia.
Engraçado como certas amizades surgem.
Esta iniciou-se com uma grande conversa sobre joanetes. Operações, tratamentos e recuperações...
Quando entro, a senhora de óculos acabava de perder um brinco. Lá se põem as três marquesas, literalmente de rabo para o ar, em busca do brinco perdido.
-Não sei para onde foi!
-Acho que não rolou se não vía-se!
Enquanto uma se descalça para verificar que não se encontraria nas botas de cano alto a outra procura no cachecol. A última apalpa o aglomerado de sacos de plástico trazidos pelo conjunto.
-Eu vi a perolazinha a saltar!
-Veja lá bem se não está dentro do saco.
-Óh menina! Perdeu alguma coisa?
Há uma onda de solidaridade pela carruagem. Olhos perscutam o chão.
-Sai lá do chão, q'está todo sujo, mulher!-Dizem à de gatas.
-Olha, deixa lá, é só um brinco!...
-Que chatice!...
Andante
Canção do Dia: «Grafton Street» Dido
Há grupos de senhoras que se sentam sempre juntas, seja pela amizade, seja pela má língua ou simplesmente pela companhia.
Engraçado como certas amizades surgem.
Esta iniciou-se com uma grande conversa sobre joanetes. Operações, tratamentos e recuperações...
Quando entro, a senhora de óculos acabava de perder um brinco. Lá se põem as três marquesas, literalmente de rabo para o ar, em busca do brinco perdido.
-Não sei para onde foi!
-Acho que não rolou se não vía-se!
Enquanto uma se descalça para verificar que não se encontraria nas botas de cano alto a outra procura no cachecol. A última apalpa o aglomerado de sacos de plástico trazidos pelo conjunto.
-Eu vi a perolazinha a saltar!
-Veja lá bem se não está dentro do saco.
-Óh menina! Perdeu alguma coisa?
Há uma onda de solidaridade pela carruagem. Olhos perscutam o chão.
-Sai lá do chão, q'está todo sujo, mulher!-Dizem à de gatas.
-Olha, deixa lá, é só um brinco!...
-Que chatice!...
Andante
quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
Mau Dia
Diário de Bordo, Vila do Conde, 19 de Novembro de 2008
Canção do Dia: «Lady Bird» Samatha
Há dias que correm mal do início até ao final...
...viajantes barulhentos, carteiras perdidas, aulas trocadas e até problemas informáticos.
Nada que uma boa conversa com uma amiga não resolva!
Andante
Canção do Dia: «Lady Bird» Samatha
Há dias que correm mal do início até ao final...
...viajantes barulhentos, carteiras perdidas, aulas trocadas e até problemas informáticos.
Nada que uma boa conversa com uma amiga não resolva!
Andante
segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Chão
Diário de Bordo, Vila do Conde, 17 de Novembro de 2008
Canção do Dia: «Let's groove» Rio en Medio
Como habitualmente, o metro ia a rebentar pelas costuras.
Duas raparigas estudam no chão.
-Óh meninas! Sentadas no chão não se paga bilhete! Quem me dera a mim poder ir assim! (Dizia uma senhora confortavelmente sentada.)
Andante
Canção do Dia: «Let's groove» Rio en Medio
Como habitualmente, o metro ia a rebentar pelas costuras.
Duas raparigas estudam no chão.
-Óh meninas! Sentadas no chão não se paga bilhete! Quem me dera a mim poder ir assim! (Dizia uma senhora confortavelmente sentada.)
Andante
quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
Cusca
"TECNOLOGIA FARMACÊUTICA I
Pastilhas
Preparações farmacêuticas de consistência sólida, destinadas a dissolverem-se na boca, preparadas por moldagem de uma massa plástica constituída de acúcar, mucilagens e pa.
Preparação das pastilhas
1. Pastilhas contendo mucilagens e açúcar
a) Preparação da mucilagem
-goma adraganta (1-2%), goma de karaya
-goma arábica (3-12%)
-metilcelulose (30%)
b) Preparação da pasta
-açúcar pulverizado a pó fino;
-adição da mucilagem a 3/4 do açúcar;
-adição do açúcar restante com pa e aromatizantes incorporados;
-malaxagem-pasta sem aderência
-aromatização: vanilina, essências (anis, hortelã, limão), hidrolatos.
..."
Enquanto uns óculos tortos se contorciam pelas palavras cruzadas, uma senhora interessava-se pelo meu teste de amanhã.
Andante

segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Deixe estar-se
Diário de Bordo, Vila do Conde, 10 de Novembro de 2008
Canção do dia: «Organ Donor» Dj Shadow
-Quer sentar-se? Digo a um senhor já de idade.
-Deixe estar-se menina! Ele vai de pé! Só lhe faz bem! (Responde-me a sua mulher, já sentada!)
Andante
Canção do dia: «Organ Donor» Dj Shadow
-Quer sentar-se? Digo a um senhor já de idade.
-Deixe estar-se menina! Ele vai de pé! Só lhe faz bem! (Responde-me a sua mulher, já sentada!)
Andante
sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Desabafos
Diário de Bordo, Vila do Conde, 31 de Outubro de 2008
Canção do dia: «Oxalá» (versão electrónica) Madredeus
O metro anda completamente impossível! Chega a Vila do Conde já cheio e só com uma carruagem. Geralmente vem também sem os bancos de abrir e fechar.
Conclusão: as pessoas começam o dia mal humoradas e cansadas. Vão o percurso todo de pé.
As horas de sono não são recuperadas...
...desabafos meus!
Andante
Canção do dia: «Oxalá» (versão electrónica) Madredeus
O metro anda completamente impossível! Chega a Vila do Conde já cheio e só com uma carruagem. Geralmente vem também sem os bancos de abrir e fechar.
Conclusão: as pessoas começam o dia mal humoradas e cansadas. Vão o percurso todo de pé.
As horas de sono não são recuperadas...
...desabafos meus!
Andante
sábado, 25 de Outubro de 2008
Libelinha
Diário de Bordo, Vila do Conde, 27 de Setembro de 2008
Canção do dia: «En Gallop» Joanna Newsom
Dormia. Um delicado e suave bater de asas acorda-me de um embalado e belo sonho. Uma libelinha esvoaçava contra o vidro incomodando a menina aterrada à minha frente.
Quer ir lá para fora...
Está sempre a bater contra o vidro...
Está a ficar muito cansada...
Está a ficar com as asas partidas...
Dispo o casaco.
Pego nela com muito jeitinho.
Levanto-me.
Abro a porta.
Voa...
Andante
Canção do dia: «En Gallop» Joanna Newsom
Dormia. Um delicado e suave bater de asas acorda-me de um embalado e belo sonho. Uma libelinha esvoaçava contra o vidro incomodando a menina aterrada à minha frente.
Quer ir lá para fora...
Está sempre a bater contra o vidro...
Está a ficar muito cansada...
Está a ficar com as asas partidas...
Dispo o casaco.
Pego nela com muito jeitinho.
Levanto-me.
Abro a porta.
Voa...
Andante
segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
Aneurisma dos doces
Diário de Bordo, Porto, 25 de Setembro de 2008
Canção do Dia: «Peter Pan» Spleen
-O meu marido era um malandro, que Deus o tenha! Eu dava-lhe dieta em casa. Sim! Porque eu sou enfermeira, eu sei tratar bem das pessoas! Dava-lhe sempre dieta. Sopinha, peixe grelhado e batatinhas cozidas que eram uma maravilha. Óh se eram! E o malandro à tarde fugia e ia para a pastelaria encher-se de bolos e doces. Tinha amor aos doces o homem! E sabe o que aconteceu, sabe?
-Olhe, tinha ele 24, tinha eu 21. Deu um berro; caiu no chão. Deu outro berro, morreu. Foi dos doces. Aneurisma dos doces! Valha-me Deus!...
-E o meu genro. Nem sabe! Eu tratava muito bem dele. Dava-lhe dieta e peixinho. E ele comia tudo. E depois ele foi morar para Inglaterra e só comia bifes! Sempre sempre a comer bifes! Não imagina! Eles lá é só bifes e batatas fritas! Eu disse-lhe para fazer análises ao colesterol e tri-glicerídeos porque há uns tempos atrás estavam muito altos. E ele fez. E o "doctor" disse-lhe que estava tudo bem. Disse-lhe para não confiar nesse médico, q'uele não sabia nada do que fazia! E depois veio para cá, eu perguntei-lhe como estava e olhe, morreu!...
-Eu também tenho de ter cuidado, não me posso constipar. Disse-me o médico do coração! (A dita senhora encontrava-se exageradamente vestida: lenço na cabeça, casaco de pele, cachecol, luvas e botas!)
Aparecem os fiscais.
-Lá vem a polícia!
Confirmam 2 andantes e páram num senhor de meia idade.
-Ai os polícias, paráram ali no senhor! Se ele tem cartão, não devia pagar multa? De quanto é a multa amigo? Questionando o homem à sua frente.
-Sessenta ou setenta euros, penso eu.
-Sessenta! Só! Ai havia de ser mais! Mas para quem as merecesse, para os ladrões, não para as pessoas honestas! Coitado do senhor!
-Pois é, pois é...-responde-lhe.
-Isto não tem jeito nenhum. E as carruagens?! Já vieram com defeito. Não têm bar, não têm quarto de banho. É uma estupidez, já viu? E devia ter quartos de benho para crianças, doentes e idosos! Já viu o que é ir até à "Póvoa" a aguentar a bexiga. Ainda no outro dia havia uma miudinha que estava aflita e não podia fazer xixi! Então eu dise-lhe para ela fazer ali, mesma à frente da porta do condutor, à minha responsabilidade. E ela fez.
-Fez?!
-Fez. Coitada da miúda, não ia ficar apertadita. E eu sou enfermeira disse-lhe que fazia mal ficar com a bexiga apertada, valha-nos Deus!
-Hum...
-No outro dia também houve uma senhora que lhe deu vontade e eu disse para ela fazer ali (apontando novamente para a área da porta do condutor). E eu disse: «Faça. Faça à minha responsabilidade e limpe-se à saia como se faz na minha terra, assim-exemplificando«.
Entretanto um dos meus desconhecidos colegas de viagem fecha o livro.
-Isto hoje está impossível p'ra ler. Emprestas-me a "Visão"?
Andante
Canção do Dia: «Peter Pan» Spleen
-O meu marido era um malandro, que Deus o tenha! Eu dava-lhe dieta em casa. Sim! Porque eu sou enfermeira, eu sei tratar bem das pessoas! Dava-lhe sempre dieta. Sopinha, peixe grelhado e batatinhas cozidas que eram uma maravilha. Óh se eram! E o malandro à tarde fugia e ia para a pastelaria encher-se de bolos e doces. Tinha amor aos doces o homem! E sabe o que aconteceu, sabe?
-Olhe, tinha ele 24, tinha eu 21. Deu um berro; caiu no chão. Deu outro berro, morreu. Foi dos doces. Aneurisma dos doces! Valha-me Deus!...
-E o meu genro. Nem sabe! Eu tratava muito bem dele. Dava-lhe dieta e peixinho. E ele comia tudo. E depois ele foi morar para Inglaterra e só comia bifes! Sempre sempre a comer bifes! Não imagina! Eles lá é só bifes e batatas fritas! Eu disse-lhe para fazer análises ao colesterol e tri-glicerídeos porque há uns tempos atrás estavam muito altos. E ele fez. E o "doctor" disse-lhe que estava tudo bem. Disse-lhe para não confiar nesse médico, q'uele não sabia nada do que fazia! E depois veio para cá, eu perguntei-lhe como estava e olhe, morreu!...
-Eu também tenho de ter cuidado, não me posso constipar. Disse-me o médico do coração! (A dita senhora encontrava-se exageradamente vestida: lenço na cabeça, casaco de pele, cachecol, luvas e botas!)
Aparecem os fiscais.
-Lá vem a polícia!
Confirmam 2 andantes e páram num senhor de meia idade.
-Ai os polícias, paráram ali no senhor! Se ele tem cartão, não devia pagar multa? De quanto é a multa amigo? Questionando o homem à sua frente.
-Sessenta ou setenta euros, penso eu.
-Sessenta! Só! Ai havia de ser mais! Mas para quem as merecesse, para os ladrões, não para as pessoas honestas! Coitado do senhor!
-Pois é, pois é...-responde-lhe.
-Isto não tem jeito nenhum. E as carruagens?! Já vieram com defeito. Não têm bar, não têm quarto de banho. É uma estupidez, já viu? E devia ter quartos de benho para crianças, doentes e idosos! Já viu o que é ir até à "Póvoa" a aguentar a bexiga. Ainda no outro dia havia uma miudinha que estava aflita e não podia fazer xixi! Então eu dise-lhe para ela fazer ali, mesma à frente da porta do condutor, à minha responsabilidade. E ela fez.
-Fez?!
-Fez. Coitada da miúda, não ia ficar apertadita. E eu sou enfermeira disse-lhe que fazia mal ficar com a bexiga apertada, valha-nos Deus!
-Hum...
-No outro dia também houve uma senhora que lhe deu vontade e eu disse para ela fazer ali (apontando novamente para a área da porta do condutor). E eu disse: «Faça. Faça à minha responsabilidade e limpe-se à saia como se faz na minha terra, assim-exemplificando«.
Entretanto um dos meus desconhecidos colegas de viagem fecha o livro.
-Isto hoje está impossível p'ra ler. Emprestas-me a "Visão"?
Andante
segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Livros de Bolso
Diário de Bordo, Vila do Conde, 15 de Setembro de 2008
Canções do Dia: Album: «Children's Songs» Chick Corea
Depois de estar vários meses sem actualizações, o novo ano lectivo começa para iniciar novamente a vida sobre carris.
Adoro ler livros amarrotados, livros com cantos dobrados, livros com anotações. Livros já lidos, livros já pensados. Porque cada vinco, cada dobra, cada palavra escrita amplia a curiosidade do porquê, de tal chamada de atenção.
«...Nunca desistirei de procurar, tal é a minha decisão. Também tu, pelo que me parece, andaste à procura. Quererás dizer-me uma palavra, ó Venerado?
Siddhartha disse:
-O que poderia ter eu para te dizer, ó Venerável? Talvez dizer-te que procuras demasiado? Que enquanto procurares nunca conseguirás encontrar?
-Como assim?-perguntou Govinda.
-Quando alguém procura-respondeu Siddhartha- pode acontecer que os olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos.
-Ainda não te compreendo perfeitamente-disse Govinda-,o que queres dizer com isso?...»
(em «Siddhartha» de Hermann Hesse)
Andante
Canções do Dia: Album: «Children's Songs» Chick Corea
Depois de estar vários meses sem actualizações, o novo ano lectivo começa para iniciar novamente a vida sobre carris.
Adoro ler livros amarrotados, livros com cantos dobrados, livros com anotações. Livros já lidos, livros já pensados. Porque cada vinco, cada dobra, cada palavra escrita amplia a curiosidade do porquê, de tal chamada de atenção.
«...Nunca desistirei de procurar, tal é a minha decisão. Também tu, pelo que me parece, andaste à procura. Quererás dizer-me uma palavra, ó Venerado?
Siddhartha disse:
-O que poderia ter eu para te dizer, ó Venerável? Talvez dizer-te que procuras demasiado? Que enquanto procurares nunca conseguirás encontrar?
-Como assim?-perguntou Govinda.
-Quando alguém procura-respondeu Siddhartha- pode acontecer que os olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos.
-Ainda não te compreendo perfeitamente-disse Govinda-,o que queres dizer com isso?...»
(em «Siddhartha» de Hermann Hesse)
Andante
sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
Adeus
Diário de Bordo, Vila do Conde, 22 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «How to save a Life» The Fray
"A memória é o espelho onde observamos os ausentes." (Joseph Joubert)
Vila do Conde, 22 de Fevereiro de 2007:
Ontem passei por ti na faculdade e achei-te especialmente bonita. Perguntei-te onde ias de tão linda que estavas. Tu apenas retribuis-te com um lindo sorriso.
Nao me despedi de ti...
Contive as lágrimas até sair do metro.
No caminho para casa a pé encontrei a minha irmã. Disse-me que não estava ninguém em casa. Precisava de estar com alguém.
Porquê? Só tinhas 18 anos e tinhas uma vida feliz pela frente!
Passei em casa de um amigo e fomos à praia.
Enquanto a salitra me batia na cara a ideia de que nao me tinha despedido de ti nao me saia da cabeça. Já tinha decidido que não ia ao teu funeral. Prefiro guardar na memória as pessoas em vida.
O vento estava sudoeste e as ondas formavam vagalhões enormes que, ao rebentarem, cobriam na totalidade a areia de branco. A lua estava escondida pelas núvens e nao havia uma única estrela à vista. A praia estava linda...
Quando olhei para o relógio eram 19:15h. Fui a florista. Não sabia qual era a tua flor preferida, não tivemos tempo para falar sobre isso. Optei por uma orquídea, as que mais gosto: são bonitas, delicadas, perfeitas. Escolhi uma amarela linda para ti.
Descalcei-me...
Dobrei as calcas...
Tirei os óculos...
Fiquei 20 minutos estática a sentir a areia molhada nos pés.
Deixei que o mar mos beijasse.
Fiz uma funda covinha; acendi, com dificuldade e ajuda, uma pequena vela.
Beijei a tua flor. Pousei-a na areia.
Apenas murmurei um simples adeus.
Sorri...
O teu lindo sorriso de ontem ficará para sempre na minha memória.
Andante
Canção do Dia: «How to save a Life» The Fray
"A memória é o espelho onde observamos os ausentes." (Joseph Joubert)
Vila do Conde, 22 de Fevereiro de 2007:
Ontem passei por ti na faculdade e achei-te especialmente bonita. Perguntei-te onde ias de tão linda que estavas. Tu apenas retribuis-te com um lindo sorriso.
Nao me despedi de ti...
Contive as lágrimas até sair do metro.
No caminho para casa a pé encontrei a minha irmã. Disse-me que não estava ninguém em casa. Precisava de estar com alguém.
Porquê? Só tinhas 18 anos e tinhas uma vida feliz pela frente!
Passei em casa de um amigo e fomos à praia.
Enquanto a salitra me batia na cara a ideia de que nao me tinha despedido de ti nao me saia da cabeça. Já tinha decidido que não ia ao teu funeral. Prefiro guardar na memória as pessoas em vida.
O vento estava sudoeste e as ondas formavam vagalhões enormes que, ao rebentarem, cobriam na totalidade a areia de branco. A lua estava escondida pelas núvens e nao havia uma única estrela à vista. A praia estava linda...
Quando olhei para o relógio eram 19:15h. Fui a florista. Não sabia qual era a tua flor preferida, não tivemos tempo para falar sobre isso. Optei por uma orquídea, as que mais gosto: são bonitas, delicadas, perfeitas. Escolhi uma amarela linda para ti.
Descalcei-me...
Dobrei as calcas...
Tirei os óculos...
Fiquei 20 minutos estática a sentir a areia molhada nos pés.
Deixei que o mar mos beijasse.
Fiz uma funda covinha; acendi, com dificuldade e ajuda, uma pequena vela.
Beijei a tua flor. Pousei-a na areia.
Apenas murmurei um simples adeus.
Sorri...
O teu lindo sorriso de ontem ficará para sempre na minha memória.
Andante
quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
Viagens
Diário de Bordo, Vila do Conde, 21 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «Voá Borboleta» Sara Tavares
Há viagens que duram de mais. Outras são demasiado curtas.
Andante
Canção do Dia: «Voá Borboleta» Sara Tavares
Há viagens que duram de mais. Outras são demasiado curtas.
Andante
sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
Cãimbra
Diário de Bordo, Vila do Conde, 15 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «One Evening» Feist
Encontrei um amigo na "Trindade" que estava com um amigo seu. Entramos no metro. Mais uma vez, adormeci. Eis que me dá uma grande cãimbra. Acordo de rompante. Involuntáriamente mando um grande pontapé ao dito amigo do meu amigo.
-Desculpa lá, cãimbra. Disse-lhe eu enquanto o pobre do rapaz esfregava a "canela" e metade da carruagem se ria de mim.
Andante
Canção do Dia: «One Evening» Feist
Encontrei um amigo na "Trindade" que estava com um amigo seu. Entramos no metro. Mais uma vez, adormeci. Eis que me dá uma grande cãimbra. Acordo de rompante. Involuntáriamente mando um grande pontapé ao dito amigo do meu amigo.
-Desculpa lá, cãimbra. Disse-lhe eu enquanto o pobre do rapaz esfregava a "canela" e metade da carruagem se ria de mim.
Andante
segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
Carnaval
Diário de Bordo, Porto, 11 de Fevereiro de 2008
Canção do Dia: «Good friday» Cocorosie
A greve continua...
O metro das 8:26 não passou na Estação de Vila do Conde.
Cansada do voo de quinta, procuro lugar para dormir. Sento-me no único lugar disponível. Um dos reservados para grávidas e acompanhantes de crianças de colo. Fecho os olhos. Acompanhada de música, tento repousar. A densidade populacional aumenta. Há uma luta desenfreada para arranjar local de apoio.
Entra uma inchada senhora. Numa dúvida fundamentada questiono-me: Dou-lhe o lugar?
Ora bem, não me importaria nada de lho ceder, a senhora parece estar grávida. No entanto, se lhe der o assento e esta não o estiver, colocar-me-ei numa situação muito pouco agradável!
A minha companheira da frente deixa a sonolenta malha.
-Quer sentar-se?
Levanto-me num pulo.
As melodias de "Rodrigo Leão" tocam. Agarro-me com dificuldade face à imensidão de mãos.
Embarca uma princesa trajando de azul. De tiara na cabeça, a pobre realeza mal se segura. Uma outra senhora mantem-se confortavelmente sentada.
-Mãe, ali não diz "Por favor não utilize estes assentos em hora de ponta"?!
-É filha. Há pessoas que não sabem ler.
-Lebánte-se múlhere! Támos aqui todos apertados! Parecemos as sardinhes!
-Deixe lá. O que bale é que é Carnabal! Ninguém leva a mal!
Andante











Canção do Dia: «Good friday» Cocorosie
A greve continua...
O metro das 8:26 não passou na Estação de Vila do Conde.
Cansada do voo de quinta, procuro lugar para dormir. Sento-me no único lugar disponível. Um dos reservados para grávidas e acompanhantes de crianças de colo. Fecho os olhos. Acompanhada de música, tento repousar. A densidade populacional aumenta. Há uma luta desenfreada para arranjar local de apoio.
Entra uma inchada senhora. Numa dúvida fundamentada questiono-me: Dou-lhe o lugar?
Ora bem, não me importaria nada de lho ceder, a senhora parece estar grávida. No entanto, se lhe der o assento e esta não o estiver, colocar-me-ei numa situação muito pouco agradável!
A minha companheira da frente deixa a sonolenta malha.
-Quer sentar-se?
Levanto-me num pulo.
As melodias de "Rodrigo Leão" tocam. Agarro-me com dificuldade face à imensidão de mãos.
Embarca uma princesa trajando de azul. De tiara na cabeça, a pobre realeza mal se segura. Uma outra senhora mantem-se confortavelmente sentada.
-Mãe, ali não diz "Por favor não utilize estes assentos em hora de ponta"?!
-É filha. Há pessoas que não sabem ler.
-Lebánte-se múlhere! Támos aqui todos apertados! Parecemos as sardinhes!
-Deixe lá. O que bale é que é Carnabal! Ninguém leva a mal!
Andante
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segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Greve
Diário de Bordo, Porto, 28 de Janeiro de 2008
Canção do dia: «Rainbowarriors» CocoRosie
Greve dos condutores do metro, há menos comboios, as pessoas acumulam, esperam e desesperam.
No meio de um emaranhado de braços e cabeças, bolsas e casacos, entra uma senhora carregadíssima de sacos.
-Cum licença, cum licença. Há que apertari! Tem-se d'apertari sempr'o cinto, mas cumo naum estámos num carro, aperte-se aí só mais um bocadinho pr'eu entrari!
Os apertados manifestam-se. Indignação.
-Onde é que se vai meter?!
Há uma travagem brusca.
-Ui..ui que bou caire!
-Oh senhora, veja lá se se agarra, se não ainda cai em cima da gente!
-Minha senhora, tenha lá cuidado! Segure-se caramba!
-Olha o mieu telelé, tinha mesmu di tocar agora que nem consigo botar a mão ao borso!
-Oh Fátima cála-te que já não te posso ouvir! Tás no metro aos berros!
Andante
Canção do dia: «Rainbowarriors» CocoRosie
Greve dos condutores do metro, há menos comboios, as pessoas acumulam, esperam e desesperam.
No meio de um emaranhado de braços e cabeças, bolsas e casacos, entra uma senhora carregadíssima de sacos.
-Cum licença, cum licença. Há que apertari! Tem-se d'apertari sempr'o cinto, mas cumo naum estámos num carro, aperte-se aí só mais um bocadinho pr'eu entrari!
Os apertados manifestam-se. Indignação.
-Onde é que se vai meter?!
Há uma travagem brusca.
-Ui..ui que bou caire!
-Oh senhora, veja lá se se agarra, se não ainda cai em cima da gente!
-Minha senhora, tenha lá cuidado! Segure-se caramba!
-Olha o mieu telelé, tinha mesmu di tocar agora que nem consigo botar a mão ao borso!
-Oh Fátima cála-te que já não te posso ouvir! Tás no metro aos berros!
Andante
sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Geração Perdida
Diário de Bordo, Vila do Conde, 25 de Janeiro de 2008
Canção do Dia: «I'mma Shine» Youngbloodz in Step Up
Sexta-feira, adormeci. Quando cheguei à paragem de Vila do Conde, o metro tinha acabado de partir. Fomos no seu encalço até à paragem de Santa Clara. Numa competição renhida, conseguimos a ultrapassagem.
O céu estava lindo. Frio e afogueado. Gritáva-me com seu vermelho. Não consegui dormir.
A carruagem ia a abarrotar.
Enquanto um rapaz funga e uma senhora lhe oferece um lenço que ele declina, entra um outro no metro. De mochila às costas, traz o volume da música "pastilha" demasiado alto. A carruagem revira os olhos. A mesma senhora comenta:
-É uma falta de respeito pelos outros, um exagero. Quer uma pessoa chegar ao trabalho descansada e é sempre isto! Há que respeitar os outros. Sabe lá se eu gosto desse género de música?! Esta geração está perdida!
Entra uma senhora de idade no metro acompanhada por uma segunda mais jovem. Procura lugar. É ignorada. Levanto-me e ofereço o simpático lugar à senhora. Agradece. Fala alto com a amiga sobre boas acções.
Andante
Canção do Dia: «I'mma Shine» Youngbloodz in Step Up
Sexta-feira, adormeci. Quando cheguei à paragem de Vila do Conde, o metro tinha acabado de partir. Fomos no seu encalço até à paragem de Santa Clara. Numa competição renhida, conseguimos a ultrapassagem.
O céu estava lindo. Frio e afogueado. Gritáva-me com seu vermelho. Não consegui dormir.
A carruagem ia a abarrotar.
Enquanto um rapaz funga e uma senhora lhe oferece um lenço que ele declina, entra um outro no metro. De mochila às costas, traz o volume da música "pastilha" demasiado alto. A carruagem revira os olhos. A mesma senhora comenta:
-É uma falta de respeito pelos outros, um exagero. Quer uma pessoa chegar ao trabalho descansada e é sempre isto! Há que respeitar os outros. Sabe lá se eu gosto desse género de música?! Esta geração está perdida!
Entra uma senhora de idade no metro acompanhada por uma segunda mais jovem. Procura lugar. É ignorada. Levanto-me e ofereço o simpático lugar à senhora. Agradece. Fala alto com a amiga sobre boas acções.
Andante
quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Tertúlia
Diário de Bordo, Porto-Vila do Conde, 24 de Janeiro de 2008
Canção do Dia: «The Organ Donor» Dj Shadow
Enquanto lia um dos muitos jornais gratuitos distribuidos no metro...
...
-Olhe, deixei de fumar. Estava a ser discriminado. As pessoas, com a nova lei do tabaco agora desprezam os fumadores. Parece que agora quem fuma é assassino. As pessoas olham-nos com desprezo.
-Veja o lado positivo da coisa, pelo menos deixou de fumar!
-Lá isso foi. Mas sinto falta do cigarrito com a bica. Ainda no outro dia tava distraído e acendi o cigarro dentro de um cafézito. Lá me veio uma senhora toda empiriquitada dizer-me que o estabelecimento era para não fumadores. Lá lhe pedi desculpa e apaguei o cigarro.
Entretanto, entram vários "picas " na carruagem. Páram numa senhora e saem juntos em Esposade. A troca de ideias inicía-se. Pouso o jornal e pego no bloco com a sensação de uma boa história a caminho.
-São a ASAE.
-Pois é meu amigo! Olhe, agora é sempre isto! Durante o natal não se via ninguém.
-Agora é como os passarinhos!
-Tem razão.
-Olhe, a pobre da rapariga já vai ter multa! Coitada!...
-Pagava-se a diferença e pronto!
-Pois...agora vai ter de pagar uma pesada multa!
-A passagem da senhora é que estava errada!
-Pois eu paguei 60€ sem ter culpa nenhuma!
-Olhe, é como a minha filha! No outro dia tinha tudo direitinho. E validou o andante e tudo, só que pelos vistos a máquina dizia que ela não tinha validado, e pegou no recibo errado. Não podia provar. Foram logo 65€!
-São trabalhadores da noite!
-Ah pois é!
-O melhor é evitar, tirar tudo direitinho. Olhe que vergonha!
-Também já me aconteceu, mas foi de camioneta até Crestins. A porcaria da camioneta demorou duas horas e queriam que eu tirá-se outra viagem. Não paguei. Não tinha culpa que a camioneta tivesse demorado tanto tempo. Num domingo, num verão. Foi no dia de Nossa Senhora da...
Retomou-se o tema de conversa
-Deixe estar minha senhora, eles vão pagar as viagem de borla! Eles andam atentos! Referindo-se a passageiros ilegais (os que não compram passsagem).
-Olhe o filho da minha vizinha apanhou uma multa de 70€ por causa disso.
-Já viu quantas viajens dá para fazer?!
-Brincava no metro. Fazia o que queria do transporte público. 75€! Teve de chamar o irmão mais velho, era menor. Foi nas férias de verão. Eram onze da noite. Saíram logo os dois.
-É um exemplo.
-O que não era justo era quando eu estava na tropa, antes do 25 de Abril e não pagavam nada. Tinha de pagar bilhete para vir visitar a família. Nós a defendermos o país e não nos calhava nada. Isso é que era injusto! Trabalháva-se para voltar para casa.
- Com os meus irmãos também era assim. E não fumavam!
-Com o governo que está aí vamos voltar a isso.
-Pagava-se para tudo. Pagava-se para fumar, as bicicletas tinham de ter matrícula, não se podia andar descalço na rua.
-A minha irmã uma vez foi multada por não andar com as socas em Vila do Conde. Tinha 14 anos!
-Olhe, é isso e o tabaco.
-Não me faz falta nenhuma!
-Os cafés perderam muito com isso!
-As cidades estão fechadas à noite. Desaparece tudo!
-Desde que apareceram as discotecas e os supermercados...
A conversa continua, abordam-se vários temas: acidentes, pedofilia, assassínios, crianças desaparecidas. Comentam-se as últimas novidades dos jornais. Invoca-se Salazar.
A tertúlia vai-se desfazendo. Os intervenientes começam a abandonar a conversa.
-Boa tarde!
O senhor de óculos assobia agitando um envelope.
"Santa Clara"
Fecho o bloco, está na hora de sair.
Andante
Canção do Dia: «The Organ Donor» Dj Shadow
Enquanto lia um dos muitos jornais gratuitos distribuidos no metro...
...
-Olhe, deixei de fumar. Estava a ser discriminado. As pessoas, com a nova lei do tabaco agora desprezam os fumadores. Parece que agora quem fuma é assassino. As pessoas olham-nos com desprezo.
-Veja o lado positivo da coisa, pelo menos deixou de fumar!
-Lá isso foi. Mas sinto falta do cigarrito com a bica. Ainda no outro dia tava distraído e acendi o cigarro dentro de um cafézito. Lá me veio uma senhora toda empiriquitada dizer-me que o estabelecimento era para não fumadores. Lá lhe pedi desculpa e apaguei o cigarro.
Entretanto, entram vários "picas " na carruagem. Páram numa senhora e saem juntos em Esposade. A troca de ideias inicía-se. Pouso o jornal e pego no bloco com a sensação de uma boa história a caminho.
-São a ASAE.
-Pois é meu amigo! Olhe, agora é sempre isto! Durante o natal não se via ninguém.
-Agora é como os passarinhos!
-Tem razão.
-Olhe, a pobre da rapariga já vai ter multa! Coitada!...
-Pagava-se a diferença e pronto!
-Pois...agora vai ter de pagar uma pesada multa!
-A passagem da senhora é que estava errada!
-Pois eu paguei 60€ sem ter culpa nenhuma!
-Olhe, é como a minha filha! No outro dia tinha tudo direitinho. E validou o andante e tudo, só que pelos vistos a máquina dizia que ela não tinha validado, e pegou no recibo errado. Não podia provar. Foram logo 65€!
-São trabalhadores da noite!
-Ah pois é!
-O melhor é evitar, tirar tudo direitinho. Olhe que vergonha!
-Também já me aconteceu, mas foi de camioneta até Crestins. A porcaria da camioneta demorou duas horas e queriam que eu tirá-se outra viagem. Não paguei. Não tinha culpa que a camioneta tivesse demorado tanto tempo. Num domingo, num verão. Foi no dia de Nossa Senhora da...
Retomou-se o tema de conversa
-Deixe estar minha senhora, eles vão pagar as viagem de borla! Eles andam atentos! Referindo-se a passageiros ilegais (os que não compram passsagem).
-Olhe o filho da minha vizinha apanhou uma multa de 70€ por causa disso.
-Já viu quantas viajens dá para fazer?!
-Brincava no metro. Fazia o que queria do transporte público. 75€! Teve de chamar o irmão mais velho, era menor. Foi nas férias de verão. Eram onze da noite. Saíram logo os dois.
-É um exemplo.
-O que não era justo era quando eu estava na tropa, antes do 25 de Abril e não pagavam nada. Tinha de pagar bilhete para vir visitar a família. Nós a defendermos o país e não nos calhava nada. Isso é que era injusto! Trabalháva-se para voltar para casa.
- Com os meus irmãos também era assim. E não fumavam!
-Com o governo que está aí vamos voltar a isso.
-Pagava-se para tudo. Pagava-se para fumar, as bicicletas tinham de ter matrícula, não se podia andar descalço na rua.
-A minha irmã uma vez foi multada por não andar com as socas em Vila do Conde. Tinha 14 anos!
-Olhe, é isso e o tabaco.
-Não me faz falta nenhuma!
-Os cafés perderam muito com isso!
-As cidades estão fechadas à noite. Desaparece tudo!
-Desde que apareceram as discotecas e os supermercados...
A conversa continua, abordam-se vários temas: acidentes, pedofilia, assassínios, crianças desaparecidas. Comentam-se as últimas novidades dos jornais. Invoca-se Salazar.
A tertúlia vai-se desfazendo. Os intervenientes começam a abandonar a conversa.
-Boa tarde!
O senhor de óculos assobia agitando um envelope.
"Santa Clara"
Fecho o bloco, está na hora de sair.
Andante
quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
Desmaio
Diário de Bordo, Vila do Conde, 23 de Janeiro de 2008
Canção do dia: «All is full of love» Bjork
Longe vão os tempos em que tentava estudar no metro...
Quarta-feira, apanho um metro normal. Encontro dois amigos. Cansada, pouso a capa e a bolsa em cima das pernas. De "fones" nos ouvidos, cruzo os braços pousando-os sobre a mala. Adormeço profundamente...
"Próxima Estação Casa da Música.
Next Stop Casa da Música."
Num ápice, o metro pára um pouco mais violentamente que o habitual.
A capa escorrega.
Acordo num salto.
Toda despenteada do abanão, coro.
A carruagem observa-me.
Sorrio. Riu.
Depois de acordar os meus companheiros de viagem narram os acontecimentos ocorridos enquanto dormitara. Pelos vistos as pessoas acotovelavam-se na porta. Num determinado momento, uma rapariga alta e espaçosa (que eles designaram por cavalona), pede freneticamente licença para passar. As pessoas afastam-se pensando que o seu destino seria a próxima estação. De repente desmaia. A dita menina pediu simpaticamente licença, não para sair, mas sim para não cair em cima de ninguém. A terceira idade acorre-lhe:
-Tome água menina!
-Dêem-lhe açúcar!
Responde ela:
-Obrigada senhora, mas vou fazer análises, não posso comer nada!
-Mas está bem menina?
-Sim sim, muito obrigada.
...
Andante
Canção do dia: «All is full of love» Bjork
Longe vão os tempos em que tentava estudar no metro...
Quarta-feira, apanho um metro normal. Encontro dois amigos. Cansada, pouso a capa e a bolsa em cima das pernas. De "fones" nos ouvidos, cruzo os braços pousando-os sobre a mala. Adormeço profundamente...
"Próxima Estação Casa da Música.
Next Stop Casa da Música."
Num ápice, o metro pára um pouco mais violentamente que o habitual.
A capa escorrega.
Acordo num salto.
Toda despenteada do abanão, coro.
A carruagem observa-me.
Sorrio. Riu.
Depois de acordar os meus companheiros de viagem narram os acontecimentos ocorridos enquanto dormitara. Pelos vistos as pessoas acotovelavam-se na porta. Num determinado momento, uma rapariga alta e espaçosa (que eles designaram por cavalona), pede freneticamente licença para passar. As pessoas afastam-se pensando que o seu destino seria a próxima estação. De repente desmaia. A dita menina pediu simpaticamente licença, não para sair, mas sim para não cair em cima de ninguém. A terceira idade acorre-lhe:
-Tome água menina!
-Dêem-lhe açúcar!
Responde ela:
-Obrigada senhora, mas vou fazer análises, não posso comer nada!
-Mas está bem menina?
-Sim sim, muito obrigada.
...
Andante
segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Queda
Diário de Bordo, Porto, 21 de Janeiro de 2008
Canção do dia: «Wandering eye» Fat Freddys Drop
Primeira semana de aulas do segundo ano. Numa réstia de aproveitamento dos últimos dias de semi-férias calcei as sandálias. Liberdade.
Na faculdade reencontram-se os amigos, reveem-se caras conhecidas, trocam-se férias e viagens.
Seis e seis: o metro chega à "Trindade". Na ânsia de apanhar o expresso saio do metro a correr e tento furar pela aglutinação de pessoas.
PUM!...
As sandálias de borracha escorregam no chão liso. Estatelo-me no chão mesmo nos pés de um senhor cujos sapatos o identificam como condutor do metro.
-A menina está bem?
-Está bem menina?
Não aguento. Rebento a rir. Da minha boca apenas saem sonoras gargalhadas. Subitamente lembro-me do expresso. Levanto-me num pulo. Não digo nada ao senhor, perdida de tanto rir. Subo as escadas duas a duas, valido o cartão, entro no metro.
O dito senhor deve ter ficado a pensar que eu era doida.
Andante
Canção do dia: «Wandering eye» Fat Freddys Drop
Primeira semana de aulas do segundo ano. Numa réstia de aproveitamento dos últimos dias de semi-férias calcei as sandálias. Liberdade.
Na faculdade reencontram-se os amigos, reveem-se caras conhecidas, trocam-se férias e viagens.
Seis e seis: o metro chega à "Trindade". Na ânsia de apanhar o expresso saio do metro a correr e tento furar pela aglutinação de pessoas.
PUM!...
As sandálias de borracha escorregam no chão liso. Estatelo-me no chão mesmo nos pés de um senhor cujos sapatos o identificam como condutor do metro.
-A menina está bem?
-Está bem menina?
Não aguento. Rebento a rir. Da minha boca apenas saem sonoras gargalhadas. Subitamente lembro-me do expresso. Levanto-me num pulo. Não digo nada ao senhor, perdida de tanto rir. Subo as escadas duas a duas, valido o cartão, entro no metro.
O dito senhor deve ter ficado a pensar que eu era doida.
Andante
segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Francesinhas
Diário de Bordo, Vila do Conde, sábado, 14 de Janeiro de 2007
Canção do dia: «I dont wanna know» Mario Winans
Estávamos nas férias de Verão de 2006, eu e uma amiga regressávamos de um treino na estação do Bolhão. Já era tarde. Na nossa carruagem apenas estávamos nós as duas, uma cansada senhora de idade e um jovem bonacheirão.
Eu e a minha amiga conversávamos animadamente sobre o treino e a dança como habitualmente fazíamos.
Respondi-lhe com o meu nome. A minha amiga respondeu com um nome falso, como já havia feito outras vezes.
-Que lindos nomes que as meninas têm! Desculpem estar-me a meter convosco mas acho que aqui em Portugal as pessoas falam pouco umas com as outras!
Sorrimos...
-Acabei de chegar de França. Vim ver o meu pai. Já não o vejo à oito anos. Vou ali para Ponte da Barca.
-Elas ainda são muito novas para si! Deixe lá as miúdas!...Dizia a senhora com ar empertigado!
-A que horas?
-Mal cheguemos.
-Mas isso não pode ser. Temos dir a casa trocar de roupa. Não podemos ir assim! Mas depois vamos lá ter consigo, pode ser?
-Pode. Eu fico à vossa espera na estação.
-Ok, combinado. Demorámos aproximadamente 15 minutos. Espera por nós?
...
Andante
Voltei a vê-la. Apareceu num momento, desapareceu num intante. Estava a fazer outra vítima na estação de "Santa Clara". Não sei se hoje faria 90 anos novamente.
Andante
Canção do dia: «I dont wanna know» Mario Winans
Estávamos nas férias de Verão de 2006, eu e uma amiga regressávamos de um treino na estação do Bolhão. Já era tarde. Na nossa carruagem apenas estávamos nós as duas, uma cansada senhora de idade e um jovem bonacheirão.
Eu e a minha amiga conversávamos animadamente sobre o treino e a dança como habitualmente fazíamos.
-Olá meninas! Começou ele a meter conversa.
-Olá! Respondemos por boa educação.
-Tudo bem?
-Sim, tudo bem. Continuámos.
-Então como é que vocês se chamam?Respondi-lhe com o meu nome. A minha amiga respondeu com um nome falso, como já havia feito outras vezes.
-Que lindos nomes que as meninas têm! Desculpem estar-me a meter convosco mas acho que aqui em Portugal as pessoas falam pouco umas com as outras!
Sorrimos...
-Acabei de chegar de França. Vim ver o meu pai. Já não o vejo à oito anos. Vou ali para Ponte da Barca.
-Elas ainda são muito novas para si! Deixe lá as miúdas!...Dizia a senhora com ar empertigado!
A viagem decorria, e o imigrante deu corda à conversa. Eu e a minha amiga respondíamos num misto de gozo e boa educação. Era só mais uma das muitas personagens que viajam sobre carris.
-Não querem vir comer umas francesinhas?
Entrámos no jogo:
-Tá bem pode ser.
-Então vamos, pode ser?
-Ok. Como combinámos?
-Vamos a um restaurante muito bom que eu conheço, numa rua perto da estação.-A que horas?
-Mal cheguemos.
-Mas isso não pode ser. Temos dir a casa trocar de roupa. Não podemos ir assim! Mas depois vamos lá ter consigo, pode ser?
-Pode. Eu fico à vossa espera na estação.
-Ok, combinado. Demorámos aproximadamente 15 minutos. Espera por nós?
...
Andante
Voltei a vê-la. Apareceu num momento, desapareceu num intante. Estava a fazer outra vítima na estação de "Santa Clara". Não sei se hoje faria 90 anos novamente.
Andante
quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
Cinderela
Diário de Bordo, Vila do Conde, 29 de Novembro de 2007
Canção do dia: «Fever» Michael Bublé
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
O metro chegou à "Trindade" em cima da hora. Contavam-se os segundos para apanhar o metro das 17:31.
Com a pressa, subo as escadas a correr, saltitando duas a duas. Subitamente, perco uma sabrina vermelha.
-Menina, perdeu o sapatinho!
Existem ainda "Cinderelas"?!
Andante


Canção do dia: «Fever» Michael Bublé
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
O metro chegou à "Trindade" em cima da hora. Contavam-se os segundos para apanhar o metro das 17:31.
Com a pressa, subo as escadas a correr, saltitando duas a duas. Subitamente, perco uma sabrina vermelha.
-Menina, perdeu o sapatinho!
Existem ainda "Cinderelas"?!
Andante


segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Aniversário
Diário de Bordo, Porto-Vila do Conde, 26 de Novembro de 2007
Canção do dia:«Sun» Cocorosie
Esperei 15 minutos pelo metro das 16:31 na "Trindade". A informação vinha enganada.
Quando entrei na carruagem ofereci o lugar a uma senhora de idade. Ela recusou. Sentei-me. À minha frente estava uma senhora. De tez escura e nariz achatado vestia um casaco grosso azul, calças de ganga azuis e calçava sapatilhas. Na cabeça, um chapéu cinzento de crochet com triângulos brancos, escondia o cabelo negro escorrido. De braços cruzados observava compenetrada a paisagem. Metida nas conversas das outras pessoas, exclamava em voz alta que fazia 90 anos!
-Faço hoje 90 anos, ando pelas ruas todas! Conheço os transportes públicos todos!
-Parabéns! Diziam uns. Ignoravam outros.
-O meu marido faz hoje 103! Diz uma senhora em jeito de gozo.
-Não acredita?!
Entranto dá lugar a outro senhor.
-Sente-se, sente-se!Faço hoje 90 anos mas continuo fresca!
As pessoas riem.
Entretanto entram novos andantes, encontram-se duas velhas amigas. Depois de um grande e desequilibrado abraço, a senhora confunde-me com a filha da amiga.
-Têm os olhos da mãe!
Sorrio.
-Não é a minha filha! Sorri também.
-Ah! É igual! Tem os olhos parecidos com os seus! Então que conta Tété?
-O meu marido faz anos hoje.
-Parabéns, dê-me cá um beijinho. Quantos faz?
-73.
-Ai meu Deus, como o tempo passa!
Entre histórias empolgantes de assaltos a netos, chegam a "Vilar de Pinheiro".
-Continuação de um bom dia de anos, desejo.
-Muito obrigado, faça uma boa viajem.
-Desculpe lá menina, pensava que era filha desta minha amiga!
-Não se preocupe.
-Boa tarde então.
-Por esta porta Rosinha!
Depois de saírem a aniversariante veio sentar-se à minha frente. As mãos cruzadas bufavam e falavam sozinhas. Repetiam o som de quem está aborrecido vezes e vezes sem conta. As rugas da sua face desenhavam o seu olhar castanho compenetrado. Pensavam na vida.
-Nunca mais chegamos, susurrava.
Vê-me a escrever, suspira.
Guardo o lápis e as folhas.
Antes de sair olho para ela.
Olha-me nos olhos respondendo com três sorrisos instantâneos vindos do nada.
Procura outra vítima.
Será outra personagem que ficará registada nas páginas da minha memória.
Andante
Canção do dia:«Sun» Cocorosie
Esperei 15 minutos pelo metro das 16:31 na "Trindade". A informação vinha enganada.
Quando entrei na carruagem ofereci o lugar a uma senhora de idade. Ela recusou. Sentei-me. À minha frente estava uma senhora. De tez escura e nariz achatado vestia um casaco grosso azul, calças de ganga azuis e calçava sapatilhas. Na cabeça, um chapéu cinzento de crochet com triângulos brancos, escondia o cabelo negro escorrido. De braços cruzados observava compenetrada a paisagem. Metida nas conversas das outras pessoas, exclamava em voz alta que fazia 90 anos!
-Faço hoje 90 anos, ando pelas ruas todas! Conheço os transportes públicos todos!
-Parabéns! Diziam uns. Ignoravam outros.
-O meu marido faz hoje 103! Diz uma senhora em jeito de gozo.
-Não acredita?!
Entranto dá lugar a outro senhor.
-Sente-se, sente-se!Faço hoje 90 anos mas continuo fresca!
As pessoas riem.
Entretanto entram novos andantes, encontram-se duas velhas amigas. Depois de um grande e desequilibrado abraço, a senhora confunde-me com a filha da amiga.
-Têm os olhos da mãe!
Sorrio.
-Não é a minha filha! Sorri também.
-Ah! É igual! Tem os olhos parecidos com os seus! Então que conta Tété?
-O meu marido faz anos hoje.
-Parabéns, dê-me cá um beijinho. Quantos faz?
-73.
-Ai meu Deus, como o tempo passa!
Entre histórias empolgantes de assaltos a netos, chegam a "Vilar de Pinheiro".
-Continuação de um bom dia de anos, desejo.
-Muito obrigado, faça uma boa viajem.
-Desculpe lá menina, pensava que era filha desta minha amiga!
-Não se preocupe.
-Boa tarde então.
-Por esta porta Rosinha!
Depois de saírem a aniversariante veio sentar-se à minha frente. As mãos cruzadas bufavam e falavam sozinhas. Repetiam o som de quem está aborrecido vezes e vezes sem conta. As rugas da sua face desenhavam o seu olhar castanho compenetrado. Pensavam na vida.
-Nunca mais chegamos, susurrava.
Vê-me a escrever, suspira.
Guardo o lápis e as folhas.
Antes de sair olho para ela.
Olha-me nos olhos respondendo com três sorrisos instantâneos vindos do nada.
Procura outra vítima.
Será outra personagem que ficará registada nas páginas da minha memória.
Andante
segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Esvoaçando
Diário de bordo, Porto, 19 de Novembro de 2007
Canção do dia: «No one» de Alicia Keys
Estação de metro da Trindade, 16 de Novembro de 2007
Voltei a ver os pardalecos na linha. Continuam a sua árdua e incansável tarefa. Saltitando, continuam à procura de migalhas deixadas pelos apressados andantes. Apenas notei uma diferença. Os tais pardalinhos estão agora mais gorditos.
Andante
Canção do dia: «No one» de Alicia Keys
Estação de metro da Trindade, 16 de Novembro de 2007
Voltei a ver os pardalecos na linha. Continuam a sua árdua e incansável tarefa. Saltitando, continuam à procura de migalhas deixadas pelos apressados andantes. Apenas notei uma diferença. Os tais pardalinhos estão agora mais gorditos.
Andante
quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
"Era uma vez, uma grande família de dálmatas..."
Diário de Bordo, Vila do Conde, 24 de Outubro de 2007
Canção do dia: «Mi ma bo»-Sara Tavares
-"Era uma vez, uma grande família de dálmatas. A mãe Pepita, o pai Pongo e os seus 101 cachorrinhos. Todos eles eram muito unidos e faziam tudo juntos. Porém, havia sempre uma cadelinha que ficava sempre atrasada. O seu nome era Beatriz.
-Não era pai! O cachorrinho chamava-se Borboto!...
-Tá bem. O seu nome era Borboto. À tarde, e depois da sesta, os cachorrinhos adoravam ver as aventuras...
-As aventuras do Faísca.
-...as aventuras do Faísca, o cão herói. Quando Borboto chegou à sala já os outros cachorrinhos estavam a assistir à sua série preferida.
Borboto sempre sonhara ser como ele. Faísca era um cão que ajudava as pessoas.
-Mas ele vai ser como ele, ele no final da história vai salvar pessoas!
-Beatriz, se tiveres sempre a interromper não te leio a história.
-Desculpa pai.
-Onde é que eu ia? Ah... sim.O Faísca era um cão que ajudava as pessoas. Naquele dia, os cachorrinhos assistiam ao salvamento de um menino que se estava a afogar. Corajosamente, Faísca salta para a água e salva o menino. Os cãezinhos uivavam de alegria.
-Aaaaaaauuuuuuu..."
Já a caminho de Vila do Conde, a única carruagem ia completamente cheia.
-Sinhore! Amigo! Mánde abrir as portas que tá aqui um senhor c'a mão presa na porta desd'a Senhora d'Hora!...
-Ding dong...
-Vai-me desculpar, é possível abrir as portas que há um senhor que está com a mão presa?
-Mas precisa de ambulância?
-Precisa de ambulância? O senhor diz que não precisa de ambulância.
-Ok. Vou já abrir as portas.
-Olhe, afinal o senhor precisa de ambulância.
-Vou providenciar.
-Sente-se bem, precisa de alguma coisa?
-Beba água sinhore, beba água.
-Onde é que sai?
-Pedras Rubras.
-Vão estar dois funcionários da "Metro" à sua espera.
-Muito obrigado. Muito obrigado.
À chegada da estação de "Pedras Rubras".
-Tão ali os os sinhores. Olhe!... Olhe!... É este. (Dizia ela apontando e batendo no vidro.)
-Prontos. Já viu? O 'óme 'tava ali c'a mão apertada à cinc' estações e n'a dizia nada. Ond'é que já se viu?! Se em vez da mão fosse a cabeça, já sabíamos. Pois. S'ele tivesse ficado c'a cabeça presa p'lo menos oubiamo-lo a berrar!
Andante
Canção do dia: «Mi ma bo»-Sara Tavares
-"Era uma vez, uma grande família de dálmatas. A mãe Pepita, o pai Pongo e os seus 101 cachorrinhos. Todos eles eram muito unidos e faziam tudo juntos. Porém, havia sempre uma cadelinha que ficava sempre atrasada. O seu nome era Beatriz.
-Não era pai! O cachorrinho chamava-se Borboto!...
-Tá bem. O seu nome era Borboto. À tarde, e depois da sesta, os cachorrinhos adoravam ver as aventuras...
-As aventuras do Faísca.
-...as aventuras do Faísca, o cão herói. Quando Borboto chegou à sala já os outros cachorrinhos estavam a assistir à sua série preferida.
Borboto sempre sonhara ser como ele. Faísca era um cão que ajudava as pessoas.
-Mas ele vai ser como ele, ele no final da história vai salvar pessoas!
-Beatriz, se tiveres sempre a interromper não te leio a história.
-Desculpa pai.
-Onde é que eu ia? Ah... sim.O Faísca era um cão que ajudava as pessoas. Naquele dia, os cachorrinhos assistiam ao salvamento de um menino que se estava a afogar. Corajosamente, Faísca salta para a água e salva o menino. Os cãezinhos uivavam de alegria.
-Aaaaaaauuuuuuu..."
Já a caminho de Vila do Conde, a única carruagem ia completamente cheia.
-Sinhore! Amigo! Mánde abrir as portas que tá aqui um senhor c'a mão presa na porta desd'a Senhora d'Hora!...
-Ding dong...
-Vai-me desculpar, é possível abrir as portas que há um senhor que está com a mão presa?
-Mas precisa de ambulância?
-Precisa de ambulância? O senhor diz que não precisa de ambulância.
-Ok. Vou já abrir as portas.
-Olhe, afinal o senhor precisa de ambulância.
-Vou providenciar.
-Sente-se bem, precisa de alguma coisa?
-Beba água sinhore, beba água.
-Onde é que sai?
-Pedras Rubras.
-Vão estar dois funcionários da "Metro" à sua espera.
-Muito obrigado. Muito obrigado.
À chegada da estação de "Pedras Rubras".
-Tão ali os os sinhores. Olhe!... Olhe!... É este. (Dizia ela apontando e batendo no vidro.)
-Prontos. Já viu? O 'óme 'tava ali c'a mão apertada à cinc' estações e n'a dizia nada. Ond'é que já se viu?! Se em vez da mão fosse a cabeça, já sabíamos. Pois. S'ele tivesse ficado c'a cabeça presa p'lo menos oubiamo-lo a berrar!
Andante
sábado, 29 de Setembro de 2007
Anjinho
Diário de Bordo, Vila do Conde, 20 de Outubro de 2007
Canção do dia: Super Mario Theme
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007, apanhei o metro no "Pólo Universitário" para vir pa Vila do Conde. Já no cheio metro para a Vila, entra uma família de negrinhos. A mãe senta o menino ao meu lado. A criança, tinha uma ar angelical. Disse-lhe olá. Ele, com vergonha, não respondeu.
-Mãe, dá-me o meu "GameBoy Advance"...
Paz d'alma...
Até que...
-Quase!
-Grande salto!
-Só tenho 11, não 10! (vidas)
-Que sorte...
-Perco sempre aqui!
-Tou quase a passar o nível todo!
-O nível a seguir é o do fogo!
-Tá quase.
-Hi...impossível. Eu saltei para o outro lado!
-Vou apanhar-te!
-Tenho de apanhar...tenho de apanhar...
-Anda "Super Mário"!
-Salta!
-Consegui.
-Eu tinha conseguido...fogo!
-Yes...
-Yes...yes...yes...
-Ganhei! Até que enfim...
-Este nível é um bocadinho difícil.
-Perdi.
De repente bate três vezes com o gameboy na testa e retoma o jogo outra vez.
-Granda finta!
-Tenho de passar.
-Este horrivel monstro...
-Fogo...não consigo saltar...
-Já está!
-Tou a gastar tanto tempo...
-Ah...até que enfim.Acho bem...
-Oh...
-Apanhei mais um. E... apanhei-te!
-Tenho uma sorte...
-16 vidas!!!
-Já passei tudo?! Isto é tão complicado...
-Oh não...falhou.
-Oh...
-Hum...
Entratanto...
Dim..dom...
Próxima paragem Vila do Conde.
Game Over
Andante
Canção do dia: Super Mario Theme
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007, apanhei o metro no "Pólo Universitário" para vir pa Vila do Conde. Já no cheio metro para a Vila, entra uma família de negrinhos. A mãe senta o menino ao meu lado. A criança, tinha uma ar angelical. Disse-lhe olá. Ele, com vergonha, não respondeu.
-Mãe, dá-me o meu "GameBoy Advance"...
Paz d'alma...
Até que...
-Quase!
-Grande salto!
-Só tenho 11, não 10! (vidas)
-Que sorte...
-Perco sempre aqui!
-Tou quase a passar o nível todo!
-O nível a seguir é o do fogo!
-Tá quase.
-Hi...impossível. Eu saltei para o outro lado!
-Vou apanhar-te!
-Tenho de apanhar...tenho de apanhar...
-Anda "Super Mário"!
-Salta!
-Consegui.
-Eu tinha conseguido...fogo!
-Yes...
-Yes...yes...yes...
-Ganhei! Até que enfim...
-Este nível é um bocadinho difícil.
-Perdi.
De repente bate três vezes com o gameboy na testa e retoma o jogo outra vez.
-Granda finta!
-Tenho de passar.
-Este horrivel monstro...
-Fogo...não consigo saltar...
-Já está!
-Tou a gastar tanto tempo...
-Ah...até que enfim.Acho bem...
-Oh...
-Apanhei mais um. E... apanhei-te!
-Tenho uma sorte...
-16 vidas!!!
-Já passei tudo?! Isto é tão complicado...
-Oh não...falhou.
-Oh...
-Hum...
Entratanto...
Dim..dom...
Próxima paragem Vila do Conde.
Game Over
Andante
segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
Uma menina trapezista, um viajante malabarista, acrobacias intimistas, personagens voadoras e...
Diário de Bordo, Vila do Conde, 17 de Setembro de 2007
Canção do dia:«Barquinho da Esperança»-Sara Tavares
Canção do dia:«Barquinho da Esperança»-Sara Tavares
Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007, apanhámos o metro em "Vila do Conde" com destino ao "Bolhão". Na praça D. João I esperávam-nos o resto dos artistas. Às 22:00h iríamos actuar no Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) pela "Corda Bamba"...
O nervosismo era muito e todos sentíamos borboletas a esvoaçarem na barriga. Já faltava pouco para o espectáculo começar.
Noite, sonho: o piano toca, uma menina anda de baloiço. Balança e voa.
Personagens surgem e levam-na numa noite imaginária. A teia colocada na praça ganha vida, movimento. Há balanço, equilíbrio, saltos, dança, curiosidade. Um viajante surge. Inspirado por aquilo que encontra, começa a jogar. Na sua simplicidade, brinca. Objectos ganham vida. A menina observa.
Um barco de papel de jornal solta as amarras. Enquanto navega grandes e pequenas ondas, rodopia e volta a ancorar.
Da trama de ferro emerge um casal. Intimidade. Cumplicidade. Entre olhares e afectos surgem figuras acrobáticas. A arpa e o vibrafone ecoam.
Volta o viandante. A tinta escorre. Com as bolas, escreve arcos, linhas, curvas e oscilações.
De cima do seu ninho metálico surgem vultos voadores. Entre saltos e ressaltos voltam ao abrigo. Saltarinham e saltitam. Rodeiam, volteiam, giram e circundam sobre si próprios.
O sonho acaba... a menina acorda.
Os aplausos soam, o espectáculo acabou...
Uma menina trapezista, um viajante malabarista, acrobacias intimistas, personagens voadoras e...
Andante
terça-feira, 26 de Junho de 2007
Serenata
Diário de Bordo, Vila do Conde, 26 de Junho de 2007
Canção do dia: «J' y Suis Jamais Allé» in Amélie
Tarde, 6 de Abril de 2007, apanho o metro na estação de Vila do Conde. Mais um dia, mais uma viagem. Seria tudo igual não fosse a data, não fosse a tradição. 6 de Abril de 2007. A minha primeira Serenata académica.
Em busca do desconhecido, e guiando-me pelas palavras de outros, parto para o Porto, com a finalidade de participar no mais belo evento da Queima do Porto. Envergando de preto. Junto-me a iguais. As carruagens enchem-se de negro. Ouve-se falar de tradição, de costumes e de indumentárias. Doutores mais velho ensinam caloiros a dobrar a capa. Trajar é para muitos um orgulho. Um símbolo de tudo aquilo que lutaram para atingir o ensino superior. Para outros, o entusiasmo de ser estudante do Porto.
Chegando ao Porto. Na estação os amigos esperam. Trajados pela primeira vez. Adquirímos consciência que somos universitários.
Deambulam pelo burgo antigo. Personagens escuras esvoaçam. Parecem pegas. Aves negras com as pontas das asas e pescoço branco.
Anoitece. A luz foge. As capas fecham, o branco tapa-se. As pegas transformam-se em morcegos.
Por toda a cidade, e depois de jantares académicos, vultos dirigem-se para o mesmo local.
Meia-noite. Atmosféria mágica. Com os Clérigos como fundo traçam-se capas. Abraçam-se padrinhos e amigos. A emoção confunde-se com as notas e acordes que dançam e se perdem no luar.
Andante
Canção do dia: «J' y Suis Jamais Allé» in Amélie
Tarde, 6 de Abril de 2007, apanho o metro na estação de Vila do Conde. Mais um dia, mais uma viagem. Seria tudo igual não fosse a data, não fosse a tradição. 6 de Abril de 2007. A minha primeira Serenata académica.
Em busca do desconhecido, e guiando-me pelas palavras de outros, parto para o Porto, com a finalidade de participar no mais belo evento da Queima do Porto. Envergando de preto. Junto-me a iguais. As carruagens enchem-se de negro. Ouve-se falar de tradição, de costumes e de indumentárias. Doutores mais velho ensinam caloiros a dobrar a capa. Trajar é para muitos um orgulho. Um símbolo de tudo aquilo que lutaram para atingir o ensino superior. Para outros, o entusiasmo de ser estudante do Porto.
Chegando ao Porto. Na estação os amigos esperam. Trajados pela primeira vez. Adquirímos consciência que somos universitários.
Deambulam pelo burgo antigo. Personagens escuras esvoaçam. Parecem pegas. Aves negras com as pontas das asas e pescoço branco.
Anoitece. A luz foge. As capas fecham, o branco tapa-se. As pegas transformam-se em morcegos.
Por toda a cidade, e depois de jantares académicos, vultos dirigem-se para o mesmo local.
Meia-noite. Atmosféria mágica. Com os Clérigos como fundo traçam-se capas. Abraçam-se padrinhos e amigos. A emoção confunde-se com as notas e acordes que dançam e se perdem no luar.
Andante
sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Assalto
Diário de bordo, 11 de Maio de 2007, Porto
Canção do dia: «Alegria» in Alegria (Cirque du Soleil)
Segunda-feira, 7 de Maio de 2007, acordei e apanhei o expresso para o Pólo universitário. No metro encontrei uma amiga e colega de turma que também é uma andante usual. Tínhamos frequência nesse dia. Na Trindade validei o cartão. Sentámo-nos nos bancos da estação à espera do metro. Pousei os livros no colo e a bolsa ao meu lado. Chegadas ao Pólo, e já no cimo das escadas rolantes, dei pela falta da carteira. O que iria fazer? Estava sem dinheiro e sem telemóvel. Desci as escadas rolantes. Questionei um dos condutores do metro sobre o que deveria fazer. Ele acionou o mecanismo metro SOS e falou com o senhor. O metro dele chegou, foi-se embora e deixou-me a falar com o senhor da linha. Não me deram indicações sobre o que tinha de fazer. Um segurança que estava a ouvir a conversa ajudou-me. Contactou os seus colegas questionando-os se teriam encontrado alguma bolsa. A resposta foi negativa. Deu-me um número de telefone para o qual poderia ligar para perguntar pelos meus pertences. Nada. Ninguém tinha encontrado nada. Interroguei a senhora que me atendeu relativamente ao meu regresso para Vila do Conde ao final da tarde, já que estava sem o andante e sem dinheiro, para comprar um novo título. Respondeu-me que a Metro do Porto não se podia responsibilizar por isso. Resumindo: tinha perdido a carteira ou sido assaltada, estava sem dinheiro para almoçar e para voltar para casa e tinha frequência em menos de uma hora. O que iria fazer? Dirigi-me à faculdade. Já não fui à primeira aula visto já estar tão atrasada. Retomei ao dia-a-dia. Ao longo deste fui recordando o que tinha enfiado apressadamente na mala essa manhã: telemóvel, carteira, agenda, máquina de calcular, garrafa de água, lanche e lenços de papel. A ideia de nunca mais ver os meus pertences começava a assustar-me. Os meus amigos emprestáram-me dinheiro e meti-me no metro para casa. No caminho dirigi-me à Trindade para pedir informações. Disseram-me que a única Loja Andante que recolhia perdidos e achados era a da estação de Pedras Rubras. Dirigi-me a essa estação, dei os meus dados e rezei para que me dissessem algo nos dias seguintes. Já em casa voltei a ligar para o meu telemóvel. Atendeu-me uma Andreia, estudante no S. João. Disse-me que tinha encontrado o telemóvel e a carteira aí perto. Que descanso... Combinou deixar os meus pertences no centro comercial Campus. Pedi ao meu pai bolei e retornei ao Porto.
A carteira estava lá. Que felicidade!!!
À noite, verifiquei novamente se tinha tudo na carteira. Estava tudo lá excepto o montante da semana. Contudo, estranhamente concluí que para além desse dinheiro, o ladrão tínha-me roubado uma sande de queijo e um sumo "Bongo" de frutos tropicais. Será que se tivesse levado um lanche mais elaborado a minha carteira teria permanecido intacta?
Andante
Canção do dia: «Alegria» in Alegria (Cirque du Soleil)
Segunda-feira, 7 de Maio de 2007, acordei e apanhei o expresso para o Pólo universitário. No metro encontrei uma amiga e colega de turma que também é uma andante usual. Tínhamos frequência nesse dia. Na Trindade validei o cartão. Sentámo-nos nos bancos da estação à espera do metro. Pousei os livros no colo e a bolsa ao meu lado. Chegadas ao Pólo, e já no cimo das escadas rolantes, dei pela falta da carteira. O que iria fazer? Estava sem dinheiro e sem telemóvel. Desci as escadas rolantes. Questionei um dos condutores do metro sobre o que deveria fazer. Ele acionou o mecanismo metro SOS e falou com o senhor. O metro dele chegou, foi-se embora e deixou-me a falar com o senhor da linha. Não me deram indicações sobre o que tinha de fazer. Um segurança que estava a ouvir a conversa ajudou-me. Contactou os seus colegas questionando-os se teriam encontrado alguma bolsa. A resposta foi negativa. Deu-me um número de telefone para o qual poderia ligar para perguntar pelos meus pertences. Nada. Ninguém tinha encontrado nada. Interroguei a senhora que me atendeu relativamente ao meu regresso para Vila do Conde ao final da tarde, já que estava sem o andante e sem dinheiro, para comprar um novo título. Respondeu-me que a Metro do Porto não se podia responsibilizar por isso. Resumindo: tinha perdido a carteira ou sido assaltada, estava sem dinheiro para almoçar e para voltar para casa e tinha frequência em menos de uma hora. O que iria fazer? Dirigi-me à faculdade. Já não fui à primeira aula visto já estar tão atrasada. Retomei ao dia-a-dia. Ao longo deste fui recordando o que tinha enfiado apressadamente na mala essa manhã: telemóvel, carteira, agenda, máquina de calcular, garrafa de água, lanche e lenços de papel. A ideia de nunca mais ver os meus pertences começava a assustar-me. Os meus amigos emprestáram-me dinheiro e meti-me no metro para casa. No caminho dirigi-me à Trindade para pedir informações. Disseram-me que a única Loja Andante que recolhia perdidos e achados era a da estação de Pedras Rubras. Dirigi-me a essa estação, dei os meus dados e rezei para que me dissessem algo nos dias seguintes. Já em casa voltei a ligar para o meu telemóvel. Atendeu-me uma Andreia, estudante no S. João. Disse-me que tinha encontrado o telemóvel e a carteira aí perto. Que descanso... Combinou deixar os meus pertences no centro comercial Campus. Pedi ao meu pai bolei e retornei ao Porto.
A carteira estava lá. Que felicidade!!!
À noite, verifiquei novamente se tinha tudo na carteira. Estava tudo lá excepto o montante da semana. Contudo, estranhamente concluí que para além desse dinheiro, o ladrão tínha-me roubado uma sande de queijo e um sumo "Bongo" de frutos tropicais. Será que se tivesse levado um lanche mais elaborado a minha carteira teria permanecido intacta?
Andante
terça-feira, 24 de Abril de 2007
Pardais
Diário de Bordo, Vila do Conde, 24 de Abril de 2007
Canção do dia: «A Thousand Miles»-Vanessa Carlton
Adoro pardais. Adoro os seus saltitos e a sua humildade. Adoro vê-los a agitar as penitas e a moverem-se energicamente de árvore em árvore. Adoro o seu esvoaçar e o seu olhar sempre simpático. Adoro todos os habilidosos lápis de cor que os pintaram com todos os possíveis tons de castanho. Adoro observá-los durante horas e horas.
Na estação da Trindade há um corajoso pardalito que prende a atenção de todos. Vagueia pelas linhas e pelos passeios. Procura migalhas deixadas pelos apressados. Chega mesmo a aproximar-se dos trauseantes, não fugindo. Quando o metro chega ele salta para outro carril, continuando a sua frenética e contínua tarefa. Os olhos esvoaçam deliciados com o pardaleco.
Na espera pelo meu metro, comprei um donuts. Não vi o pardalito mas, propositadamente, migalhas do meu bolo caíram ao chão.
Andante
Canção do dia: «A Thousand Miles»-Vanessa Carlton
Adoro pardais. Adoro os seus saltitos e a sua humildade. Adoro vê-los a agitar as penitas e a moverem-se energicamente de árvore em árvore. Adoro o seu esvoaçar e o seu olhar sempre simpático. Adoro todos os habilidosos lápis de cor que os pintaram com todos os possíveis tons de castanho. Adoro observá-los durante horas e horas.
Na estação da Trindade há um corajoso pardalito que prende a atenção de todos. Vagueia pelas linhas e pelos passeios. Procura migalhas deixadas pelos apressados. Chega mesmo a aproximar-se dos trauseantes, não fugindo. Quando o metro chega ele salta para outro carril, continuando a sua frenética e contínua tarefa. Os olhos esvoaçam deliciados com o pardaleco.
Na espera pelo meu metro, comprei um donuts. Não vi o pardalito mas, propositadamente, migalhas do meu bolo caíram ao chão.
Andante
segunda-feira, 23 de Abril de 2007
Nevoeiro
Diário de Bordo, Vila do Conde, 23 de Abril de 2007
Canção do Dia: «Aureus» in Varekai (Cirque du Soleil)
Abri os olhos ensonados, ouvi o silêncio como tanto gosto. Passado pouco tempo a minha mãe suavemente abriu a porta do meu quarto e dando-me um terno beijo segredou-me:
-Já estás acordada? Posso abrir a persiana?
Quem me dera ficar a dormir mais um bocadinho; a sentir a almofada; a olhar para o tecto. Prometi a mim mesma que compensaria o sono durante a viagem.
O céu estava esquisito: não estava sol nem chuva. Arrisquei. Calcei as sandálias e a minha mãe levou-me ao metro.
Apanhei o habitual expresso, à habitual hora, da habitual ensonada segunda-feira.
Entrei e sentei-me. Com o balancear das carruagens o sono voltou. De repente deparo-me com um dos meus quadros favoritos: o nevoeiro. Há zonas em que a linha sobe sobre a linha das casas e das árvores. O manto branco roça a erva acabando por lá descansar. A paisagem torna-se névoa dispersa, calma, mágica, difusa; como num sonho, como numa miragem. Apenas se vê o verde do cume das árvores emergir por tão belas ondas. O sol aparece como pequena bola de fogo. A paisagem é linda. Dormir parecia agora um pecado.
Andante
Canção do Dia: «Aureus» in Varekai (Cirque du Soleil)
Abri os olhos ensonados, ouvi o silêncio como tanto gosto. Passado pouco tempo a minha mãe suavemente abriu a porta do meu quarto e dando-me um terno beijo segredou-me:
-Já estás acordada? Posso abrir a persiana?
Quem me dera ficar a dormir mais um bocadinho; a sentir a almofada; a olhar para o tecto. Prometi a mim mesma que compensaria o sono durante a viagem.
O céu estava esquisito: não estava sol nem chuva. Arrisquei. Calcei as sandálias e a minha mãe levou-me ao metro.
Apanhei o habitual expresso, à habitual hora, da habitual ensonada segunda-feira.
Entrei e sentei-me. Com o balancear das carruagens o sono voltou. De repente deparo-me com um dos meus quadros favoritos: o nevoeiro. Há zonas em que a linha sobe sobre a linha das casas e das árvores. O manto branco roça a erva acabando por lá descansar. A paisagem torna-se névoa dispersa, calma, mágica, difusa; como num sonho, como numa miragem. Apenas se vê o verde do cume das árvores emergir por tão belas ondas. O sol aparece como pequena bola de fogo. A paisagem é linda. Dormir parecia agora um pecado.
Andante
sábado, 7 de Abril de 2007
Concurso televisivo
Diário de Bordo, Algarve, 7 de Abril de 2007
Canção do Dia: «Masquerade» in The Phantom of The Opera-Andrew Lloyd Webber
Esta história passou-se nas férias de Verão do passado ano aquando de uma viagem até ao Bolhão para um treino de B-Girling.
Estava sol. Eu e uma amiga íamos treinar para o Porto. Apanhámos o metro normal do início da tarde na Estação de Vila do Conde. Sentamo-nos nos assentos de quatro lugares do centro da carruagem. A fazer-nos companhia, e do lado oposto ao nosso, encontrava-se um avô com o seu neto. O neto era louro, usava óculos, e tinha ar de inteligente. Devia ter uns 8 anitos. O avô estava descontraído e parecia contente por estar a tomar conta do neto. Eu e a minha colega falávamos sobre trivialidades: das férias, das aulas, dos amigos, da dança. O avô e o neto conversavam também. De quando a quando o neto levantava-se. Era uma viagem de metro igual a tantas outras que já tínhamos feito. Perto de Modivas o menino começou a meter conversa: -Olá! Como te chamas? Eu disse-lhe o meu nome. -E tu, como te chamas? A minha amiga disse que se chamava Raquel, um nome que não era o dela. -Para onde é que vocês vão? -Nós vamos para o Bolhão, e tu? Respondi-lhe eu. -Querem jogar um jogo? Questionou-nos o puto. Eu e a "Raquel" entreolhámo-nos. -Pode ser, respondi-lhe eu. -Então vamos fazer assim: eu sou o apresentador e vocês são os concorrentes, pode ser? Nós acenamos com a cabeça.
-Concorrente número 1: Qual a linha mais longa? Hipótese A: A vermelha; hipótese B, a amarela; hipótese C, a verde? Respondi-lhe a linha vermelha. -Qual acha que será a resposta correcta, concorrente número 2? A "Raquel", que estava com pouca paciência para o jogo, optou pela resposta B. -Concorrente número 1, acertou. Dois pontos para a concorrente número 1. Bem, o apresentador de televisão continuou a fazer-nos perguntas sobre as linhas, sobre as cores destas, sobre as durações das viagens, etc. Eu e a "Raquel" já só víamos a hora de chegar ao Bolhão.
Entretanto o apresentador passou para a segunda parte do programa televisivo. -A partir de agora as respostas serão por tempo. Tem um relógio? Eu tinha um relógio e, com esperança que o concurso acabásse, lá comecei a cronometrar as respostas da minha companheira de concurso. -Responda "Raquel", responda! O tempo está a esgotar-se! Rápido "Raquel"! Acabou o tempo. A concorrente número 2 não respondeu a tempo. Um ponto negativo para a concorrente número 2.
O babado avô limitava-se a um sorriso bonacheirão. Finalmente chegou o fim do concurso.
-Avô, dá um prémio à concorrente número 1.
Anda lá avô! Mais tarde, o ex-apresentador pediu-nos em namoro. O pedido desagradou à "Raquel", que já estava cansada de todo aquele concurso. O rapaz dirige-se para mim. Pega-me na mão e pede-me em casamento.
"Tim tom"...
... Próxima paragem Bolhão...
... Next stop Bolhão...
Andante
Canção do Dia: «Masquerade» in The Phantom of The Opera-Andrew Lloyd Webber
Esta história passou-se nas férias de Verão do passado ano aquando de uma viagem até ao Bolhão para um treino de B-Girling.
Estava sol. Eu e uma amiga íamos treinar para o Porto. Apanhámos o metro normal do início da tarde na Estação de Vila do Conde. Sentamo-nos nos assentos de quatro lugares do centro da carruagem. A fazer-nos companhia, e do lado oposto ao nosso, encontrava-se um avô com o seu neto. O neto era louro, usava óculos, e tinha ar de inteligente. Devia ter uns 8 anitos. O avô estava descontraído e parecia contente por estar a tomar conta do neto. Eu e a minha colega falávamos sobre trivialidades: das férias, das aulas, dos amigos, da dança. O avô e o neto conversavam também. De quando a quando o neto levantava-se. Era uma viagem de metro igual a tantas outras que já tínhamos feito. Perto de Modivas o menino começou a meter conversa: -Olá! Como te chamas? Eu disse-lhe o meu nome. -E tu, como te chamas? A minha amiga disse que se chamava Raquel, um nome que não era o dela. -Para onde é que vocês vão? -Nós vamos para o Bolhão, e tu? Respondi-lhe eu. -Querem jogar um jogo? Questionou-nos o puto. Eu e a "Raquel" entreolhámo-nos. -Pode ser, respondi-lhe eu. -Então vamos fazer assim: eu sou o apresentador e vocês são os concorrentes, pode ser? Nós acenamos com a cabeça.
-Concorrente número 1: Qual a linha mais longa? Hipótese A: A vermelha; hipótese B, a amarela; hipótese C, a verde? Respondi-lhe a linha vermelha. -Qual acha que será a resposta correcta, concorrente número 2? A "Raquel", que estava com pouca paciência para o jogo, optou pela resposta B. -Concorrente número 1, acertou. Dois pontos para a concorrente número 1. Bem, o apresentador de televisão continuou a fazer-nos perguntas sobre as linhas, sobre as cores destas, sobre as durações das viagens, etc. Eu e a "Raquel" já só víamos a hora de chegar ao Bolhão.
Entretanto o apresentador passou para a segunda parte do programa televisivo. -A partir de agora as respostas serão por tempo. Tem um relógio? Eu tinha um relógio e, com esperança que o concurso acabásse, lá comecei a cronometrar as respostas da minha companheira de concurso. -Responda "Raquel", responda! O tempo está a esgotar-se! Rápido "Raquel"! Acabou o tempo. A concorrente número 2 não respondeu a tempo. Um ponto negativo para a concorrente número 2.
O babado avô limitava-se a um sorriso bonacheirão. Finalmente chegou o fim do concurso.
-Avô, dá um prémio à concorrente número 1.
Anda lá avô! Mais tarde, o ex-apresentador pediu-nos em namoro. O pedido desagradou à "Raquel", que já estava cansada de todo aquele concurso. O rapaz dirige-se para mim. Pega-me na mão e pede-me em casamento.
"Tim tom"...
... Próxima paragem Bolhão...
... Next stop Bolhão...
Andante
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quinta-feira, 5 de Abril de 2007
Férias
Diário de Bordo, Algarve, 5 de Abril de 2007
Canção do dia: «Last Home Train» Pat Metheny
Estou de férias, não tenho de acordar todos os dias ás 6,10h para apanhar o expresso das 6,57h. Não desligo o despertador. Fico mais cinco minutos na cama. Não visto a primeira coisa que me aparece no armário. Não tomo o pequeno-almoço a correr. Não saio do carro velozmente. Não vejo rostos ensonados, nem olhos fechados. Não vejo pressa, nem o stress de chegar a horas ao trabalho. Não vejo correrias, nem andantes. Não ouço a menina que repetitivamente nos comunica a próxima paragem. Não encontro "picas" nem aqueles que deles fogem. Não observo seguranças nem pés em cima dos assentos. Não reencontro olhares conhecidos. A paisagem não passa por mim. Estou de férias. Dentro de uma semana tudo voltará ao normal. O tempo passará mais rápido... O tempo voltará a andar sobre carris.
Andante

Canção do dia: «Last Home Train» Pat Metheny
Estou de férias, não tenho de acordar todos os dias ás 6,10h para apanhar o expresso das 6,57h. Não desligo o despertador. Fico mais cinco minutos na cama. Não visto a primeira coisa que me aparece no armário. Não tomo o pequeno-almoço a correr. Não saio do carro velozmente. Não vejo rostos ensonados, nem olhos fechados. Não vejo pressa, nem o stress de chegar a horas ao trabalho. Não vejo correrias, nem andantes. Não ouço a menina que repetitivamente nos comunica a próxima paragem. Não encontro "picas" nem aqueles que deles fogem. Não observo seguranças nem pés em cima dos assentos. Não reencontro olhares conhecidos. A paisagem não passa por mim. Estou de férias. Dentro de uma semana tudo voltará ao normal. O tempo passará mais rápido... O tempo voltará a andar sobre carris.
Andante
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